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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amor, Livros e Capuccino

Cada dia que passava eu pensava ainda mais em Alice, ela não saia da minha mente, não conseguia parar de pensar nas nossas conversas e na cena do bar. Mônica estava no meu pé, me ligando a cada minuto, eu não sabia para onde correr, quando não ligava, vinha até meu apartamento.
Eu havia proibido a entrada dela, mas ela continuava insistindo, mandava presentes com cartões pedindo desculpa e culpando a bebida. Eu mais do que ninguém, sabia quando a bebida tinha culpa, nesse caso ela (bebida) foi tão vítima quanto eu.
Fui até a delegacia dar queija devido a perseguição, só assim ela me deixou em paz, por um tempo.
Fui a livraria numa manhã, procurei o gerente e pedi uma entrevista, ele aceitou, me conheci a algum bom tempo, me contratou por amizade e por saber meu amor pela leitura.
Alice me deu boas vindas, ficou feliz por me ter ali, dava pra sentir, eu estava muito mais feliz, afinal estava ao lado do meu amor platônico  trabalhar naquele lugar seria algo bizarro, eu não  iria conseguir trabalhar com tantas obras ao meu redor (risos).
Alice me ensinou a organizar as estantes, riamos e liamos muito, toda noite nos encontrávamos para tomar um capuccino e falar sobre livros, até o dia que uma obra citada tornou-se indiretas fervorosas de vontade, de tesão, saímos do mundo literário e entramos no carnal, minha mente insana não me deixava em paz, eu a todo momento a via numa em cima de mim...

"Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo."

Mas a noite acabou apenas neste último poema.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Goles A Mais

Estava indo trabalhar quando resolvi parar na livraria, comprar um jornal e tomar um capuccino. Peguei o jornal, me sentei a espera do capuccino que logo chegou. Enquanto lia e bebia, não pode deixar de reparar que Alice estava cabisbaixa arrumando os livros infantis. Fui até ela, me abaixei ao seu lado, fazendo-a assustar:
- Minha nossa Senhora, que susto!
- Calma, calma. Desculpa! Vim apenas te dar bom dia e saber como esta.
- Bom dia, estou bem. Agora me deixe trabalhar.
- Nossa! Aconteceu algo? Está tão ríspida.
- Não aconteceu nada, estou apenas trabalhando.
- Certeza?
- Não, desculpa você não tem nada a ver com isso, são coisas pessoais.
- Pois é notei que está cabisbaixa, por isso vim aqui, mas desculpa se te atrapalhei.
Me virei e sai, fui para a redação, ela não se mexeu ao me ver sair, havia planejado algo, mas não deu certo.

Era quarta-feira, dia de happy hour, foram todos a um barzinho na rua da livraria, Mônica passa por mim e diz:
- Não vai com a gente?
- Não, tenho textos a terminar, valeu pelo convite.
Ela veio até mim, virou minha cadeira para ela, abaixou colando seu rosto no meu, me beijou, provocou e perguntou de novo:
- Não vai mesmo? Nem por mim?
- Ok Mônica, vamos!
Fomos por incrível que pareça não bebi nada, estava sã, quando pude notar que Mônica estava bêbada e dando em cima de um estagiário. Não demorou muito para os dois ficarem e eu ver entrar pela porta atrás no mais novo casal, Alice. Não me contive, levantei e fui até ela.
- Desculpa ter saído daquela forma.
- Tudo bem, eu mereci.
- O que faz aqui?
- Vim beber, esfriar a cabeça e você?
- Happy hour, não muito agradável, mas tudo bem (risos).
- Espera, aquela não é a sua namorada beijando aquele cara?
- Eu já lhe disse, ela não é minha namorada. Mas esquece, que bom que você está aqui, estava louca por uma companhia interessante.
- Aceito sua companhia, "to" precisando conversar.
Sentamos em uma mesa de onde eu conseguia ver tudo que a Mônica estava fazendo, e nada me agradava. Alice pediu um chopp e quando bebia, pude notar a falta da aliança em seu dedo.
- Você está assim, cabisbaixa por quê?
- Você só esta perguntando isso porque viu que estou sem a aliança e quer uma explicação sobre o que aconteceu.
- Sim, exatamente isso. - Não fiz enredo, fui tão direta quanto ela.
- Não tem mais casamento, ele terminou comigo, conheceu outra e foi morar com ela. Ele me traiu durante 1 ano e meio, estava desconfiada e no meio de uma briga, eu falei e ele confirmou, então acabou.
Ela começou a chorar desesperadamente, resolvi tira-la de lá e levar para casa, ode poderíamos conversar melhor. Estávamos de saída quando Mônica notou que Alice estava comigo, ela veio às pressas em nossa direção.
- Quem é essa vadia com você?
- Cala a boca Mônica, vadia é você que fica se jogando pra cima de mim, me provocando e depois fica ai se esfregando em outro, vá a merda!
O tapa fez tanto barulho que o bar parou para olhar para nós, segurei Mônica pelo braço e disse:
- Olha aqui, você não é minha dona, nunca foi, você e nada são a mesma coisa. Diz que me ama, mas o primeiro pinto que aparece você ataca com fome, sedenta por essa merda, VADIA sim, mal amada e filha da puta. Os caras só ficam com você por dinheiro, porque você é burra e fica sustentando moleque, tudo bem que foder com você é excelente, porém você é mandona demais e não sabe esperar as coisas acontecerem, vive forçando a barra e acaba ganhando tudo no cansaço. To me demitindo, desaparecendo, me libertando de você.
- Filha da puta, você apenas me usou....
- USEI SIM, você já fez pior comigo no passado e fica ai jogando a culpa em mim, adeus.
Peguei a mão de Alice e saímos, ela me olhava com um sorrisinho no rosto.
- Agora entendi.
- Esquece esse assunto, Não sou prioridade hoje e sim você.
- Eu te fiz perder o emprego (risos).
- Na verdade esse emprego nunca foi meu, fui uma verdadeira idiotice ter ido pra lá. Acho que se eu trabalhasse na livraria com você seria melhor, pelo menos eu estaria rodeada do que mais gosto, livros.
- Até que não seria uma má ideia (risos). Você... Poderia me deixar em casa?
- Claro que sim, só me dizer onde é.
Ela me guiou, deixa-a lá e fui pra casa sonhar com o sorriso de Alice.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Mulher Fatal

Nunca gostei de mulheres comprometidas, sempre dispensei problemas, mas esqueci de avisar o acaso e o destino a respeito disso. Só problemas, só vícios.

Eu estava bem no trabalho, comecei a escrever um livro sobre mim, transformando minha vida em diversos contos, cada novo conto eram horas de riso, é o famoso “depois que passa a gente ri”.

Fui a uma livraria em busca de inspiração, novas obras e autores, fui procurar um livro de contos não tão famoso, pelo menos pra mim. Fui direto na atendente com aquele colete amarelo por cima da camiseta azul, escrito em negrito “POSSO AJUDAR?”.

- Boa tarde, prateleira de contos nacionais, por favor?
- Boa tarde, me acompanhe senhora.
- Haha, deixe o senhora de lado, você é melhor.
- Tudo bem, esta aqui!
- Obrigada! Ah! Algum autor ou obra pra me recomendar?
- Procura algo em específico?
- Não sei ao certo, quero contos diversos que retratem o dia-a-dia.
- Entendo, bom que tal “Natal Augusto Dornelles – Alface, Tomate e uma Pitada de Pimenta”. Terminei de ler recentemente e gostei.
- Vou levar sua indicação, quando lançar meu livro trago um exemplar pra você.
- Tudo bem (risos).

Apenas quando ela pegou o livro da minha mão é que pude notar a aliança de ouro na mão direita, noiva. Uma pena, ela era meu número, linda.
Levei o livro e o devorei, a penas para poder voltar a livraria e vê-la, conversar mais um pouco talvez. Fim do livro, nova ida à livraria.

- Boa tarde, voltei (risos).
- Olha, boa tarde. E ai gostou do livro?
- Sim, próximo ao meu, me ajudou a escrever o que faltava.
- É sério que você é escritora?
- Sim, trabalho em uma redação, escrevo crônicas e respondo alguns leitores no site.
- Desculpa, mas qual é o seu nome?
- Isso é algo que eu revelo aos poucos, sou apenas a narradora de uma história onde você é uma personagem. E o seu nome?
- Assim não vale, mas continuo achando você conhecida, bom já que não quer falar o seu nome direi o meu Alice. Algum livro em específico hoje?
- Tudo ao seu tempo. Sim, quadrinhos, de preferência DC Comics, por favor.
- Você é a namorada da Mônica, editora em uma redação, uma revista muito boa por sinal, você escreve as crônicas, só pode ser a Ludmylla?!
- Xiiiiuuuu! Segredo (risos). Mas... Mas, como ligou os fatos? E namorada de quem?
- Vi uma reportagem sua sobre leituras juvenis que não perdem a essencial com o passar dos anos, quadrinhos era uma e você dizia amar. E namorada porque você deixou subentendido.
- Boa memória, faz tempo essa reportagem hein! Bom, um café depois do expediente, pra conversar?
- Não posso, sou noiva e todo mundo conhece sua fama, meu noivo ficaria furioso.
- Hey, calma ai! É apenas um café e você nem deve jogar no meu time. Só queria conversar, saber de terceiros quais os pensamentos a meu respeito e sobre o que escrevo.
- Pena que pensa que não jogo no seu time.
Ela me deu o quadrinho e eu fui embora.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ela Foi Viver

Ela acordou, não chamou por ninguém.
Médicos, família, todos feliz com a sua melhora.
Ela só conseguia pensar em viver sua vida, em recomeçar.
Foi julgada por ter quase morrido e não querer ser bajulada,
Ela tinha sede de viver.
Sede de algo que um dia foi dela, sede de algo que ela jogou pro alto,
Medo.

Ela foi viver sua vida longe de tudo que a fazia lembrar o passado,
Não foi mais vista, a família viajava sempre para visita-la,
O medo da solidão era algo pertinente a ela,
Porém o recomeço era mais forte.
Ela foi viver.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desculpas Por Não Estar Sempre Perto

Mônica entrou batendo a porta e veio na minha direção com uma cara de poucas amigas:
- Pra minha sala agora!
- Ta ok.
Entrei, ela meio desesperada com algo, então começou a falar:
- Não da mais pra mim. Desculpa, eu não sei mais separar o profissional do pessoal.
- Como assim? Esta falando de nós, como se fossemos um casal em crise.
- E pra mim somos mesmo, você ainda ama aquela maldita garota, ela sofreu um acidente grave, ta no hospital faz 3 semanas e é apenas sobre isso que você escreve em suas crônicas. Queria que eu me sentisse como? Eu te amo, eu quero você, quero fazer parte da sua vida.
- Eu só posso te pedir desculpas, as coisas não são como a gente quer, eu queria esquece-la, mas esta complicado.
- Precisamos parar com isso antes que eu acabe te prejudicando profissionalmente, a partir de hoje sou apenas sua chefe.
- Tudo bem, eu entendo.
Sai, me sentei e escrevi sobre isso, dediquei a crônica, imprimo e no fim do expediente coloquei a folha sobre a mesa dela, ela estava ao telefone e apenas acenou com a cabeça. Voltei para a minha mesa, juntei minhas coisas e passei no Rh pedindo a minha demissão e uma carta de recomendação, ela só ficou sabendo disso quando desligou o telefone e leu a crônica, eu já estava dentro do carro quando ela apareceu no estacionamento e entrou na frente do carro:
- Como assim?
- Só fiz o que era certo, não da pra misturar as coisas, também não quero te prejudicar profissionalmente e pessoalmente, já passamos por algo assim antes, lembra?
- E vai desistir de tudo que construiu aqui dentro? E a viagem do mês que vem? É importante pra você e pra mim, você não pode fazer isso!!!
- Já fiz, desculpa.
- Desce dessa porcaria de carro agora, sua filha da mãe.
Ela sabia como me tirar do sério.
- Quem você pensa que é pra falar assim comigo, perdeu a noção das coisas?
- Sou a pessoa que te ama e quer você bem, quer ver o seu sucesso.
Eu fui na direção dela e a beijei como nunca havia feito, peguei-a no coloco e disse:
- Desculpa, tenha um pouco mais de paciência comigo, eu realmente quero esquece-la, eu preciso continuar minha vida, eu preciso de você.
- Eu também preciso de você aqui e na minha vida. Vamos voltar vai, arrume suas coisas lá em cima de novo e eu falo com o pessoal do Rh.
- Tudo bem.
Eu voltei, arrumei minhas coisas e tudo ficou bem, depois disso fomos pra minha casa.
Um jantar, uma conversa, um beijo, uma pegada mais forte e acabou nisso, eu olhava pra ela e só conseguir ver o rosto de outra pessoa, outra briga e pelo visto seria assim por um bom tempo. Eu sabia que a culpa era minha, mas eu não conseguia tirar o ocorrido da cabeça, eu não conseguia parar de pensar, mas ir atrás eu também não queria.
Mônica foi embora, desci até o estacionamento, entrei no carro e fui para o hospital, me odiando por fazer isso, mas fui, eu precisava tirar isso de mim.
Cheguei lá e perguntei pelo quarto dela, me indicaram o UTI, apenas a vi através de um vidro, tubos de alimento, remédio, oxigênio, não contive o choro, pedi para entrar, coloquei aquela roupa horrível, mascara e só assim pude chegar mais perto, conversei, falei de nós, de mim e ela sem reação.
Fui pra casa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um Suspiro Pela Vida

Dentro do carro dirigindo irresponsavelmente ele segui se achando o bom, arriscando sua vida e a da sua mulher.
Estava uma noite quente, vidros abertos e o vento rasgava a conversa a todo instante.
Ela chorava e quanto mais pedia para ele reduzir, mais o bonitão acelerava, ela estava desesperada e ele aos berros.
Uma curva mal calculada e tudo viraria poeira. 
Mas o desgraçado era bom motorista, mas não previu que um outro motorista vindo na direção contrária, dormiria ao volante. 
Uma colisão, duas mortes e um ferido grave, estilhaços por toda parte, sangue e corpos.
Ela chorava quando aconteceu, ele estava sem o sinto, nunca mais o acharam, o outro motorista ficou preso nas ferragens.
Velocímetros apontavam dois culpados, era dada a largada judicial, vença o melhor.
Ela presa aos tubos, hospital e cuidados minuciosos, muitos diziam que ela era jovem demais, família em prantos. 
Velórios, guerra. 
Choro por toda a parte, jornalistas com cede de informações sugando os pobres sobreviventes, dor.
Ninguém respeita mais nada!
Ela suspirou, um alivio pra família!
Eu só fiquei sabendo disso muito tempo depois, mas o coração já havia avisado antes, eu não quis escutar. 

domingo, 9 de setembro de 2012

Pesadelo e Realidade

"Ela corria na orla da praia, de repente ela estava em casa com seu filho chorando ao colo, a cena mudava de novo e apenas me lembro dela dentro de um táxi indo para longe, chovia muito naquele dia e o resto são apenas borrões e um clarão em minha direção."

Acordei suando frio, gritando e me deparei sozinha em casa, primeira coisa que fiz foi ligar pra Mônica, mas o celular estava desligado, então me vesti, procurei um boné para disfarçar o cabelo despenteado e fui para um barzinho tentar esquecer o pesadelo.
Escolhi um barzinho mais ao centro da cidade, me sentei pedi uma porção de fritas com queijo e uma cerveja, do nada comecei a rascunhar algo qualquer no celular por falta de caneta e papel, então percebi que havia respondido um e-mail de uma leitora, deixei salto para passar a frente quando fosse para a redação.
Fiquei ali comendo e bebendo por mais ou menos umas 2 horas, mas a verdade é que eu mal bebi, não conseguia parar de pensar no pesadelo, na mulher do pesadelo, minha morena que havia se casado (se é que ela ainda era minha).
Sentada ali vi muitas pessoas, mas nada me assustou mais do que um casal que acabará de chegar, eles pareciam ter brigado e a menina estava com uma cara de choro, o cara estava se achando o bom, sentaram pediram uma cerveja e só quando a luz iluminou bem o rosto daquela garota foi que eu percebi quem era realmente. Ela estava de volta, de voltar para me confundir, aquela morena. Meu sonho era algum tipo de premonição? Ainda bem que desacredito disso.
Eles foram bebendo cada vez mais e eu menos, alias ela mal bebeu ele que encheu a cara. Começaram a discutir, ela jogou a aliança na cara dele e quando levantou para sair ele a puxou pelo cabelo, ameaçou bater e então um cara da mesa ao lado o segurou, eu peguei a bolsa dela a puxei pelo braço, abaixando o rosto coberto pela aba do boné para ninguém me reconhecer, então tirei-a dali, ela entrou no carro com uma cara de assustada e eu sai cantando pneu, sem chances para o cueca vir atrás:
- Seu louco, pra onde esta me levando?
- Pra um lugar longe desse cara.
- Pera ai eu conheço essa voz.
Ela tirou meu boné e me bateu.
- Caralho eu to dirigindo, quer que eu bata com o carro, porra meu, acabei de te salvar daquele troglodita e é assim que me retribui? Deveria ter te deixado lá apanhando na frente de todo mundo.
- Sua filha da puta, se é pra ficar jogando as coisas na minha cara não precisava ter feito nada disso.
Parei o carro e mandei ela sair, mas quando ela ia fazendo isso travei a porta e arranquei com o mesmo novamente.
- Como quer que eu sai se você não deixa?
- A verdade é que eu não quero, desculpa, mas eu posso não ter nada a ver com a sua vida, mas não deixaria ninguém lhe fazer mal.
- Você estava certa, eu não deveria ter casado. Foi precipitado demais.
- Vamos pra minha casa conversar, pode ficar por la numa boa.
- Aceito.
E o maldito sonho ainda na mente, me fazendo resistir a não contar. A cada quilometro que me aproximava de casa eu sentia um frio ainda maior na espinha, mas tentava me controlar, na verdade eu não sabia se a abraçava de alegria ou para conforta-la, talvez os dois.
- Entra
- Nossa, como esta diferente aqui.
- Esta tudo do mesmo jeito, porém arrumado.
- Arrumado, pois é, o que aconteceu?
- É que agora eu trabalho, fico pouco em casa e tenho outro lugar pra bagunçar.
- E tem uma mulher cuidando de você também.
- N... não, de onde tirou isso?
- Apenas deduzi, desculpa
- Tudo bem, agora quer me contar o que ta acontecendo?
- Ele é um monstro, de um tempo pra cá não para em casa, anda me traindo e ainda tem a cara de pau de dizer que me ama e que quer um filho. O problema é que o amo também e... Bom, dai a gente fica assim, brigando por bobeira.
- Você ia dizer algo e não disse.
- Não era importante. Bom, desculpa mas estou com fome.
- Ah sem problemas, quer que eu faça algo pra você comer?
- Você na cozinha?
- Me viro muito bem.
- Aceito seu file de frango a parmigiana, da pra ser?
- Seu pedido é uma ordem.
Fui pra cozinha, fiz tudo e coloquei a mesa. Ela comeu com uma boca tão gostosa que parecia criança comendo. Tomou um banho e se deitou, eu arrumei tudo e quando sai do banho ela estava em um sono profundo e pesado, foi então que percebi que ela havia engordado um pouco, até cheguei a pensar que ela estava gravida como no sonho.
Peguei um cobertor e estava indo para a sala quando ela acordou:
- Onde você vai?
- Pra sala dormir.
- Não, deita aqui ao meu lado, você me passa segurança.
Assim o fiz, dormimos até o despertador me acordar para ir trabalhar. Acordei, liguei para Mônica e disse que não poderia ir pois estava com visita em casa, ela ficou uma fera, mas fazer o que.
Fui a padaria, voltei e fiz o café da manhã, levei para ela na cama. Com cuidado para não assusta-la, acordei-a com carinhos e então tomamos café da manhã:
- Você ainda não me disse o que faz por aqui, pensei que estivesse morando em outra cidade.
- Na verdade estava, voltei para a casa da minha mãe essa semana.
- É mesmo, por que?
- Problemas de saúde.
- Com a sua mãe?
- Não comigo.
- Como assim, o que você tem?
Ela colocou o copo na bandeja, segurou minha mão e então falou:
- Estou gravida, mas meu marido não pode nem sonhar com isso, se não nunca conseguirei me separar dele.
- Mas como vai esconder algo assim, acha que ele nunca vai procurar saber?
- No depois eu vejo o que faço.
Uma forte dor de cabeça se instalou em mim, o sonho martelava como nunca em minha mente, mas nada disse a ela. Terminamos o café e fui leva-la embora, quando chegamos na casa da mãe dela o marido a esperava do lado de fora, quando ele me viu chegando, se jogou na frente do carro, abriu minha porta me tirou de dentro do mesmo e me bateu até que alguém interveio, ela me jogou no banco do carona e saiu dirigindo feito uma louca, voltamos para casa.
Eu havia esquecido como era voltar sangrando para casa depois de brigar por causa de uma mulher.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um Jantar E Uma Palavra

Saturada de muitas coisas, semana com feriados, saco cheio e todos largados aos trapos, terminei minha parte e pedi para ir para casa mais cedo, pedido aceito, mas Mônica não ia deixar essa passar em branco:
- Quer ir embora mais cedo por que, algum compromisso?
- Não, apenas quero descansar o pensamento.
- Um encontro então?
- Vou ficar em casa, não tire conclusões precipitadas. Caso não esteja acreditando, pode ir jantar comigo.
- Então ta bom, 20hs no seu apartamento. Quer que eu leve um vinho?
- Seria bom, mas prefiro cerveja mesmo, nada de massas hoje.
- Então o que teremos?
- Apareça lá para certificar-se de que não tenho nenhum encontro e te mostro o cardápio.
- Sem graça, estarei lá para me certificar que tenho você só pra mim.
Virei as costas e ignorei o ultimo comentário, desnecessário e confuso.
Essa mulher era doida ou então eu estava louca, pensei até em procurar minha psicóloga novamente, voltar a fazer terapias, mas resolvi me afundar nas cervejas.

Casa arrumada, banho tomado, bermuda e camisa xadrez, uma ida ao mercado comprar alguns ingredientes e para o jantar algo simples, por preguiça de fazer algo caprichado.
20hs em ponto a campainha tocou, abri e lá estava Mônica com uma sacola de cervejas:
- Fiz como pediu.
- Entra, estou terminando o jantar.
- E o que temos?
- Frango a parmegiana, arroz a grega e feijão. Esqueci de fazer a salada, mas tem coisas ai na geladeira.
- Deixa comigo, vou fazer já.
- Tá!
Jantar pronto, mesa posta e cervejas a vontade:
- Hmmmmmm, que saboroso, bem temperado. Nossa, parabéns.
- Obrigada, mas é a unica coisa que sai muito bem feita.
- Já pode casar.
- Ah, esquece isso vai.
Terminamos de jantar e ela tocou no assunto de novo:
- É sério, já pode casar, mas comigo né.
Vish, as cervejas começaram a fazer efeito, também pudera, o fardo que ela trouxera já havia acabado e estávamos tomando um que eu comprei, era a oitava lata dela em menos de 2hs.
- Ta bom, casar, eu? Ninguém pensa isso de mim a não ser você, todas só querem brincar de me deixar apaixonada.
- Eu não quero brincar com isso não, eu quero você e disse que te esperava o tempo que fosse.
- Você é boba, por isso.
- Apaixonada e encantada com o quanto você mudou.
Resumindo essa melação, transamos.

Ela acordou, tomou um banho e revirava minhas gavetas quando acordei e a vi de toalha agachada procurando algo (bela visão por sinal):
- Ta procurando o que?
- Oi, bom dia - Ela veio me dar um beijo de bom dia - To procurando um remédio pra dor de cabeça, ressaca sabe como é.
- No armário do banheiro tem.
- Obrigada meu amor. - Amor?
- De onde tirou essa de amor?
- Você me disse isso antes de dormir - Mio hein?! - Ah disse? Não lembrava, desculpa.
- Tudo bem, nos vemos na redação?
- Sim, claro, vou tomar um banho e já vou.
- Quer que eu te espere?
- Melhor não, tem gente lá que não quer nos ver juntas nem fodendo.
- Ah, verdade. Então até mais tarde, amor.
- Até, am... amor (risos).

"Amor, como eu fiz isso? Deveria ter uma tecla voltar no cérebro, porque olha, só me lasco nisso". O banho foi só risada, me arrumei e fui para a redação me sentindo leve, "amor".

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Rascunho

"Às vezes te sinto tão longe, tão fora de conectividade comigo.
Às vezes me sinto excluída das suas coisas ou tão dentro delas que eu até me perdi.
É simples assim, eu me sinto vivendo a sua vida e não encontro mais a minha, eu tenho medo de quando tudo isso chegar ao fim e eu não souber mais voltar para a minha vida, temo pelo pior, não é drama, é uma realidade consciente de que no futuro tudo tende a piorar.
Não me vejo mais como antes, vejo uma pessoa muito mais chata e medrosa do que nunca, cheia de vontades insatisfeitas, cheia de vontades que não passam, cheias de anseios que se bobear não me pertencem mais.
A gente vai aprendendo a viver a dois e esquece que não nascemos grudados no outro, além da nossa mãe. Então criamos expectativas, sonhamos, crescemos e nos fodemos.
Quando vamos aprender que abrir mão das coisas não é viver a dois, não estamos aqui pra subtrair e sim pra somar e multiplicar, mas isso nunca acontece existe sempre algo que precisa mudar, ser retirado naquele momento ou pra sempre. Existe sempre algo de “ruim”, mesmo não sendo.
É simples eu não me encontro mais em lugar nenhum, mal faço ideia de quem sou, aquela sensação de que falta algo foi suprida momentaneamente, mas ela tornou ainda mais forte do que antes o que me preocupa muito, afinal o que eu sou? O que eu quero? O que eu espero?
De uma coisa eu sei, ou deixa como esta e continua vivendo ou joga tudo pro alto com uma forte tendência a se arrepender do dia que fez isso."

Deixei o rascunho sobre a minha mesa de centro e fui deitar...

terça-feira, 31 de julho de 2012

Paradoxo Sem Fim

Caiu à noite, venho a madrugada e eu acabei dormindo no tapete macio da sala de estar. Ela tentou me acordar para eu ir para o quarto, mas um convite surgiu:
- Esquece a cama, o quarto, deita aqui comigo.
Ela pegou cobertores e deitou-se ao meu lado, nos cobriu e me abraçou, simplesmente dormimos. Um pesadelo veio me assombrar, me fez acordar e acorda-la no susto dos meus gritos:
- AAAAAAH!
- Calma o que foi, respira...
- Desculpa... te.. assustei.
- Pesadelo?
- Talvez, não sei ao certo. Medo.
- Como assim, medo?
- Você já sentiu algo que nunca quis sentir?
- Sim, mas...
- Então, eu to sentindo algo assim e isso esta me matando por dentro, não sei mais o que fazer.
- Que tal encarar seu medo de frente e tentar fazer algo?
- Mas como? Ela não me quer nem pintada de ouro.
- Você se banhou no ouro pra saber?
Pairou um silêncio e cada uma foi para o seu quarto, eu abri a janela, sentei no parapeito e fiquei fumando um cigarro, tentando lembrar o que eu havia sonhado ao certo, eu só lembrava dele vestida de noiva, mais nada.
Amanheceu eu decidir ir embora, ir atrás pela ultima vez, Mônica ficou irritadíssima, mas me acompanhou. A deixei em casa e fui atrás pela ultima vez, fui ao trabalho dela e me disseram que era seu casamento, até riram baixinho debochando "como você não sabe". 

Eu a vi entrando na igreja segurando a mão do pai seria culpa minha tal ato? Afinal os dois não se falavam. Mas o pior de tudo era o casamento dela, aquele vestido lindo, branco, tomara que caia com uma calda enorme (como o que ela vestia no meu sonho). Eu a esperei entrar e então entrei de fininho, fiquei ao fundo onde ninguém me viu. Assisti a tudo, aquele circo armado, aquele falso sorriso treinado em frente ao espelho, aquela falsa alegria.
Eu chorava por dentro como uma criança, mas nenhuma lágrima saia de meus olhos, não sei o que era pior. O casamento acabou eu ainda fiquei na igreja até todos saírem, exceto a mãe dela, que continuava lá dentro triste, meio sem rumo. Ela me viu saindo, veio até mim e disse:
- Por que você não a impediu?
- Por que ela é dona da vida dela e sabe o que ta fazendo, eu não faço mais parte do caminho que ela escolheu.
- Você perguntou a ela?
- Não importa mais, é passado.
Eu saí, fui para a redação, escrever uma crônica sobre o ocorrido, me rendeu um bom texto, digno de criticas construtivas e uma coluna de crônicas fixas na revista, mas todas assim, românticas e que nos levem ao poço da depressão.
Mônica nem se quer tocou no assunto, me deixou livre dela e de qualquer coisa.

domingo, 29 de julho de 2012

Só Um Final De Semana, Só Uma Casa Nas Montanhas

Viagem de feriado? Sério que eu ainda era capas de fazer isso? Pois é, o convite veio da bela Mônica, ah desculpem a minha indelicadeza não a apresentei ainda, Mônica é a minha editora chefe.
Ela veio até a minha mesa e deixou um convite no meio de alguns papeis, pra ninguém saber, talvez. Só sei que fui embora mais cedo, arrumei minhas coisas, peguei o carro passei na casa dela. Estava lá com sua enorme mala me esperando:
- Mas é só um final de semana, pra que tudo isso?
- Mulher né! Sabe como é (risos).
- Tudo bem (mais risos).
Nossa viagem fui subir a serra e ir para a casa dela nas montanhas, lugar frio e gostoso, longe de tudo, onde eu poderia passar o resto da minha vida, bebendo vinho, fumando e escrevendo, lugar propicio para novas inspirações. Nos instalamos, em quartos separados, eu estava na boa como amiga mesmo, se ela estava com alguma intenção eu ainda não havia  percebido nada.
Chegamos e fomos logo fazer algo para jantar, afinal 3 horas de viagem depois de um dia de trabalho, costuma cansar um pouco. Ela cozinhou, eu coloquei a mesa e servi o vinho, massa para cair bem, estava tudo uma delicia. Conversas, risos, passado, presente e o que esperamos do futuro, livros, escritores, música. Fim do jantar, prolongamos a conversa para a varanda, frio, chuva fina e ar puro. Um cigarro aqui, outra taça de vinho ali e assim as horas foram passando, um maço acabou duas garrafas também. Decidimos parar por ali e nos retirar, já era bem tarde.
Cada uma para o seu quarto, ela se trancou e eu fui tomar um banho. Confesso que morri no chuveiro lembrando o sorriso dela ao falar que odeio uma das bandas favoritas dela por ser de tempos atuais, eu ria sozinha no banho, não sei se era culpa do vinho ou do belo sorriso de Mônica.
Fui para o meu quarto, me troquei e quando ia deitar na cama para escrever, ela bateu a porta:
- Posso entrar?
- Claro que sim. - Coloquei o note de lado - Eu ia escrever, mas se quiser ficar aqui comigo, será melhor.
- Sem cantadas (risos).
- Não foi uma cantada, foi apenas uma... (risos), desculpa, foi uma cantada sem querer.
- Perceptível, você nunca muda mesmo.
- Eu não percebo o que faço as vezes, perdão.
- Tudo bem, eu só não queria ficar sozinha, tenho um pouco de medo dessa casa a noite.
- Nunca ficou aqui sozinha?
- Não, sempre vim pra cá acompanhada, namorados ou amigas.
- Entendi, bom se quiser pode dormir aqui, a cama é de casal e eu não vou te agarrar. Terá apenas que tentar não se incomodar com o abajur acesso, vou escrever um pouco.
- Tudo bem, vou virar pra cá e dormir, obrigada.
Um beijo no rosto, lábios carnudos e molhados, a algum tempo seria o céu, mas naquelas circunstâncias eu não sabia como agir. Lógico que a carne queria aquela mulher, mas a consciência não.
Fiquei escrevendo um pouco, logo o sono bateu e adivinhem só o que escrevi? Toda essa confusão de pensamentos, daria muito pano pra manga isso tudo. Fim da vontade de escrever, sono batendo forte, me ajeitei para dormir. Lado bom, ela se virou e me abraçou, assim dormirmos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Porre sem álcool

Estava cansada de responder e-mails, a grande maioria falava sobre uma vida de merda que não deu certo, eu estava começando a me identificar com essas coisas, estava pirando no segundo dia de trabalho, foi quando terminei de organizar o site e a galera do layout deixou ele bonitão, passando um segundo pente fino.
A galera do layout, um guri homossexual e sua melhor amiga hétero cheia de curiosidades, eu no meu melhor estilo largada arrumada, fazia os dois comentarem sobre o tempo todo. Segundo dia e lá vou eu fazendo amigos com meu jeito tímida, não entendo porque as pessoas gostam de puxar assunto com os tímidos, somos tão na nossa, sem incomodar ninguém, não entendo mesmo porque insistem em conversar.
A galera do layout me convidou pro almoço, mas eu iria me contentar em ficar na minha mesa sozinha, afinal aquela redação só esvaziava na hora do almoço, o que tinha se tornado um alento pra mim naquele dia. 

Eu não conseguia parar de pensar no fim da reunião do dia anterior, eu tinha que lembrar de onde a conhecia, pensando alto e a dita cuja passa no corredor me fazendo pular na cadeira e sentir um frio no estomago, "Já avisei que não vou almoçar com você, não quero mais saber de você." Fitei ela com o olhar, logo desligou o celular, entrou em sua sala e deixou a porta entre aperta. Não me contive fui atrás.
"Já te falei pra não me ligar mais, cada vez que desligo na sua cara parece que você me liga ainda mais, quando vai aprender que acabou, não quero mais nada com você, você é igual aquela garota do bar na Zona Sul, ridícula como tal. Falando nisso, não sei porque a contratei e muito menos sei porque estou lhe contando isso."
Facada no peito, porque ela me odiava tanto? Fiquei pensando e então um flash em minha mente, sim já havíamos ficado a um bom tempo atrás, lance de jantar no bar da esquina, como sempre, clichê da minha vida. Me virei para sair e surpresa:
- Nem pense em sair de fininho, sei que você estava ai ouvindo tudo, entra!
- Assim fica complicado, desculpa (risos).
- Tira esse sorriso de canto de boca, não quero lembrar o passado.
- Nossa foi tão ruim assim?
- Não, foi muito bom e muito covarde por isso tenho raiva de você.
- Imaginei, também teria o mesmo sentimento. Mas veja só, mudanças acontecem.
- Bateu na tecla certa, o que aconteceu pra você querer mudar tanto assim? E seu livro, seus sonhos?
Trégua, me sentei e nem vi a hora do almoço passar, ficamos rindo e conversando, falando do passado, nos abrindo. Eu fiquei sabendo um pouco mais sobre ela e ela sobre mim, irônico ou não, haviam semelhanças e diferenças enormes de pensamentos, mas era gostoso conversar com ela, mulher mente aberta. Sintia que não demoraria muito até as fofocas rolarem soltas e nos prejudicarem, já estavam de olho na gente desde a reunião, quando me viram saindo da sala dela recebi um sms "Não liga pras fofocas, adorei poder retomar o contato com você e sinto que agora pode nascer uma amizade saudável, bom trabalho, te vejo no bar da esquina no fim do expediente."
- Olha aqui guria... - Um tapa na mesa de um cueca, incrível como os homens sentiam-se ameaçados por mim - Se você acha que vai conquistar essa mulher esta redondamente enganada, ela é minha.
Crise de riso, sempre nas piores situações.
- Sua? Nossa que convicção pra quem ela nem sabe da existência. Se enxerga cara, não devo satisfação da minha vida!
Pronto mais um cueca filho da puta pra me atormentar, céus!

No bar da esquina no fim do expediente, lá estava ela tomando sua gelada a minha espera, entrei e lá ficamos algumas horas bebendo. Por mais incrível que possa parecer, cada uma seguir para sua casa depois, sem prolongar nada, sério que esse tipo de amizade existia? Desconhecia tal coisa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Do Rascunho a Redação de uma Revista Qualquer

Estava sentada em frente ao computador fazendo um currículo, que coisa mais clichê, quanto tempo eu não sabia o que era procurar um emprego, vai ver nunca tive um de verdade.
Só sei que sai batendo de redação em redação, de algo esses rascunhos deveriam me servir, fui com a cara e um gole de coragem.
3 grandes jornais agendaram entrevistas que não aconteceram e uma revista estava precisando de alguém para manter o site sempre atualizado, bom me contrataram, sem contar os e-mails de amores não correspondidos que eu tinha que responder e selecionar alguns para serem publicados, mas estava bom, pagavam bem ao menos e já haviam ouvido falar de alguns rabiscos meus publicados em revistas ou sites sobre romances eróticos, mas o livro mesmo nunca saiu, talvez nem sairá mais.

Primeiro dia de trabalho, vans, jeans, camiseta gola v e uma camisa xadrez pra enganar o frio, mochila nas costas e vamos lá. Mesa com um computador e espaço pra um note, canetas e bloco de anotações, site todo bagunçado, caixa de e-mail estourando. Pelo visto o trabalho ali seria bem gostoso, só tinha um porém, eu odiava trabalho (risos).
De cara uma reunião de pauta, ok lá vou eu com o celular apenas. Vejo todos com bloquinhos e canetas e escrevendo tudo que o editor chefe dizia, eu apenas ia brincando de tirar foto, redes sociais e já estava com o e-mail da redação no celular, lendo todos que eu achava com um assunto interessante, de repente:
- Jovem o que estava fazendo que não larga esse celular, poderia prestar atenção a reunião?
Eu só esqueci de mencionar um detalhe, era um editora chefe, cabelos lisos e longos, preso com uma caneta que foi para apontada pra minha cara, aquela perfeição dando ar de serenidade a sua expressão de brava, saia, decote formado por um botão aperto da camisa, realmente eu não sabia porque estava mexendo no celular e não olhando pra ela.
- Ééé... nada estava apenas tentando colocar os e-mails dessa redação em dia, essa caixa de entrada tem 5 mil e-mail, como coube tudo isso?
- Nem queira saber, apenas responda-os. Mas primeiro, preste atenção na pauta.
- A senhora que manda.
- Senhorita moleca!
- Ok, foi mal ae.
Fim da reunião... Só ficou eu na sala pra uma conversa "intimista" com a chefe:
- Se você esta pensando que isso é a sala da sua casa, fique sabendo que não é, te conheço e não é de hoje, mas obviamente você não lembra de mim né, enfim. Essa redação é coisa séria, trate de levar a sério se não é rua.
- É, imaginei que me conhecesse mesmo, mas não tem problema, pode ter certeza que muita coisa mudou, obrigada pelo voto de confiança.
- É eu percebi as mudanças, parabéns! Espero que tenha largado velhos hábitos.
Sai aos risos e tive que encarar a fisionomia de todos com olhar de poucos amigos pra mim, mas eu estava tão bem que nem liguei, tratei de começar a trabalhar.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia do Rock

Indignada com uma pancada de coisa, cansada de ficar parada, resolvi dar movimento, voltar a alguns hábitos. Dia do rock e a ultima coisa que eu queria era um lugar que tocasse isso, estava de boa de trombar com pessoas que eu queria esquecer, então surgiu um convite diferente, pensei que seria tranquilo, mas esqueci de que tenho conhecidos que curtem outros estilos de música, enfim... Deu na mesma.
Aquele passado que você nem lembra mais, que nem fez importância amontoado num mesmo lugar, cada passo um esbarrão diferente, cansa viu, caralho de vida. Mas dai acontece tudo que você fugiu, é, ela estava radiante, como sempre.
Confesso que assusto quando vejo que as pessoas melhoram muito com o tempo, uns drinks aqui, outros ali, eu só fitava ela bebendo. Quando olhei o outro lado, aquela morena filha da puta estava ali, foi quando resolvi dar atitude ao meu olhar.
Uma saída ao deck fumar, um drink a mais, ela veio me cumprimentar:
- É feio fingir que não conhece.
- Ah, que isso, você esta com suas amigas, eu estou aqui na boa, então você sabe como é.
- Sei bem como você é, relaxa. Tudo bem?
- Bem, bem melhor agora e você?
- Também, muito melhor agora. Não imaginei te encontrar aqui, justo aqui. Você odeio qualquer ritmo que não seja rock (risos).
- Pois é né, vai ver o rock me levou a falência, se é que me entende (risos).
Entre risos e drinks a noite se foi, hora de ir pra casa, pela primeira vez cada um para o seu lado. Mas dai né, sempre tem que dar algo errado na hora de ir embora, não da pra sair na moral, tsc tsc tsc...

- Sai daqui seu ridículo, eu nem falei com ela porque esse piti todo?
Já deu pra sentir né? Minha morena estava brigando com o cueca dela, olha que irônico, por minha causa...
- Aproveita que ela ta passando ai e vai junto, VADIA!
- Pera ae mano ficou maluco? Vai sair xingando sua mina assim? Ta afim de apanhar?
- Tava demorando pra você vir comprar essa briga né, sua filha da puta?
- Parem vocês dois que merda, eu odeio vocês!
Ela se virou e saiu andando, eu fiquei parada esperando o cueca ir atras, mas acho que ele pensou igual eu, quando fui me retirar ele veio pra cima de mim:
- Onde você pensa que vai?
- Não te devo satisfação, seu merda!
- Atras dela você não vai não!
- Não tenho culpa da saída ter um caminho só, meu tu é sempre burro assim? Cansa essas merdas viu, a mina ta com você não comigo, para de graça, para de criancice, antes que eu seja obrigada a ir atras dela oferecer colo, porque você é um bosta que não sabe dar valor.
- Como é que é?
- Ainda por cima é surdo, caralho mano. Me cansei.
Me virei pra sair e vi que ela estava atras dele ouvindo tudo e rindo, não me contive ao olhar par ela, um sorriso de canto de boca se esboçou muito forte, junto a tentativa de um soco.
- Você não vai encostar a mão nela. - Gritou minha morena.
- Nela não, mas em você eu vou.
Quando ouvi aquilo só tive um instinto, entrar na frente e segurar o cueca filho da mãe, olha aquilo renderia uma boa briga, mas eu apenas segurei a mão dele e disse:
- Vaza daqui mano, vaza antes que a gente vá parar numa delegacia por homicídio, porque se você continuar aqui eu fodo minha vida, mas você morre.
- Morrendo de medo de vocês vadias.
- Não é pra ter medo, eu só to falando o que vai acontecer.
- Vem me matar então.
A minha sorte era que ele estava bêbado, então vocês já sabem né, ficam meio molengas. puxei o braço dele pra baixo pra cabeça bater em uma pilastra no meio do caminho, pena que não pude terminar, os seguranças chegaram antes e colocaram os três para fora. O cueca saiu de ambulância, sei la que fim deu em, só sei que me arrependi de tudo:
- Obrigada!
- Na próxima conheça melhor as pessoas com quem você se relaciona, você merece alguém que te de valor de verdade.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Rascunho Sem Importância

Era obvio que ela responderia não, era obvio que eu não demonstrava nenhuma segurança. Era tão obvio que eu não entendia o motivo da minha tentativa, nada nunca daria certo, eu teria que mudar muito ainda para conseguir demonstrar a ela o que sentia e do que era realmente capaz. Mas não se muda uma personalidade, apenas se trabalho em cima do que se tem, mas o que eu tinha?
Nada, era essa a minha conclusão depois de um não e outro tapa na cara. Vai me diz, porque adoram me estapear? Ok, sem respostas, melhor a incerteza de um ato do que o contrario.


Assim a vida passaria, ela com aquele cueca, eu com nada nem ninguém. Afinal aquela faxina me levou as últimas ideia de qualquer rabisco que emplacaria algo realmente bom de minha autoria. Começar do zero? Sim, mas antes uma dose de pinga pra esquentar porque essa cidadezinha do interior esta acabando com meu corpo.


Fim de tarde, frio, nuvens, lua, estrelas, linda noite para boas ideias, porém só saiam as burrices que cometi com a minha morena, decidi então que começaria do zero retratando tudo que passamos até aquela data e que deixaria em aberto o fim da história, pois acreditava que ela não havia acabado, afinal vai que o cara não da conta do recado, ela se cansa dele e tudo volta ao normal?!


Mal sabia eu que esse fim poderia chegar muito antes do que eu poderia imaginar ou calcular.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Tão Esperado Pedido

Ficar ali parada esperando a vida dar outra reviravolta não melhoraria meu humor em nada, eu estava intragável, nem o cigarro gostava mais de mim, estava decidido, hora da faxina.
Caixas e sacos de lixo espalhados pelo apartamento, contrastavam com as coisas em ordem, rascunhos no lixo, livros em caixas, presentes em caixas, algumas roupas em outras para doação, assim a minha faxina dava resultados positivos, meu apartamento estava mais limpo.
Ao final de tudo, sai para dar o destino correto a cada caixa, quando deixei a ultima em uma igreja para doação, voltei para o carro, olhei pelo retrovisor, meu reflexo abatido, decidi mudar o visual também, comprar umas roupas novas e claro, um skate também, estava com saudades de me ralar. Se eu tinha ou não idade, eu não sabia mais, eu só sabia que queria sair por ai sentindo a liberdade bater no peito.
Depois de um banho na alma e no corpo, voltar ao apartamento não era bem os meus planos, decidi e me convenci a comprar o bendito skate, mas eu não sabia que ir a uma loja do tipo me faria sair correndo.
Entrei na loja, feliz, empolgada, quando paro para escolher o skate ela entra para escolher qualquer coisa, passou por mim eu não percebi, ela me viu e veio falar comigo, quando senti uma mão em meu ombro me virei assustada:
- Calma, sou eu. Que legal vai voltar a andar?
- Não pode ser. 
Me virei para o vendedor, agradeci e sai correndo da loja, direto pro carro e ela ficou olhando até sentir vontade de vir atras. Entrei no carro, liguei e quando estava saindo ela abriu a porta do passageiro e entrou também, inferno:
- Por que você saiu correndo assim?
- Você me disse para te esquecer, não te procurar mais que sua vida tinha mudado, na verdade sei lá o que você me disse, eu já esqueci, eu já te esqueci. Agora me diz você, por que veio falar comigo? Que porra! - Nesse instante travei a porta e arranquei com o carro.
- Para esse carro, você não esta em condições de dirigir.
- Eu sei muito bem o que to fazendo, então só abra a boca para responder minha pergunta.
- GROSSA, ESTUPIDA, RIDÍCULA, MAS QUE CARALHO.
- Responder a merda da pergunta, é tão difícil assim?
- Eu fui falar com você porque te vi feliz, fiquei feliz por te ver assim, você estava toda estranha, fiquei com medo de você fazer algo errado de novo.
- Você preocupada comigo? Se estivesse tão preocupada assim voltava pra mim.
Um silêncio prevaleceu dentro do carro, ficou difícil conter as lágrimas e elas começaram a escorrer, eu a deixei na casa dela que era caminho da minha, ela desceu sem dizer nada e eu fui sair, ouvi ela gritar:
- ESPERAAA!
Parei o carro, estacionei, desci e voltei. Chorando disse:
- Para vai, eu vou sair de vez da sua vida, esquece tudo isso, eu te amo, mas esquece.
- Para de chorar, eu também te amo.
- Volta pra mim?
- Não posso, nossas vidas tomaram rumos diferentes, ficou só o carinho.
- NÃO. Porra, eu te amo, você acabou de dizer o mesmo, nada nos impede de ficar juntas, acorda, sou eu quem vai te fazer feliz.
- Prova!
- Então vem.
Puxei-a pelo braço, entramos no carro, uma parada em uma loja, um presente escondido no bolso da calça e fomos direto pra um lugar calmo, tranquilo. Descemos e começos andar ali por perto, perto da natureza, ela estava radiante:
- Por que me trouxe aqui?
Ajoelhei na sua frente, peguei sua mão e comecei:
- Você vive me dizendo pra provar que o que sinto por você é verdadeiro, vive me pedindo provas de amor, desculpa. Não tenho muito a te oferecer, são palavras que em outras épocas já foram proferidas, te amo eu já disse pra outras pessoas, mas nunca senti nada assim com ninguém, era da boca pra fora, amor verdadeiro eu encontrei ao seu lado. Quando eu digo que estou de quatro por você, é verdade, sou loucamente apaixonada, sinto o que sempre repudiei sentir, falo do que sempre senti ódio em dizer, mas dizem que o ódio é o oposto do amor, então te odiando ou não o importante é que no fundo eu te amo.
Tirei uma caixinha do bolso da calça, abri virei para ela e completei:
- Só posso provar meu amor por você assim, então casa comigo?