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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Incompleto

Eu já havia me esquecido como era ter a tarde toda livre para fazer o que quiser, uma volta no parque, um sorvete na praça e assim o céu ia escurecendo e a chuva caia para molhar uma alma que apenas sabe chorar.
A chuva me fez lembrar de vários momentos, de vários "amigos". Os anos passaram e a rotina obrigou todos a tomarem caminhos distintos que não se cruzam em momento algum.
Cansada disso eu voltei para casa, ensopada e fui logo tomar um banho quente para não me resfriar. Enrolada no roupão sentei-me no sofá e coloquei uma boa música para ouvir, preparei um chá para tentar acalmar o pensamento e fui para a janela acender um cigarro. A casa era outra e a grande maioria das coisas estavam em caixas, eu ainda não havia tido tempo para organizar tudo como deveria ser, uma hora quem sabe eu ainda não voltava aquele velho apartamento, aquela velha vida que estava tentando deixar para trás?! 
O tempo poderia dizer como seriam as coisas e eu estava apenas deixando acontecer.
Eu me sentia sozinha, pois sabia que naquele lugar ela não apareceria de surpresa para passar aquela noite comigo. Eu olhei o celular sobre a mesa pensei em telefonar para ela, mas desisti assim que a música dela começou a tocar...

"I love a girl in a whole another language
People look at us strange
Don't understand us, they try to change it
I try to tell her don't change
Talk love and they say it sounds crazy
Love's even more wild when you're angry
Don't understand why you wanna change it
Girl listen to me
You're just running from the truth
And I'm scared of losing you
You are worth too much to lose..."

Acendi outro cigarro e me lembrei perfeitamente dela me dizendo "Nunca vai largar isso?!"
Ignorei meu pensamento e apenas voltei a observar a chuva que voltava a cair.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Irreal

Estava tudo escuro, parecia um beco daqueles de histórias em quadrinhos com super heróis. Chovia forte e o vento cortava o meu corpo todo, mesmo bem agasalhada eu sentia o vento entrar e bater diretamente na minha pele fazendo meu corpo congelar aos poucos.
Eu já estava cansada de andar e não encontrar um rumo certo, cansada de procurá-la e ela sempre fugir de mim. Decidi ir para casa, caminhando na chuva como de costume e xingando o mundo por ele ter resolvido chorar junto comigo.
Passe em frente a casa dela, luzes apagadas e nenhum sinal de vida lá dentro. Continuei caminhando, quando estava quase chegando em casa escutei alguém me gritar, me virei e tive o maior susto da minha vida...
- Esp..
Ela caiu bem na minha frente, longe de meus braços. Chamei a ambulância que demorou uma eternidade para chegar e levaram-na para o hospital, por algum motivo que ninguém sabia explicar ela havia desmaiado, assim do nada.
Sentada em um banco duro e ruim, fiquei ao lado dela o tempo todo esperando que acordasse e pudesse me explicar porque raios aquilo havia acontecido. Eu tentava de algum modo manter a calma, mas no fundo eu estava com medo, medo de perde-la para sempre.
Ela abriu os olhos um tempo depois e então levantei-me e segurei sua mão...
- Esta tudo bem agora meu anjo.
- Chama o médico, por favor.
Ela me assustara novamente, chamei o médico que me pediu para sair e deixa-los a sós. Meu coração saltava de medo, o mesmo me corroía e eu não sabia o que fazer ou pensar. Um tempo depois o médico me pediu para entrar.
- Alguém pode me explicar o que esta acontecendo antes que eu morra do coração?! - Indaguei logo de cara.
- Estou grávida e o pai da criança não quer assumir. - Ela disse com lágrimas nos olhos.
O médico então explicou o motivo do desmaio, eu estava sem chão. A noticia era linda, mas havia chego em péssima hora, sobraria pra mim uma responsabilidade que não era bem o que eu queria, sobraria pra mim cuidar do amor da minha vida, mas ela não sabia que eu havia decidido deixar tudo de lado e viver minha vida longe dali. Com lágrimas nos olhos eu disse:
- Eu estou indo embora dessa cidade, essa noite sai para andar e me despedir de tudo isso. Eu... Eu estou indo para um lugar onde eu não lembre de você e de tudo que aconteceu entre nós, apesar de tudo que sinto eu não posso mais ficar.
- Mas você disse que estaria aqui sempre que eu precisasse, EU PRECISO DE VOCÊ AGORA!
- Mas eu também disse que uma hora poderia ser tarde demais...
- Não! Você nunca disse isso, esse tarde demais nunca existirá entre nós... Me diz que é mentira, que você não vai embora, eu preciso de você. Eu... Eu preciso do seu amor e carinho para me manter forte.
Nessa hora eu cai sentada naquele banco desconfortável, totalmente sem chão, sem rumo. Eu não tinha mais certeza de nada do que eu queria fazer, eu apenas tinha medo da minha escolha, medo de mim. Olhei nos olhos dela me despedi e sai.

Nessa hora eu acordei, olhei para o lado e não reconheci onde eu estava...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Carta Sem Remetente

"Você merece muito mais do que imagina merecer, muito mais do que já lhe prometeram ou lhe deram um dia. Você é uma flor rara em meio a tantas comuns por ai, sua essência e fragrância não existem a venda em lugar algum, são únicos.
Algumas pessoas ao seu redor não mereciam todo esse carinho que você tem por elas, algumas não sabem que a cada passo seu deveria existir um tapete de rosas vermelhas, a cada lágrima um ombro para muitas outras, a cada sorriso um espelho de alegria.
Eu poderia lhe prometer o mundo, as estrelas do céu. Mas eu me contentaria em estar na tua presença e tirar de você cada milímetro de preocupação e estresse, me contentaria em te ver sorrir, em ser o espelho da tua alma.
Estaria ali para lhe abraçar quando se sentisse sem chão, estaria ali para sorrir ao seu lado, estaria ali lhe mostrando a malicia do cotidiano, lhe fazendo crescer cada dia mais. Lhe mostraria que o ciúmes existe sim, mas que ele pode ser usado para uma coisa boa... Crescimento pessoal.
Estaria ali se você deixasse, mas mesmo não deixando eu continuo ali em um cantinho onde ninguém vê, onde eu apenas sinto a sua falta e lhe vejo passando por coisas que não merece, permaneço aqui."

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Heroína da Minha Vida - Final

Ela me olhou assustada e sem pensar, sentou-se na cama e já foi logo dizendo:
- Eu não posso, você merece alguém melhor que eu. Alguém que te ame assim como você é capaz de amar. Me desculpe, preciso ir.
Eu não fiz nada, deixei-a sair sem correr atrás. Eu estava cansada de dar murros em pontas de facas, a deixei partir afinal aquele ponto final era necessário para uma nova história poder ter inicio um dia. Guardei a caixinha no criado mudo novamente, me ajeitei na cama e dormi.
Acordei tarde e com uma sensação de vazio dentro de mim, tomei um banho me troquei e fui para longe dali, fiz as malas e só havia a passagem de ida. No aeroporto fiz algumas postagens em redes sociais, afinal pra variar a chuva estava me impedindo de sair daquela cidade. Perdi a noção do tempo que fiquei naquele banco de aeroporto até então meu voo ser anunciado, nesse mesmo instante meu celular tocou, era ela. Ignorei a ligação e entrei na fila de embarque, ao longe escutei alguém gritar o meu nome, ela vinha correndo na minha direção e ao chegar perto de mim, não disse nada apenas me beijou.
A minha reação não foi das melhores, segurei-a pelo braço e afastei de mim perguntando:
- Por que isso?!
- Você não pode ir assim do nada.
- Não é do nada, eu planejei isso a tempo. A única pessoa que me prendia aqui me disse não na noite passada, eu preciso ir.
- Não pode, aqui eu tenho certeza de que podemos nos ver, nos esbarrar e eu vou sempre poder aparecer de surpresa para você.
- NÃO! PARA COM ISSO! Você não faz ideia do quanto isso tudo me machuca, eu me faço de forte pra você se sentir melhor, mas a verdade é que eu to destruída por dentro de tanto você "brincar" com meus sentimento. Cansei, eu preciso ir, perdão!
A deixei ali, dei as costas e embarquei... Lágrimas e mais lágrimas eram as únicas coisas que eu sentia no meu corpo. Eu chorava feito criança, aquela dor me corria cada vez mais e um buraco havia se aberto no chão, meu corpo não me obedecia.
O avião decolou e eu estava indo para onde nunca deveria ter saído, mas sabia que voltar poderia me fazer sentir coisas que haviam adormecido dentro de mim. Mas eu precisava correr esse risco, mesmo sabendo de todas as consequências, afinal um ponto final é necessário para que hajam novos parágrafos e novas histórias!
FIM!

domingo, 13 de novembro de 2011

Heroína da Minha Vida - Parte II

- Sai da minha casa agora. - Disse em tom de ordem!
- Eu não vim aqui pra falar com você, sai da minha frente me deixa terminar de falar com ela.
- Cala a sua boca, na minha casa mando eu. Sai agora ou eu chamo a policia e te acuso de invasão domiciliar.
Nessa mesma hora aquela guria cresceu pra cima de mim, a empurrei e a briga começou. Eu ouvia alguém chorando e pedindo para nós pararmos, ela entrou no nosso meio e nos separou, virou-se para mim e disse:
- Eu vou com ela para que isso acabe.
- Você não pode ir com ela, não faz isso!
- Desculpa! Eu não consigo ver você se machucando por minha causa, eu vou para isso acabar.
- Se você sai por aquela porta com essa guria nunca mais olha na minha cara!
Ela pediu desculpa mais uma vez e saiu. Peguei a chave e desci atrás, entrei no carro e sai feito louca. Passei por elas, eu corria como se aquilo fosse me fazer fugir dali, esquecer o que havia acontecido. Mas me dei conta de que isso não adiantaria muito, fiz um retorno e voltei para tentar encontra-las, estavam sentadas na praça perto do apartamento. Estacionei o carro e fui até ela:
- Eu esqueci de fazer uma coisa.
Levantei-a do banco puxando pela cintura e a beijei, um beijo demorado e a chuva voltou a cair.
- Esquece o que eu te falei lá dentro, esquece essa garota que ta sentada ai nesse banco, esquece o passado e se de uma chance de ser feliz, de sorrir e não mais se preocupar. Esquece de tudo e me deixa tentar te fazer feliz. Fica comigo!
Ela me olhou com lágrimas nos olhos, me abraçou e pediu para que eu a tirasse daquele lugar. Viramos as costas para o passado e saímos abraçadas em direção ao carro, entramos e fomos para casa, sem reações contrárias... O passado havia ficado sentada no banco de uma praça, de uma praça qualquer.
Ela foi comigo para casa e então voltamos a nos deitar:
- Agora você pode contar a minha história.
- Ah sim, verdade... Mas agora a história é outra e rápida.
"Haviam duas pessoas, um sentimento não reciproco, mas existia respeito. Uma fazia de tudo pela outra que sabia que poderia contar sempre com aquela pessoa. Um belo dia, elas estavam deitadas na cama, abraçadas e uma delas abriu a gaveta do criado mudo e tirou de lá uma caixinha de presente, ao abrir..."
Eu ia contando a história e fazendo exatamente igual, havia tirado uma caixinha do criado mudo e aberto para ela, então disse:
- Namora comigo?!


Parte I

Heroína da Minha Viva

Sentada naquela velha sacada olhando aquele mesmo céu que outrora estava ensolarado, mas que agora parecia chorar comigo. Comecei a pensar em momentos, em situações, tentava a todo custo por os pés no chão. O irreal havia tomado conta da minha vida, eu estava cansada disso.
Peguei a carteira, maço, chaves e sai de casa. Descendo pela escada sem nem prestar muita atenção em quem subia eu passei por alguém que usava o mesmo perfume que ela, me virei e não havia ninguém. Subi alguns degraus e nada, voltei a descer. Entrei no carro e mal conseguia ligá-lo de tantas lágrimas que escorriam pelo rosto. Encostei a cabeça no banco, fechei os olhos respirei e então alguém bateu desesperada na minha janela, eu assustei e quando olhei para o lado ela estava ali toda ensopada e tremendo de frio. Sai do carro no mesmo instante e subimos, ela tomou um banho quente, trocou-se e eu fiz um achocolatado para ela beber, bem quentinho:
- Obrigada. - Ela respondeu.
- De nada, apenas não me assuste mais daquela maneira (risos).
- Desculpa.
- Agora me diz, por que veio até aqui?
- Preciso de um motivo?
- Sim!
- Desculpa, eu estava me sentindo meio mal, sozinha e você disse que sempre estaria aqui quando eu precisasse.
- Quem deve se desculpar aqui sou eu, pelo o que não disse ainda. Eu estou aqui, o problema é que você só lembra de mim quando "todos" lhe viram as costas. Assim nem eu aguento, ninguém aguenta. Desculpa, mas eu coloquei os pés no chão hoje.
Ela levantou-se e foi em direção a porta, corri e coloquei-me a sua frente, ela chorava. Abracei-a e pedi perdão, enxuguei suas lágrimas a levei na direção do meu quarto. Deitamos na cama e ficamos ali abraçadas:
- Conta uma história pra mim?
- Meu bebe quer ouvir uma história?! Que belezinha (risos)
Ela acabara de abrir aquela sorriso lindo para mim, meu coração agradecia.
- Eu quero.
- Vou contar a história de uma menina que tinha tudo e ao mesmo tempo nada...
Fui interrompida pela campainha, deixei-a no quarto e fui abrir a porta. Ao abrir só me lembro de estar no chão e com muita dor no rosto, ouvia gritos e xingamentos, pessoas discutindo. Levantei meio tonta, fechei a porta e fui para o quarto, minha boca sangrando e eu sem entender, de repente me deparo com mais alguém no meu quarto a ponto de agredir o meu amor. Entrei na frente a puxei para trás de mim...

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Apenas mais um ponto de interrogação.

Era mais um fim de tarde, eu estava cansada e não sabia exatamente do que. Apenas queria um bar para sentar fumar meu cigarro e beber minha cerveja, sim eu havia voltado a fumar... Maldita mania.
Sentada em uma mesa que ocupava uma larga calçada, eu apreciava minha cerveja estupidamente gelada e meu careta que me dava mais calor ainda, o sol começava a se pôr e as horas passavam. Eu olhava todos pegando o caminho de suas casas e dando por encerrado mais um dia.
Um minuto de distração e logo senti meu corpo gelar, perna tremer e coração sair pela boca. O copo escorregou da minha mão e espatifou-se no chão, o passado e o presente caminhavam lado a lado para me confundir. Eu realmente não sabia por qual das duas eu me sentia daquele jeito, talvez por sorte apenas uma me viu e veio na minha direção, sorrindo...
- Quanto tempo, saudades de você.
Eu a cumprimentei sem me levantar, eu não conseguia me mexer...
- O... o q... O que você faz por aqui? - Enfim consegui dizer.
- A caminho da faculdade né e você, quando vai parar com essa mania idiota de fumar e beber?
Dei de ombros, trocamos algumas palavras e ela retirou-se. Eu ainda não sentia meu corpo e agora sabia por qual delas aquela sensação veio. Mas não entendia, não fazia sentido... O passado caminhou na minha direção e o presente simplesmente correu de mim, não olhou para o lado. Paguei a conta e fui para casa, precisava do meu computador e dos meus rascunhos.
Cheguei e joguei-me no sofá, abafei meu grito de desespero e confusão com uma almofada, eu estava a beira de um surto sentimental que eu não fazia ideia de como seria. Eu tinha medo, estava confusa. Peguei meus remédios e fui para o quarto, copo com gelo de um lado, garrafa e maço do outro.

Acordei com a cabeça pesada, garrafa e maço vazios e vários rabiscos espalhados em rascunhos pelo chão, no meio... Uma foto nossa.
Com a cabeça ainda rodando e o coração ainda confuso, fiquei a pensar no que o futuro estará a nos reservar...

sábado, 5 de novembro de 2011

Da Realidade a Ficção

Era fim de tarde, horário de verão como sempre uma merda e o sol estava escaldante sobre a cabeça da população. Cansada tentando voltar pra casa, parei e reparei as pessoas que me rodeavam dentro daquele ônibus parcialmente cheio, a uns dois bancos a minha frente havia um  garotinho todo feliz, sorridente, brincalhão que não parava quieto. Ele gesticulava de todas as formas, passa aquela mãozinha tão pequena no rosto de sua mãe e sorria como quem dizia "te amo", ele alegrou o ônibus todo. Não havia um que passava e ignorava aquela linda criança, morena com poucos cabelos, sorriso sem dentinhos, todo pequenino, todo fofo... A cara dela!
No momento que me toquei disso, sorri para o garotinho que me olhou, virou a cabecinha de lado e sorriu colocando a mãozinha na boca. Meu coração derreteu por dentro, a saudade bateu forte e meus olhos encheram de lágrimas de felicidade. Aquela criança nem imaginava o bem que acabara de me fazer, minha primeira reação foi mandar um sms para ela dizendo o quão lindo aquele menino era e como ele a lembrava. Saudade era tanta, uma vontade de atravessar novamente a cidade só para poder vê-la, mas eu não podia fazer isso. Além de loucura as responsabilidades me impediam.
Aquela imagem do garotinho sorrindo pra mim ficou a semana toda na minha cabeça, em uma noite, um sonho...

Havia decidido parar de beber, fumar e procurar algo mais útil pra fazer. Coloquei uma roupa de academia (fiquei igual aqueles ratos que ficam enfurnados em uma o dia todo) e fui caminhar pelo bairro, lindo bairro por sinal viu?! Eu conhecia apenas a praça porque era em frete ao prédio, uma volta tranquila e voltei para o apartamento, tomei um banho bem gostoso e logo depois lá estava eu com minha xícara de café na sacada procurando um cigarro, força do hábito. Tomei meu café e fui sentar-me na sala e ver se havia algo de bom na tv, antes mesmo que eu chegasse ao sofá a campainha tocou, eu assustei como sempre afinal não estou acostumada a receber visitas sem aviso prévio. Olhei pelo olho mágico e destranquei rapidamente a porta, ela caiu em meus braços assim que eu abri a mesma, peguei-a e a coloquei no sofá. Ela estava fraca, corpo gelado e logo em seguida desmaiou. Fiquei desesperada sem saber o que fazer, então fiquei cuidando dela da maneira que pude até que ela recobrasse a consciência. Algum tempo depois ela acordou e perguntou:
- Como vim parar aqui?
- Eu que lhe pergunto, abri a porta e você caiu em meus braços. - Respondi.
- Mas... 
Ela ficou em silencio e uma lágrima correu pelos seu rosto, sentei-me ao lado dela e limpei-o dizendo:
- Não faço ideia do que aconteceu, mas estou pronta para lhe ouvir desabafar.
- Eu briguei feio com uma pessoa, essa pessoa me pediu para não procurá-la mais e eu não me lembro como vim parar aqui. Não quero entrar em detalhes.
- Respeito isso e que bom que você esta aqui.
Ela sorriu e eu a abracei, levante de supetão...
- Não vamos ficar aqui enfurnadas nessa casa, vamos dar uma volta?!
- Aceito!
Corri no quarto peguei carteira, chave, celular e saímos. Andamos pela praça, fomos até o ponto de ônibus e pegamos um qualquer, iríamos para aonde ele nos levasse. Acabamos em um parque cheio de crianças, todas sujas de areia de tanto brincar, nos sentamos em um banquinho e ficamos conversando, rindo e observando as crianças. Então um garotinho com os olhos dela passou por nós, ele carregava um saquinho de pipoca, voltou até nós e esticando os pequenos bracinhos disse:
- Qué?!
Ele fazia uma carinha de quem dizia pega... Ela sorriu agradeceu e disse que não queria, eu só observava, toda boba. 
- Pai ela num qué. - Disse o menino andando todo desengonçado na direção do pai.
O mesmo disse algo para o menino que agora de longe mandava beijinho com a palminha da mão, ela parecia outra criança toda boba com o menino. Quando ele foi embora eu perguntei:
- Reparou nos olhos daquele menino?
- Sim e não, por quê?
- Eles eram iguais a esses olhos que me encaram e brilham agora!
Ela sorriu sem jeito, abracei-a e ali ficamos.

"Eu quero estar amanhã ao seu lado quando você acordar, eu quero estar amanhã sossegado e continuar a te amar, eu quero um sonho realizado, uma criança com seu olhar."