Eram 7h50 da manhã de um domingo cinzento. Já tinha
perdido o sono há algumas horas. Saí da cama com muito cuidado para não
acordá-la, coisa que não exigia muito esforça já que sempre dormia como uma
pedra era um urso. Fiz um chá e fui sentar na sala, onde me aconcheguei no
sofá. Ali, sentada em seu “apertamento”, que só tinha livros, rabiscos e
cigarros espalhados, obsevei algumas coisas minhas jogadas, talvez tivesse mais
de mim ali do que dela.
Pensamentos me atormentavam e lembranças recentes me
faziam chorar como uma criança sem a mãe. Comecei a pegar as minhas coisas
jogadas com o intuito de juntar tudo e ir embora antes que ela acordasse,
deixando aquele pequeno apartamento grande com a ausência das minhas coisas.
Coisas que davam vida aquele lugar deprimido.
Foi quando vi emoldurado e pendurado na parede, em um
canto escuro da sala, nossa primeira foto, que sorriso lindo, a primeira carta
que ela me escreveu, roubada das minhas coisas, me fazendo lembrar dos momentos
lindos que tivemos e a última escrita, dedicada a mim, mas nunca entregue. Aquela
carta nunca entregue me fez lembrar de todos os obstáculos que já passamos e a
poucos centímetros daquilo, entre muitas palavras um me chamou a atenção,
escrita em vermelho e bem grande: PERDÃO!
Tudo isso colocado estrategicamente para eu ver quando
esse dia chegasse. Fiquei ali parada até escutar uma respiração atrás de mim, e
em meio de pensamentos inconscientes, lágrimas e uma xícara de chá fria ela me
puxou, me fazendo voltar para a cama.
Escrito por Fabiana Souza
Escrito por Fabiana Souza