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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Viés noturno


Alguém bateu a minha porta corri abri-la e havia apenas um envelope no chão, peguei-o, entrei e o joguei na mesa sem dar importância a tal, sem nome, sem destinatário. Fui até a cozinha abri a geladeira peguei algo para beber e caminhei em direção a janela, observei a chuva fina que caia lá fora, voltei meus olhos para o envelope sob a mesa. Sentei-me no sofá e resolvi abri-lo para saber qual seu conteúdo, era uma carta.
Largada no sofá lendo-a, lágrimas encontravam o chão e a garrafa suada sob a mesa já não me entendia mais. Li e reli a mesma por inúmeras vezes, eu não conseguia acreditar no que estava escrito. Garrafas atrás de garrafas e de repente eu não sabia mais o que fazia, apenas não conseguia parar de chorar e sentir o coração em pedaços dentro de mim. Meio cambaleando fui até o quarto, carta em uma das mãos e a garrafa na outra, abri uma caixa e joguei a carta lá dentro, uma caixa com fotos e lembranças do passado. Voltei arrastada para a sala, puxei uma cadeira perto da janela e fiquei olhando o céu negro, chuva e a luz das ruas, tentando não pensar em anda e pensando em muita coisa ao mesmo tempo.
Acordei largada no sofá, não sei como cheguei até ele, mas não havia garrafas nem bagunça na casa. Havia um bilhete sob a mesa dizendo bom dia e alguém na cozinha preparando o café. Eu havia sonhado ou estava sonhando?
Levantei e fui caminhando até a cozinha, antes de chegar até lá senti uma forte dor no peito, cai no chão e acordei com a cara amassada e cheia de marcas do sofá, era apenas mais uma brincadeira do subconsciente, porém rente ao peito estava a carta.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Uma brincadeira do subconsciente

Ao acordar senti que havia alguém a me observar, abri os olhos bem devagar temendo ser um sonho que podia levar-me a imaginar o que não queria. Olhei ao meu redor e vi que alguém estava sentado ao lado da porta do quarto com um copo meio vazio e um cigarro na mão.
Sentei na cama, esfreguei os olhos e vi um corpo feminino no contraste da escuridão, ela encheu o copo com o líquido de uma garrafa que eu não conseguia identificar o que era, aliás tudo não passava de uma sombra. Quando fui perguntar quem estava ali, ela falou primeiro "Aceita?" Me deu seu copo e ao beber senti minha garganta queimar, ela se aproximou e eu não conseguia vê-la, apenas sentir seu perfume. Perfume que me deixava sem ar me fazendo ir além das barreiras da imaginação, era ela eu tinha certeza. Sua mão corria minha face e meu coração acelerado não sabia como agir, ela me dizia meias palavras ao pé do ouvido, um beijo e eu despertei sentindo seu cheiro ainda no quarto.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Registro I

Esbarrei em alguém e algo caiu no chão, não me recordo onde estava e quem passou por mim, apenas acordei com uma pulseira nas mãos.
Pensei que tivesse sido um sonho ou um pesadelo, minha cabeça girava e meu corpo dolorido da noite passada dava sinal de ressaca. Olhei para aquela pulseira, era igual a uma que havia lhe dado a um tempo atrás, pensei ser impossível ela ter vindo de você e logo imaginei que era de outro alguém. Mas nada adiantou, eu só conseguia olhar para a pulseira e ter quase certeza de que era sua, em um ato desesperado com a cabeça ainda rodando, peguei o telefone e liguei pra você.
Você me chamava de louca, gritava comigo e logo em seguida desligou o telefone, sem entender nada eu fui atrás de você, ao te encontrar, você estava abraçada com outro alguém, sorrindo e dizendo amá-lo, meu mundo acabou naquele instante. Sem que você me visse me virei e fui embora, peguei o telefone e liguei pra você, deixei um recado dizendo que nunca mais iria aparecer na sua vida, que você não saberia mais de mim.
Sentada no mirante olhando os carros passarem eu decidi abrir mão de tudo e fugir, fugir pra onde eu sabia que não iria lhe encontrar, não iria lembrar de você em cada esquina.
Chegando em casa fui logo pegando uma mochila e algumas roupas, peguei dinheiro e sai sem falar com ninguém, eu estava abrindo mão de tudo por um motivo que eu não sabia qual era. Quando cheguei a rodoviária meu celular tocou, era você, atendi e disse que estava indo embora, você me pediu para esperá-la porque você tinha algo a me dizer, eu disse que era tarde demais para palavras.
Enquanto esperava o ônibus, você apareceu correndo, meio desesperada. Veio gritando, me pedindo para não fazer isso, olhei em seus olhos e disse "Você poderia sair dos meus sonhos e fazer parte da minha vida."

Então acordei, era apenas o subconsciente fazendo a tormenta dentro de mim, fazendo eu não saber mais como agir.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Mais uma dose


Mais uma dose de silêncio, mais uma noite fria sozinha. Procuro por amigos, mas isso é algo que nunca tive. Meus melhores e piores momentos eu vivi acompanhada por um copo, garrafas, cigarros, cinzeiro e isqueiro.
Mais uma dose de você, me embriagar, me perder e ao mesmo tempo me encontrar em teus braços, abraços e beijos para dizer que tudo não passou de um pesadelo, dormir e ao acordar ver que você ainda está aqui, deitada ao meu lado, abraçada comigo, meu anjo.
Mais uma dose de amnésia para esquecer o que foi ruim, palavras em um papel, frases de amor ao pé do ouvido, volta.

Mais um copo, por favor! Não estou sozinha, a solidão veio me fazer companhia, traga uma cadeira e sente-se ao meu lado, veja a vida passar e as pessoas irem embora. Eu só queria voltar, não no tempo e sim para você. Voltar a fazer parte do que você chama de sua vida.
Mais alguns minutos, horas, dias, semanas e meses. Dê tempo ao tempo, traga ao pensamento aquilo que te fez sorrir, eu trago você sempre que penso na vida. Me ensina a esperar, me ensina a querer viver sem você, quero descobrir como é ficar longe e não sentir saudade.
Quero aprender a olhar com os olhos de quem agradece por um dia ter feito parte da sua vida, me ensina a agradecer por tudo que já vivi, me ensina a agradecer por te amar. Só não me ensina a te esquecer, isso eu não quero.

Quero lembrar com lágrimas nos olhos, quero lembrar e sorrir, quero lembrar e dizer "Foi perfeito do jeito que foi." Quero lembrar e poder lhe dizer, te ligar em noites de insônia e dizer "Sinto sua falta!"
Quero poder te ver, te abraçar e dizer "Obrigada!" Quero o que não posso querer, quero tanto estar perto e o fato de não poder me corrói, quero você.
Quero dizer que o tempo não irá mudar o que sinto, eu simplesmente te amo e isso me fez descobrir o sentido da palavra SEMPRE!