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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Felicidade Alheia

Eu tentei me mexer, mas não conseguia. Era como se um carro tivesse passado por cima de mim, meu corpo doía e minha cabeça rodava me fazendo lembrar que eu havia exagerado na bebida.
Meu corpo imóvel jogado no tapete da sala condenava minha mente insana. Eu tentava olhar o teto, mas a única coisa que enxergava era o rosto dela não importava para onde meus olhos se virassem, ela sempre estava no meu campo de visão.
Dormi jogada e pensando o que faria da minha vida agora que já não havia mais nada me prendendo em lugar algum. Fui acordada pelo maldito interfone, me arrastei até ele e ao atender ouvia apenas uma respiração do outro lado, perguntei milhares de vezes quem era e não obtendo resposta, desliguei.
Me dirigi ao banheiro, um bom banho gelado e café forte era o que eu precisava, assim o fiz. Ainda de roupão peguei meu cigarro, uma xícara grande de café e fui para a sacada do apartamento, ao olhar a praça que ficava bem em frente me assustei. Ela estava sentada no banco, passava a mão no rosto como quem enxugava uma lágrima. Apaguei o cigarro, virei à xícara de café e fui correndo me vestir para poder ir atrás dela.
Desci correndo 4 andares, passei pelo portão igual uma louca que corria para não perder o seu amor. Ela havia se levantado e caminhava para ir embora, gritei por ela e pedi que esperasse, ela continuou andando só que dessa vez mais rápido, corri e pulei sobre ela para que ela não fugisse de mim, caímos na grama da praça. Eu estava em cima dela e ela me batia, me empurrou de lado e me xingava de tudo quanto é nome. Eu a segurei e sentadas abracei-a, ela desabou em meus braços. Eu não entendia nada, mas sentia que não seriam necessárias muitas palavras, apenas disse:
- Depois que você tiver chorado tudo que tinha pra chorar eu vou estar aqui para enxugar suas lágrimas e te fazer sorrir. - Ela ma abraçou ainda mais forte e sussurrou:
- Obrigada!
Perdi a noção do tempo, apenas sei que ficamos ali sentadas na grama e abraçadas por horas. Quando enfim ela se 'recuperou' eu perguntei:
- Esta se sentindo melhor, quer conversar?
- Estou sim, obrigada mais uma vez. Eu... eu... - Coloquei minha mão na boca dela em gesto de silêncio...
- Não precisa dizer nada, sei que algo que você queria muito deu errado. Mas eu já lhe disse e vou repetir, eu sempre vou estar aqui pra te fazer sorrir quando seu mundo parecer desabar.
- Às vezes acho que você não é real de tão linda que é. - Retrucou sorrindo.
- Eu sou real sim quer ver?
- Quero (risos).
- Então vem comigo.
Levantamos e saímos correndo até meu apartamento, parecíamos duas crianças brincando de pega-pega, eu a puxava e ela sorria dizendo para irmos mais devagar. Quando chegamos ao meu apartamento eu cobri os olhos dela com a minha mão e fui guiando-a até meu quarto, de frente para o espelho eu tirei minhas mãos dos olho dela e perguntei:
- O que você vê?
- Eu com uma cara de choro e você sorrindo. Mas o que significa isso?
- Sem explicações, agora faça a mesma pergunta pra mim (risos).
- O que você vê?
Respirei fundo e criei uma coragem enorme para deixar o coração falar:
- Eu vejo a mulher da minha vida, aquela que eu quero aqui comigo pra sempre. Dormir e acordar ao lado dela, sempre fazê-la sorrir, assim como ela sorri agora. Essa carinha de boba que é a coisa mais linda que eu já vi na minha vida. Eu quero amar essa mulher para sempre, quando tudo parecer dar errado eu quero estar ao lado dela, quero ela ao meu lado porque juntas somos mais fortes. Eu vejo meu amor com cara de choro e um sorriso bobo que é só meu e atrás desse amor uma pessoa esperando a única chance que a vida vai lhe dar de ser feliz, e sabe qual é essa chance? - Nesse momento ela fez cara de interrogação e perguntou:
- Que chance é essa?
- Para eu descobrir primeiro você precisa aceitar namorar comigo.
Lágrimas de felicidade saiam de seus olhos e dos meus também, eu a abracei por trás e disse:
- Não tenha pressa de me dizer sim ou não, tenha pressa de viver e de ser feliz. Porque eu te espero o tempo que for necessário para nossa felicidade ser compartilhada. E sabe por quê?
- Por quê?
- Porque eu amo você.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Minha garota

Estava em casa naquele lugar... amigos, cerveja, cigarro e música boa. Me faltava ela para o sorriso ser completo.
Eu saia do bar quando dei de cara com ela entrando totalmente perdida a procura de alguém que por sinal era eu, quando ela me viu pulou em meus braços e me deu um forte abraço. Me assustei e só soube dizer "que bom que você veio".
Saímos andando e conversando, nesse meio tempo percebi que havia mais alguém de olho na minha garota. Já tinha visto aquele cara antes... Conversa vai, conversa vem e eu morrendo de vontade de agarrá-la e beijá-la, mas eu não conseguia fazer isso. Ela me deixava completamente sem ação, até o momento que disse:
- Vamos entrar pra ver a banda?
Era a minha hora, eu precisava apenas ser eu... Difícil?!
Entramos e o show estava agradável, melhor ainda ela ali ao meu ladinho abraçada comigo. Mas tinha que ter alguém para fazer o meu sangue ferver, tinha que existir aquele cara. Ele veio, aproximou-se dela enquanto eu estava no bar pegando uma bebida para nós, quando voltei ele estava de xavequinho no ouvido dela. Meu sangue ferveu, me vi quebrando duas garrafas na cabeça daquele idiota, mas me contive.
Me aproximei, dei uma garrafa na mão dela e disse:
- Vai dispensar ou ficar com ele?
Ela me olhou com uma cara de quem não gostou do que ouviu virou-se de frente para mim e sem dizer nada me beijou. Naquele momento eu não ouvia nada, eu não estava ali. Era como se estivesse em uma espécie de 'casulo acústico', eu só sentia sua boca na minha e ouvia sua respiração. Depois do beijo ela emendou:
- Dispensar né!
Eu sorri meio boba, meio sem graça e então abracei-a por trás e ficamos assim durante o show. Mas quem disse que o cara deixou por isso mesmo?! O filho da puta não desistiu de atormentar minha vida e voltou a insistir, na minha mente a seguinte frase repetia-se "Com a minha mulher ninguém mexe e fica por isso mesmo."
E quem foi que disse que ficaria por isso mesmo?!
Estávamos sentadas conversando, rindo, entre amigos, o maldito do cara veio e sentou-se perto dela. Ela segurava minha mão e ele a fez soltar, ficou de xavequinho no ouvido dela, nesse momento eu não me lembro muito bem da minha reação, lembro apenas de ter o visto levantando-se do chão e da minha mão dolorida. Eu acabara de enfiar a mão na cara daquele idiota, estava feliz pelo meu feito. Ele levantou-se e atrás de mim todos meus amigos levantaram-se também, eu me sentia foda naquele momento. Ela veio me abraçou e pediu para sairmos dali. 
Entramos, fomos ao bar e eu pedi gelo para colocar na mão, nunca havia dado um soco tão forte assim em alguém. Ela toda linda cuidando de mim, brigando comigo por eu ter brigado, mas depois me agradeceu dizendo que foi uma prova linda de tudo aquilo que eu já vinha falando para ela.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Mania do subconsciente, insistente (part. II)

Ela me beijava e eu não queria que aquilo acontecesse com nós duas bêbadas, afinal eu queria lembrar de cada detalhe e queria isso dela também. Discretamente eu fui me esquivando, ela percebeu e segurou meu rosto com força e disse:
- Vai fugir de mim? Ta com medo do que?
- Não é medo, apenas não quero que façamos isso bêbadas.
- Quer esperar até de manhã?
Eu ri e ela também não o conteve, então ela me abraçou e disse que ninguém havia dito algo desse tipo a ela, ninguém nunca havia pensado nela primeiro (eu pensava e muito). Ela deitou-se ao meu lado, abraçadas dormimos.
Acordei no meio da madrugada, sai da cama bem devagar para não acorda-la e fui até a cozinha beber água, 'maldita seja a pessoa que inventou a ressaca'. Não demorou muito lá vinha ela na minha direção, cabelos bagunçados, cara de sono e sem toalha, linda, nua, caminhando toda desengonçada. O copo que eu segurava caiu ao chão, gritei para que ela não desse mais nenhum passo para não se cortar, fui logo pegando uma vassoura e limpando a bagunça que havia feito. Ela sorriu e disse:
- Sou tão feia assim que você até deixou o copo cair?
Gaguejando e rindo eu respondi meio sem graça:
- Você é perfeita, por isso o copo caiu da minha mão.
Ela me fez soltar a vassoura e deixar a limpeza para depois, me abraçou, me beijou e foi me levando para o sofá. Me jogou no mesmo e sentou-se em cima de mim, ela dizia tudo que eu não queria ouvir, tudo que no momento não eram propícios, a calei com um beijo demorado, peguei-a no colo e levei-a para o quarto.
Aquele corpo nu em minha cama, eu só sabia admira-lo com os lábios. Cada sentimento do seu corpo era admirado da forma que merecia.
Quanto mais eu a beijava e acariciava seu corpo mais ele contorcia-se na cama, ela gemia baixo enquanto minha mão percorria seu corpo, ela puxou meu ouvido para perto de sua boca para que eu pudesse ouvi-la e sentir sua respiração ofegante.
Entregava-se cada vez mais a mim, tudo acontecia de uma forma muito espontânea nada havia sido arquitetado, pelo menos aquela noite eu podia dizer que ela era toda minha, apenas minha. Algum tempo depois, ela deitou-se novamente sobre mim e dormimos, estávamos exaustas.
Quando acordei percebi que ela me olhava dormir e que sorria feito criança:
- Bom dia! - Ela me disse.
- Bom dia meu bebe.
Uma resposta seguida de um beijo e por ali ficamos até quando deu vontade, sem pressa para vida, sem pressa de dizer adeus.

Parte I

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Mania do subconsciente, insistente

Mais um dia começava e o sol já não nascia como antes, tudo vinha em menor quantidade, menos dias bonitos, menos sorrisos, em contra partida o stress sempre em maior número.
As doses dobraram e as bebidas eram cada vez mais fortes, cigarros e copos espalhados na mesa de centro da sala se misturavam com os papeis, histórias, desenhos, ideias, sonhos e pensamentos fúteis. Na rua os carros passavam em alta velocidade e as pessoas corriam, a noite chegou e o vento frio cortava a pele, na sacada olhei a rua e logo acima a lua se escondia entre as nuvens.
A campainha tocou, coração acelerou de susto, o porteiro não havia interfonado, então... Me dirigi até a porta e fui logo abrindo-a, me deparei com uma linda mulher que sorria e trazia na mão uma garrafa de rum, olhei para trás aquela bagunça, ela foi logo entrando e dirigindo-se a cozinha, pegou dois copos e me puxou para a sacada, antes pegou algumas folhas que estavam no chão e começou a ler, elogios e conversas, risos e bobeiras e as horas foram passando. Ela olhou no relógio e disse que precisava ir, era muito tarde eu não podia deixá-la sair aquela hora, pedi que ficasse e disse que poderia dormir na minha cama eu me arruma na sala, ela riu e me puxou para o quarto, estávamos um pouco bêbadas acho. Ela me jogou na cama e foi tomar um banho, voltou enrolada na toalha e deitou-se em cima de mim com os cabelos molhados, me beijou e disse qualquer coisa no ouvido e assim a noite caminhava para ser perfeita...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Primeiro ato

Eu caminhava enquanto respondia um sms no celular, sem olhar para frente esbarrei em alguém e pedi desculpa. Percebi que a pessoa ainda olhava para mim como se esperasse algo, então percebendo que eu não havia prestado atenção resolveu falar comigo:
- Não vai ao menos olhar no meu rosto e me dar um oi?!
Eu simplesmente parei e meu coração acelerou mais que motor de formula1 em arrancada, era ela. Aquela voz doce e inconfundível, fiquei vermelha de vergonha e então olhei para a frente, ela sorria como quem dizia "maldito celular."
A abracei como quem não queria mais soltar, beijei seu rosto e enfim falei:
- Me perdoa!
- Tudo bem, você e seu celular... Sempre assim. - Ela retrucou.
- Pois é (risos). - Falei meio sem graça e já querendo mudar de assunto, então ela soltou mais uma:
- Quando você vai deixar esse celular de lado e me dar atenção?
Eu ainda o segurava na mão e digitava mesmo sem olhar, vermelha novamente e percebendo que ela olhava minha mão, o fechei. Ela logo me olhou e sorriu, sorri de volta e então perguntei para onde ela ia...
- Para o mesmo lugar que você, fazer a mesma coisa! - Me respondeu sem pensar muito.
Como ela poderia saber o que eu ia fazer e para onde ia?!
- Vamos ou então vamos perder o por-do-sol. - Retrucou.
Ela me puxava pelo braço, quando chegamos o sol perdeu toda sua majestade, algo brilhava muito mais em minha frente e me entorpecia em pensamentos insanos. Olhando o por-do-sol não pensei duas vezes e a abracei por trás, com minha boca bem perto do ouvido dela aproveitei para sussurrar algo:
- Obrigada!
- Não há de que! - Ela respondeu também sussurrando.
Abraçadas assistindo ao espetáculo da natureza eu simplesmente não pensava em mais nada, o tempo havia parado e só existia nós duas naquele momento. A virei segurando em seu quadril e aproximei meu rosto do rosto dela, ela afastou-o de mim e então eu pedi desculpa pelo ato. Ela me olhou e disse:
- Estou esperando a próxima atitude....

Perdendo-se

As estações do ano não se respeitam mais, o tempo ficou louco assim como nós, perdido no próprio tempo e espaço, ficção e realidade.
Os dias amanhecem chuvosos, cinzas e frios. As tarde são normais, parece que nada acontece. As noites são alternadas, noites com lindos luares ou noites chuvosas, fica a gosto do freguês.

Meus dias tem se resumido em dormir ouvindo a chuva bater no telhado e acordar com ela me dizendo para voltar a dormir. Minhas noites em bares quaisquer ao lado de amigos, falando de nada e ao mesmo tempo de tudo que nos importa no momento, minhas manhãs e tardes se resumem em trabalhar e esquecer que existe vida além disso.
Preciso dar férias aos meus pensamentos, anseios e receios. Preciso me dar férias de mim.
Essa enchente de sentimentos faz contraste com o cinza do céu, me perdi dentro de mim procurando algo que eu julgava ter achado. Mas a chuva levou com ela tudo que um dia poderia ter me pertencido. Tenho apenas solidão, músicas, ombro amigo e nenhum amigo, também tenho o copo sempre cheio.
Não tenho nada além de quatro paredes, um copo, algumas garrafas de solidão, martírio, tristeza e um computador furreca com uma internet ruim que as vezes me permite escrever.
Eu procurava mais, porém cansei de perder tudo toda vez que procurava por algo ou alguém.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Nostalgia de Dias Igual

Tem dias que as horas parecem não passar, tem momentos que parecem não existir e os que existem passam em câmera lenta. 
Sentada em baixo de uma árvore assistindo a um espetáculo da natureza, senti o tempo parar e tudo ao meu redor passar devagar. Os passos das pessoas eram lentos, os carros pareciam parar, tudo passava devagar ao meu redor. A brisa soprava suave em meu rosto e eu apenas queria você ao meu lado naquele momento, eu conseguia apenas pensar em você e no que estaria fazendo ou pensando.
Coloquei os fones no ouvido e ao clicar no play ouvi "É parte de mim quero bem perto assim, tão longe eu já não sei viver." Então aquele pensando em você tornou-se lembrança dos momentos ao teu lado, uma lágrima de saudade escorreu pelo meu rosto e um sorriso bobo tentou se esboçar mas logo se foi, a saudade e as lágrimas falaram mais alto.
Um tempo depois me levantei e tudo a minha volta voltou ao normal. Todos com pressa, aquela correria do dia-a-dia, então sai caminhando olhando tudo a minha volta e sentindo o cheiro do seu perfume no ar.