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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Ela Foi Viver

Ela acordou, não chamou por ninguém.
Médicos, família, todos feliz com a sua melhora.
Ela só conseguia pensar em viver sua vida, em recomeçar.
Foi julgada por ter quase morrido e não querer ser bajulada,
Ela tinha sede de viver.
Sede de algo que um dia foi dela, sede de algo que ela jogou pro alto,
Medo.

Ela foi viver sua vida longe de tudo que a fazia lembrar o passado,
Não foi mais vista, a família viajava sempre para visita-la,
O medo da solidão era algo pertinente a ela,
Porém o recomeço era mais forte.
Ela foi viver.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desculpas Por Não Estar Sempre Perto

Mônica entrou batendo a porta e veio na minha direção com uma cara de poucas amigas:
- Pra minha sala agora!
- Ta ok.
Entrei, ela meio desesperada com algo, então começou a falar:
- Não da mais pra mim. Desculpa, eu não sei mais separar o profissional do pessoal.
- Como assim? Esta falando de nós, como se fossemos um casal em crise.
- E pra mim somos mesmo, você ainda ama aquela maldita garota, ela sofreu um acidente grave, ta no hospital faz 3 semanas e é apenas sobre isso que você escreve em suas crônicas. Queria que eu me sentisse como? Eu te amo, eu quero você, quero fazer parte da sua vida.
- Eu só posso te pedir desculpas, as coisas não são como a gente quer, eu queria esquece-la, mas esta complicado.
- Precisamos parar com isso antes que eu acabe te prejudicando profissionalmente, a partir de hoje sou apenas sua chefe.
- Tudo bem, eu entendo.
Sai, me sentei e escrevi sobre isso, dediquei a crônica, imprimo e no fim do expediente coloquei a folha sobre a mesa dela, ela estava ao telefone e apenas acenou com a cabeça. Voltei para a minha mesa, juntei minhas coisas e passei no Rh pedindo a minha demissão e uma carta de recomendação, ela só ficou sabendo disso quando desligou o telefone e leu a crônica, eu já estava dentro do carro quando ela apareceu no estacionamento e entrou na frente do carro:
- Como assim?
- Só fiz o que era certo, não da pra misturar as coisas, também não quero te prejudicar profissionalmente e pessoalmente, já passamos por algo assim antes, lembra?
- E vai desistir de tudo que construiu aqui dentro? E a viagem do mês que vem? É importante pra você e pra mim, você não pode fazer isso!!!
- Já fiz, desculpa.
- Desce dessa porcaria de carro agora, sua filha da mãe.
Ela sabia como me tirar do sério.
- Quem você pensa que é pra falar assim comigo, perdeu a noção das coisas?
- Sou a pessoa que te ama e quer você bem, quer ver o seu sucesso.
Eu fui na direção dela e a beijei como nunca havia feito, peguei-a no coloco e disse:
- Desculpa, tenha um pouco mais de paciência comigo, eu realmente quero esquece-la, eu preciso continuar minha vida, eu preciso de você.
- Eu também preciso de você aqui e na minha vida. Vamos voltar vai, arrume suas coisas lá em cima de novo e eu falo com o pessoal do Rh.
- Tudo bem.
Eu voltei, arrumei minhas coisas e tudo ficou bem, depois disso fomos pra minha casa.
Um jantar, uma conversa, um beijo, uma pegada mais forte e acabou nisso, eu olhava pra ela e só conseguir ver o rosto de outra pessoa, outra briga e pelo visto seria assim por um bom tempo. Eu sabia que a culpa era minha, mas eu não conseguia tirar o ocorrido da cabeça, eu não conseguia parar de pensar, mas ir atrás eu também não queria.
Mônica foi embora, desci até o estacionamento, entrei no carro e fui para o hospital, me odiando por fazer isso, mas fui, eu precisava tirar isso de mim.
Cheguei lá e perguntei pelo quarto dela, me indicaram o UTI, apenas a vi através de um vidro, tubos de alimento, remédio, oxigênio, não contive o choro, pedi para entrar, coloquei aquela roupa horrível, mascara e só assim pude chegar mais perto, conversei, falei de nós, de mim e ela sem reação.
Fui pra casa.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Um Suspiro Pela Vida

Dentro do carro dirigindo irresponsavelmente ele segui se achando o bom, arriscando sua vida e a da sua mulher.
Estava uma noite quente, vidros abertos e o vento rasgava a conversa a todo instante.
Ela chorava e quanto mais pedia para ele reduzir, mais o bonitão acelerava, ela estava desesperada e ele aos berros.
Uma curva mal calculada e tudo viraria poeira. 
Mas o desgraçado era bom motorista, mas não previu que um outro motorista vindo na direção contrária, dormiria ao volante. 
Uma colisão, duas mortes e um ferido grave, estilhaços por toda parte, sangue e corpos.
Ela chorava quando aconteceu, ele estava sem o sinto, nunca mais o acharam, o outro motorista ficou preso nas ferragens.
Velocímetros apontavam dois culpados, era dada a largada judicial, vença o melhor.
Ela presa aos tubos, hospital e cuidados minuciosos, muitos diziam que ela era jovem demais, família em prantos. 
Velórios, guerra. 
Choro por toda a parte, jornalistas com cede de informações sugando os pobres sobreviventes, dor.
Ninguém respeita mais nada!
Ela suspirou, um alivio pra família!
Eu só fiquei sabendo disso muito tempo depois, mas o coração já havia avisado antes, eu não quis escutar. 

domingo, 9 de setembro de 2012

Pesadelo e Realidade

"Ela corria na orla da praia, de repente ela estava em casa com seu filho chorando ao colo, a cena mudava de novo e apenas me lembro dela dentro de um táxi indo para longe, chovia muito naquele dia e o resto são apenas borrões e um clarão em minha direção."

Acordei suando frio, gritando e me deparei sozinha em casa, primeira coisa que fiz foi ligar pra Mônica, mas o celular estava desligado, então me vesti, procurei um boné para disfarçar o cabelo despenteado e fui para um barzinho tentar esquecer o pesadelo.
Escolhi um barzinho mais ao centro da cidade, me sentei pedi uma porção de fritas com queijo e uma cerveja, do nada comecei a rascunhar algo qualquer no celular por falta de caneta e papel, então percebi que havia respondido um e-mail de uma leitora, deixei salto para passar a frente quando fosse para a redação.
Fiquei ali comendo e bebendo por mais ou menos umas 2 horas, mas a verdade é que eu mal bebi, não conseguia parar de pensar no pesadelo, na mulher do pesadelo, minha morena que havia se casado (se é que ela ainda era minha).
Sentada ali vi muitas pessoas, mas nada me assustou mais do que um casal que acabará de chegar, eles pareciam ter brigado e a menina estava com uma cara de choro, o cara estava se achando o bom, sentaram pediram uma cerveja e só quando a luz iluminou bem o rosto daquela garota foi que eu percebi quem era realmente. Ela estava de volta, de voltar para me confundir, aquela morena. Meu sonho era algum tipo de premonição? Ainda bem que desacredito disso.
Eles foram bebendo cada vez mais e eu menos, alias ela mal bebeu ele que encheu a cara. Começaram a discutir, ela jogou a aliança na cara dele e quando levantou para sair ele a puxou pelo cabelo, ameaçou bater e então um cara da mesa ao lado o segurou, eu peguei a bolsa dela a puxei pelo braço, abaixando o rosto coberto pela aba do boné para ninguém me reconhecer, então tirei-a dali, ela entrou no carro com uma cara de assustada e eu sai cantando pneu, sem chances para o cueca vir atrás:
- Seu louco, pra onde esta me levando?
- Pra um lugar longe desse cara.
- Pera ai eu conheço essa voz.
Ela tirou meu boné e me bateu.
- Caralho eu to dirigindo, quer que eu bata com o carro, porra meu, acabei de te salvar daquele troglodita e é assim que me retribui? Deveria ter te deixado lá apanhando na frente de todo mundo.
- Sua filha da puta, se é pra ficar jogando as coisas na minha cara não precisava ter feito nada disso.
Parei o carro e mandei ela sair, mas quando ela ia fazendo isso travei a porta e arranquei com o mesmo novamente.
- Como quer que eu sai se você não deixa?
- A verdade é que eu não quero, desculpa, mas eu posso não ter nada a ver com a sua vida, mas não deixaria ninguém lhe fazer mal.
- Você estava certa, eu não deveria ter casado. Foi precipitado demais.
- Vamos pra minha casa conversar, pode ficar por la numa boa.
- Aceito.
E o maldito sonho ainda na mente, me fazendo resistir a não contar. A cada quilometro que me aproximava de casa eu sentia um frio ainda maior na espinha, mas tentava me controlar, na verdade eu não sabia se a abraçava de alegria ou para conforta-la, talvez os dois.
- Entra
- Nossa, como esta diferente aqui.
- Esta tudo do mesmo jeito, porém arrumado.
- Arrumado, pois é, o que aconteceu?
- É que agora eu trabalho, fico pouco em casa e tenho outro lugar pra bagunçar.
- E tem uma mulher cuidando de você também.
- N... não, de onde tirou isso?
- Apenas deduzi, desculpa
- Tudo bem, agora quer me contar o que ta acontecendo?
- Ele é um monstro, de um tempo pra cá não para em casa, anda me traindo e ainda tem a cara de pau de dizer que me ama e que quer um filho. O problema é que o amo também e... Bom, dai a gente fica assim, brigando por bobeira.
- Você ia dizer algo e não disse.
- Não era importante. Bom, desculpa mas estou com fome.
- Ah sem problemas, quer que eu faça algo pra você comer?
- Você na cozinha?
- Me viro muito bem.
- Aceito seu file de frango a parmigiana, da pra ser?
- Seu pedido é uma ordem.
Fui pra cozinha, fiz tudo e coloquei a mesa. Ela comeu com uma boca tão gostosa que parecia criança comendo. Tomou um banho e se deitou, eu arrumei tudo e quando sai do banho ela estava em um sono profundo e pesado, foi então que percebi que ela havia engordado um pouco, até cheguei a pensar que ela estava gravida como no sonho.
Peguei um cobertor e estava indo para a sala quando ela acordou:
- Onde você vai?
- Pra sala dormir.
- Não, deita aqui ao meu lado, você me passa segurança.
Assim o fiz, dormimos até o despertador me acordar para ir trabalhar. Acordei, liguei para Mônica e disse que não poderia ir pois estava com visita em casa, ela ficou uma fera, mas fazer o que.
Fui a padaria, voltei e fiz o café da manhã, levei para ela na cama. Com cuidado para não assusta-la, acordei-a com carinhos e então tomamos café da manhã:
- Você ainda não me disse o que faz por aqui, pensei que estivesse morando em outra cidade.
- Na verdade estava, voltei para a casa da minha mãe essa semana.
- É mesmo, por que?
- Problemas de saúde.
- Com a sua mãe?
- Não comigo.
- Como assim, o que você tem?
Ela colocou o copo na bandeja, segurou minha mão e então falou:
- Estou gravida, mas meu marido não pode nem sonhar com isso, se não nunca conseguirei me separar dele.
- Mas como vai esconder algo assim, acha que ele nunca vai procurar saber?
- No depois eu vejo o que faço.
Uma forte dor de cabeça se instalou em mim, o sonho martelava como nunca em minha mente, mas nada disse a ela. Terminamos o café e fui leva-la embora, quando chegamos na casa da mãe dela o marido a esperava do lado de fora, quando ele me viu chegando, se jogou na frente do carro, abriu minha porta me tirou de dentro do mesmo e me bateu até que alguém interveio, ela me jogou no banco do carona e saiu dirigindo feito uma louca, voltamos para casa.
Eu havia esquecido como era voltar sangrando para casa depois de brigar por causa de uma mulher.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um Jantar E Uma Palavra

Saturada de muitas coisas, semana com feriados, saco cheio e todos largados aos trapos, terminei minha parte e pedi para ir para casa mais cedo, pedido aceito, mas Mônica não ia deixar essa passar em branco:
- Quer ir embora mais cedo por que, algum compromisso?
- Não, apenas quero descansar o pensamento.
- Um encontro então?
- Vou ficar em casa, não tire conclusões precipitadas. Caso não esteja acreditando, pode ir jantar comigo.
- Então ta bom, 20hs no seu apartamento. Quer que eu leve um vinho?
- Seria bom, mas prefiro cerveja mesmo, nada de massas hoje.
- Então o que teremos?
- Apareça lá para certificar-se de que não tenho nenhum encontro e te mostro o cardápio.
- Sem graça, estarei lá para me certificar que tenho você só pra mim.
Virei as costas e ignorei o ultimo comentário, desnecessário e confuso.
Essa mulher era doida ou então eu estava louca, pensei até em procurar minha psicóloga novamente, voltar a fazer terapias, mas resolvi me afundar nas cervejas.

Casa arrumada, banho tomado, bermuda e camisa xadrez, uma ida ao mercado comprar alguns ingredientes e para o jantar algo simples, por preguiça de fazer algo caprichado.
20hs em ponto a campainha tocou, abri e lá estava Mônica com uma sacola de cervejas:
- Fiz como pediu.
- Entra, estou terminando o jantar.
- E o que temos?
- Frango a parmegiana, arroz a grega e feijão. Esqueci de fazer a salada, mas tem coisas ai na geladeira.
- Deixa comigo, vou fazer já.
- Tá!
Jantar pronto, mesa posta e cervejas a vontade:
- Hmmmmmm, que saboroso, bem temperado. Nossa, parabéns.
- Obrigada, mas é a unica coisa que sai muito bem feita.
- Já pode casar.
- Ah, esquece isso vai.
Terminamos de jantar e ela tocou no assunto de novo:
- É sério, já pode casar, mas comigo né.
Vish, as cervejas começaram a fazer efeito, também pudera, o fardo que ela trouxera já havia acabado e estávamos tomando um que eu comprei, era a oitava lata dela em menos de 2hs.
- Ta bom, casar, eu? Ninguém pensa isso de mim a não ser você, todas só querem brincar de me deixar apaixonada.
- Eu não quero brincar com isso não, eu quero você e disse que te esperava o tempo que fosse.
- Você é boba, por isso.
- Apaixonada e encantada com o quanto você mudou.
Resumindo essa melação, transamos.

Ela acordou, tomou um banho e revirava minhas gavetas quando acordei e a vi de toalha agachada procurando algo (bela visão por sinal):
- Ta procurando o que?
- Oi, bom dia - Ela veio me dar um beijo de bom dia - To procurando um remédio pra dor de cabeça, ressaca sabe como é.
- No armário do banheiro tem.
- Obrigada meu amor. - Amor?
- De onde tirou essa de amor?
- Você me disse isso antes de dormir - Mio hein?! - Ah disse? Não lembrava, desculpa.
- Tudo bem, nos vemos na redação?
- Sim, claro, vou tomar um banho e já vou.
- Quer que eu te espere?
- Melhor não, tem gente lá que não quer nos ver juntas nem fodendo.
- Ah, verdade. Então até mais tarde, amor.
- Até, am... amor (risos).

"Amor, como eu fiz isso? Deveria ter uma tecla voltar no cérebro, porque olha, só me lasco nisso". O banho foi só risada, me arrumei e fui para a redação me sentindo leve, "amor".