Eu me preparava para dormir depois de um dia cansativo de trabalho, era segunda-feira, pós final de semana agitado e badalado como a tempos não era. No meio da madrugada meu celular começou a tocar desesperadamente, mas meu sono era muito profundo para eu acordar e atende-lo
Esse ocorrido fez a minha semana ser uma verdadeira merda, só brigamos, nada dava certo, nada esta bom. Uma semana para jogar na lata do lixo e esquecer!
Sol, chuva, calor, frio. O tempo estava mais bagunçado que minha mente ou meu apartamento mesmo. Dava para fazer "mamãe me quer" naquele lugar, uma verdadeira bagunça... Parecia que um furacão havia passado por ali, é, realmente havia passado.
A semana passou, outra veio e a merda continuou, eu estava cansada de não saber como agir mais, eu sempre acabava estragando tudo. Então no meio de uma discussão eu virei as costas e fui embora, a deixei falando sozinha. Ela apenas gritou de longe:
- Vai me deixar falando sozinha?
Voltei apenas para responder e nunca mais olhar para trás:
- Você é boa demais para alguém!
Eu vi os olhos dela encherem-se de lágrimas, me senti a pior pessoa do mundo, mas aquilo era necessário para as nossas brigas terem um fim. Trágico, mas foi um fim. Voltei para o apartamento, acabei com um maço de cigarro e um engradado de cerveja, na mesa rascunhos de uma vida que nunca foi minha, rascunhos de sentimentos que nunca foram meus, rascunhos de um sonho que acabará de encontrar a lata do lixo como lar.
Me joguei no sofá e fiquei olhando nossa foto na mesa de centro, lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu me arrependia de cada palavra proferida. Eu sentia vontade de voltar lá e dizer o quanto eu fui burra, o quanto tudo que eu disse era mentira, mas eu não estava em condições nem de levantar do sofá.
Como de praxe a campainha tocou e eu me arrastei até ela, ao abrir a porta ela estava lá com um cara mais ou menos da minha altura, moreno e careca. Só me lembro disso, porque antes dele esbofetear a minha cara ele me deixou analisar sua fisionomia.
Foi um soco só, eu estava estendida no chão. Ela chorava e pedi desculpa dizendo que não era isso que ela queria, me levantei e nós dois caímos na porrada. Com a confusão, vizinhos chamaram a policia e logo a confusão ficou generalizada. Eu o acusei de invasão de domicilio, entre outras coisas.
Todos na delegacia, depois disso eu não lembro nem como voltei para casa, eu apenas vi um curativo na testa, a mão enfaixada e meu apartamento revirado por causa da briga. No meio de alguns cacos de vidro um bilhete... "Não podia deixar você no hospital sozinha, então esperei e lhe trouxe embora, me perdoa por ontem."
Eu amacei aquilo com tanta raiva que não me reconhecia naquele ato, tomei um banho e refiz os curativos. Liguei para a diarista e pedi para ela passar em casa arrumar a bagunça, deixei o dinheiro dela lá e sai. Atravessei a cidade até a casa dela, não sabia por que motivo eu estava fazendo aquilo, apenas fui.
Ao chegar lá e dar de cara com ela entrando em casa, pensei em passar reto, mas acabei parando e descendo.
- Só me responde uma coisa, por que fez aquilo?! Por que levou ele lá pra me bater?!
- Por que sou idiota e criança!
- Ainda bem que sabe disso! Faz um favor pra mim?! Nunca mais olha na minha cara. Eu fiz muito por você e olha como retribui?!!!!
Ela com os olhos cheios de lágrimas novamente apenas fez sinal de sim com a cabeça, eu me virei em direção ao carro, mas voltei atrás e fui em direção a ela. Segurei-a pelo braço, virei seu rosto na minha direção e a beijei.
Contraditório?! Eu também não entendi porque fiz aquilo...