Páginas

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cacos de Algo que Nunca foi Meu

Eu me preparava para dormir depois de um dia cansativo de trabalho, era segunda-feira, pós final de semana agitado e badalado como a tempos não era. No meio da madrugada meu celular começou a tocar desesperadamente, mas meu sono era muito profundo para eu acordar e atende-lo
Esse ocorrido fez a minha semana ser uma verdadeira merda, só brigamos, nada dava certo, nada esta bom. Uma semana para jogar na lata do lixo e esquecer!

Sol, chuva, calor, frio. O tempo estava mais bagunçado que minha mente ou meu apartamento mesmo. Dava para fazer "mamãe me quer" naquele lugar, uma verdadeira bagunça... Parecia que um furacão havia passado por ali, é, realmente havia passado.
A semana passou, outra veio e a merda continuou, eu estava cansada de não saber como agir mais, eu sempre acabava estragando tudo. Então no meio de uma discussão eu virei as costas e fui embora, a deixei falando sozinha. Ela apenas gritou de longe:
- Vai me deixar falando sozinha?
Voltei apenas para responder e nunca mais olhar para trás:
- Você é boa demais para alguém!
Eu vi os olhos dela encherem-se de lágrimas, me senti a pior pessoa do mundo, mas aquilo era necessário para as nossas brigas terem um fim. Trágico, mas foi um fim. Voltei para o apartamento, acabei com um maço de cigarro e um engradado de cerveja, na mesa rascunhos de uma vida que nunca foi minha, rascunhos de sentimentos que nunca foram meus, rascunhos de um sonho que acabará de encontrar a lata do lixo como lar.
Me joguei no sofá e fiquei olhando nossa foto na mesa de centro, lágrimas escorriam pelo meu rosto e eu me arrependia de cada palavra proferida. Eu sentia vontade de voltar lá e dizer o quanto eu fui burra, o quanto tudo que eu disse era mentira, mas eu não estava em condições nem de levantar do sofá.
Como de praxe a campainha tocou e eu me arrastei até ela, ao abrir a porta ela estava lá com um cara mais ou menos da minha altura, moreno e careca. Só me lembro disso, porque antes dele esbofetear a minha cara ele me deixou analisar sua fisionomia.
Foi um soco só, eu estava estendida no chão. Ela chorava e pedi desculpa dizendo que não era isso que ela queria, me levantei e nós dois caímos na porrada. Com a confusão, vizinhos chamaram a policia e logo a confusão ficou generalizada. Eu o acusei de invasão de domicilio, entre outras coisas.
Todos na delegacia, depois disso eu não lembro nem como voltei para casa, eu apenas vi um curativo na testa, a mão enfaixada e meu apartamento revirado por causa da briga. No meio de alguns cacos de vidro um bilhete... "Não podia deixar você no hospital sozinha, então esperei e lhe trouxe embora, me perdoa por ontem."
Eu amacei aquilo com tanta raiva que não me reconhecia naquele ato, tomei um banho e refiz os curativos. Liguei para a diarista e pedi para ela passar em casa arrumar a bagunça, deixei o dinheiro dela lá e sai. Atravessei a cidade até a casa dela, não sabia por que motivo eu estava fazendo aquilo, apenas fui.
Ao chegar lá e dar de cara com ela entrando em casa, pensei em passar reto, mas acabei parando e descendo.
- Só me responde uma coisa, por que fez aquilo?! Por que levou ele lá pra me bater?!
- Por que sou idiota e criança!
- Ainda bem que sabe disso! Faz um favor pra mim?! Nunca mais olha na minha cara. Eu fiz muito por você e olha como retribui?!!!!
Ela com os olhos cheios de lágrimas novamente apenas fez sinal de sim com a cabeça, eu me virei em direção ao carro, mas voltei atrás e fui em direção a ela. Segurei-a pelo braço, virei seu rosto na minha direção e a beijei.
Contraditório?! Eu também não entendi porque fiz aquilo...

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Reaprendendo a Amar

“O que ela desperta em mim não tem explicação, me sinto uma adolescente que sente tesão pela primeira vez, que ama pela primeira vez.
Uma pessoa totalmente leiga de sentimentos sabe que esta sentindo algo, mas não sabe se é certo ou se é permitido.
Ela me deixa assim, pensando milhões de coisas boas, milhões de bobeiras e querendo apenas estar perto.
Ela tem esse poder sobre mim, me deixar pensando e imaginando...”

Havia acabado de chegar em casa, joguei carteira e chaves na mesa de centro e a blusa ficou pelo sofá. Lá fora a chuva caia fina e constante, abri a geladeira e me decepcionei, vazia. Peguei minhas coisas e sai novamente, fui até a padaria, capuz na cabeça e a chuva a me molhar.
Entrei, sentei e pedi um misto quente e uma cerveja. Enquanto esperava, observei que do outro lado do balcão, meio ao longe havia uma pessoa que me observava enquanto passava o copo nos lábios. Desviei meu olhar para minha cerveja e então levantei um brinde de longe, ela correspondeu.
Comi meu lanche e pedi outra cerveja, segunda garrafa... Eu sabia que não poderia deixar passar da quinta, daí já seria zona de perigo.
Ela levantou, veio até onde eu estava e disse:
- Muito prazer, meu nome é....
- Prazer, o meu é Karen.
Ficamos ali conversando e quando dei por mim já havíamos bebido umas 10 garrafas, pelo que eu consegui contar, ela meio alegre e eu pensando bobeiras, também pudera... Ela era loira, lábios carnudos e rosados e tinha um corpo de não colocar defeito, ela se atirava em mim, me abraçava, chegava com a sua boca próxima da minha e eu me afastava. Sim, eu estava fugindo daquela bela mulher.
Paguei a conta e quando ela achou que íamos para outro lugar, simplesmente a cumprimentei e fui embora, ela de longe gritou:
- É assim que acaba?
Eu voltei até ela e respondi:
- Não acaba pelo simples fato de que não começou nada, apenas bebemos umas cervejas e falamos bobeira para descontrair.
- Mas eu estava a fim de ficar com você.
Nesse momento ela tentou me beijar, a segurei e respondi:
- Eu não posso fazer isso, tenho um compromisso com o meu coração. Ele me manda ficar na minha, eu estou apenas respeitando.
Ela ficou sem entender, me deu um beijo no rosto e foi embora. Fui caminhando pela praça olhando a chuva cair, me sentei em um banco e quando olhei para a sacada do apartamento, eu jurei ter visto alguém fumando lá. Subi correndo, feito louca... Entrei dessa vez sem jogar nada em lugar nenhum. Revirei o apartamento, encontrei apenas um recado no meu celular sobre a mesa de centro: “Aposto que você esta com uma vadia, bebendo e falando que a ama.”
Respondi: “Acertou a parte da vadia, mas errou o resto. Eu a dispensei, porque eu só sei pensar em você, mas que diferença faz né?! Você está em outra.”
Joguei as coisas na mesa de centro, tirei a roupa molhada, tomei um banho e ao sair do chuveiro escutei a campainha tocar. Me enrolei na toalha e fui atender...
Era um beijo envolvente, sem cara de que teria fim, um beijo interminável... Aqueles de novela, aqueles de não colocar defeito. Não tive tempo de pensar como ela havia conseguido subir sem ser anunciada, alias eu gostava daquele lugar por isso, entrada era livre e sempre me reservava surpresas (risos).
Tranquei a porta, ela foi me empurrando até o sofá, deitada sobre mim ela me beijava, mordia e fazia sentir tudo aquilo de novo.
Ela me sufocava de amor, me fazia sentir tesão e frio na barriga, me fazia querer ela cada vez mais. Aquela casa acabara de ficar pequena para o nosso amor.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Nada Faz Sentido

A chuva não dava sinais de que iria parar tão cedo, trancada em casa nem a sacada era amiga para um cigarro. No sofá da sala assistindo a um filme e a todo instante olhando os rascunhos jogados sobre a mesa, encontrei uma foto da galera onde ela se destacava porque eu só sabia observa - lá, sorriso bobo e pensamento longe.
Resolvi então sair, peguei as chaves e a blusa e ao abrir a porta ela estava lá prestes a tocar a campainha, toda molhada de chuva. Joguei tudo no sofá e a puxei para perto de mim, a abracei e disse:
- Vamos tirar essa roupa molhada agora, antes que você fique doente.
- Você sempre com segundas intenções (risos)
O riso foi inevitável, levei-a ao meu quarto dei uma toalha para se secar e uma roupa para trocar, voltei para sala para esperá-la. Não demorou muito ela veio vestida com uma camiseta que mais parecia um vestido, novamente eu não contive o riso e disse:
- Vamos jantar?!
- Se você parar de rir de mim, sim!
- Ta bom, parei.. hahaha
Fizemos algo pra comer, jantamos e depois deitamos no sofá para assistir a um filme qualquer. Era impossível ficar tão perto dela e não beija-la, tentei me conter... Sem sucesso.
Aproximei um pouco e senti ela fazer o mesmo, ao tocar sua boca era como se a chuva tivesse ficado ainda mais forte e trovoes anunciassem algo incerto. Quanto mais eu a beijava, mais sentia meu coração acelerar, parecia que eu estava correndo uma maratona em direção ao coração daquela garota.
A chuva ficava cada vez mais forte e eu já não sabia mais obedecer a razão, apenas a minha vontade de te-la em meus braços. O sofá ficou pequeno para nós, peguei-a no colo e fomos para o meu quarto, a noite densa e chuvosa molhando o vidro da janela e nós a esquentar o clima dentro daquele quarto, ela apenas me fez parar quando o medo do amanhã bateu em seu pensamento:
- É... é melhor a gente não forçar nada.
- Você quem sabe, te respeito.
Então deitei na cama, ela sobre meus braços...
Eu acordei com o barulho da chuva que ainda caia, olhei ao meu redor... Cama vazia, roupas espalhadas pelo quarto, fui até a sala tudo como havia deixado e na cozinha, pratos sujos. Nem um sinal dela naquele apartamento!
Só havia duas opções: Eu havia sonhado ou então, enlouquecido de vez.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Tudo novo de novo!

Eu estava naquela velha sacada novamente, olhando os outros passarem na rua com suas garrafas e roupas brancas. Aquele velho cigarro na mão, aquele velho copo na outra e assim seria meu ano novo, sem novidades.
Liguei a televisão para ver se me animava e quanto mais bobagem passava, mais me injuriava. Desci, peguei o carro e sai para dar uma volta. Passei por vários lugares, os melhores e que costumavam ter poucas pessoas estavam lotados, eu voltei para o apartamento e de lá vi alguns fogos. Algumas pessoas em outros apartamentos gritavam e um vizinho bateu a minha porta a meia noite, atendi e ele me chamou para irmos ao terraço ver os fogos, peguei meu copo, garrafa e cigarro e fui com eles.
Lá de cima, a única coisa que eu via olhando o céu era o rosto de quem não estava, nunca esteve nem estaria ali, era ilusão. Então uma linda criança veio e me desejou feliz ano novo, confesso... Amoleceu o coração, mas não me tirou ela do pensamento.
Mais um ano acabara e outro começava da mesma maneira, sem novidades. A não ser pelo fato de que meus vizinhos tentavam a todo custo socializar comigo e eu me fechava, mas aquela criança conseguiu me fazer rir e quando a chuva caiu, ficamos as duas lá brincando na chuva até altas horas.
Voltamos para dentro, ela foi para casa dela e me chamou para ir também, as duas molhadas de chuva. Fui para minha casa colocar uma roupa seca e peguei uma garrafa de vinho e me dirigi até o apartamento de baixo, acabara de fazer amigos e a noite terminava agradável.
Olá ano novo, espero que os velhos amores fiquem lá atras e que seja vida nova mesmo!