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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Goles A Mais

Estava indo trabalhar quando resolvi parar na livraria, comprar um jornal e tomar um capuccino. Peguei o jornal, me sentei a espera do capuccino que logo chegou. Enquanto lia e bebia, não pode deixar de reparar que Alice estava cabisbaixa arrumando os livros infantis. Fui até ela, me abaixei ao seu lado, fazendo-a assustar:
- Minha nossa Senhora, que susto!
- Calma, calma. Desculpa! Vim apenas te dar bom dia e saber como esta.
- Bom dia, estou bem. Agora me deixe trabalhar.
- Nossa! Aconteceu algo? Está tão ríspida.
- Não aconteceu nada, estou apenas trabalhando.
- Certeza?
- Não, desculpa você não tem nada a ver com isso, são coisas pessoais.
- Pois é notei que está cabisbaixa, por isso vim aqui, mas desculpa se te atrapalhei.
Me virei e sai, fui para a redação, ela não se mexeu ao me ver sair, havia planejado algo, mas não deu certo.

Era quarta-feira, dia de happy hour, foram todos a um barzinho na rua da livraria, Mônica passa por mim e diz:
- Não vai com a gente?
- Não, tenho textos a terminar, valeu pelo convite.
Ela veio até mim, virou minha cadeira para ela, abaixou colando seu rosto no meu, me beijou, provocou e perguntou de novo:
- Não vai mesmo? Nem por mim?
- Ok Mônica, vamos!
Fomos por incrível que pareça não bebi nada, estava sã, quando pude notar que Mônica estava bêbada e dando em cima de um estagiário. Não demorou muito para os dois ficarem e eu ver entrar pela porta atrás no mais novo casal, Alice. Não me contive, levantei e fui até ela.
- Desculpa ter saído daquela forma.
- Tudo bem, eu mereci.
- O que faz aqui?
- Vim beber, esfriar a cabeça e você?
- Happy hour, não muito agradável, mas tudo bem (risos).
- Espera, aquela não é a sua namorada beijando aquele cara?
- Eu já lhe disse, ela não é minha namorada. Mas esquece, que bom que você está aqui, estava louca por uma companhia interessante.
- Aceito sua companhia, "to" precisando conversar.
Sentamos em uma mesa de onde eu conseguia ver tudo que a Mônica estava fazendo, e nada me agradava. Alice pediu um chopp e quando bebia, pude notar a falta da aliança em seu dedo.
- Você está assim, cabisbaixa por quê?
- Você só esta perguntando isso porque viu que estou sem a aliança e quer uma explicação sobre o que aconteceu.
- Sim, exatamente isso. - Não fiz enredo, fui tão direta quanto ela.
- Não tem mais casamento, ele terminou comigo, conheceu outra e foi morar com ela. Ele me traiu durante 1 ano e meio, estava desconfiada e no meio de uma briga, eu falei e ele confirmou, então acabou.
Ela começou a chorar desesperadamente, resolvi tira-la de lá e levar para casa, ode poderíamos conversar melhor. Estávamos de saída quando Mônica notou que Alice estava comigo, ela veio às pressas em nossa direção.
- Quem é essa vadia com você?
- Cala a boca Mônica, vadia é você que fica se jogando pra cima de mim, me provocando e depois fica ai se esfregando em outro, vá a merda!
O tapa fez tanto barulho que o bar parou para olhar para nós, segurei Mônica pelo braço e disse:
- Olha aqui, você não é minha dona, nunca foi, você e nada são a mesma coisa. Diz que me ama, mas o primeiro pinto que aparece você ataca com fome, sedenta por essa merda, VADIA sim, mal amada e filha da puta. Os caras só ficam com você por dinheiro, porque você é burra e fica sustentando moleque, tudo bem que foder com você é excelente, porém você é mandona demais e não sabe esperar as coisas acontecerem, vive forçando a barra e acaba ganhando tudo no cansaço. To me demitindo, desaparecendo, me libertando de você.
- Filha da puta, você apenas me usou....
- USEI SIM, você já fez pior comigo no passado e fica ai jogando a culpa em mim, adeus.
Peguei a mão de Alice e saímos, ela me olhava com um sorrisinho no rosto.
- Agora entendi.
- Esquece esse assunto, Não sou prioridade hoje e sim você.
- Eu te fiz perder o emprego (risos).
- Na verdade esse emprego nunca foi meu, fui uma verdadeira idiotice ter ido pra lá. Acho que se eu trabalhasse na livraria com você seria melhor, pelo menos eu estaria rodeada do que mais gosto, livros.
- Até que não seria uma má ideia (risos). Você... Poderia me deixar em casa?
- Claro que sim, só me dizer onde é.
Ela me guiou, deixa-a lá e fui pra casa sonhar com o sorriso de Alice.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Mulher Fatal

Nunca gostei de mulheres comprometidas, sempre dispensei problemas, mas esqueci de avisar o acaso e o destino a respeito disso. Só problemas, só vícios.

Eu estava bem no trabalho, comecei a escrever um livro sobre mim, transformando minha vida em diversos contos, cada novo conto eram horas de riso, é o famoso “depois que passa a gente ri”.

Fui a uma livraria em busca de inspiração, novas obras e autores, fui procurar um livro de contos não tão famoso, pelo menos pra mim. Fui direto na atendente com aquele colete amarelo por cima da camiseta azul, escrito em negrito “POSSO AJUDAR?”.

- Boa tarde, prateleira de contos nacionais, por favor?
- Boa tarde, me acompanhe senhora.
- Haha, deixe o senhora de lado, você é melhor.
- Tudo bem, esta aqui!
- Obrigada! Ah! Algum autor ou obra pra me recomendar?
- Procura algo em específico?
- Não sei ao certo, quero contos diversos que retratem o dia-a-dia.
- Entendo, bom que tal “Natal Augusto Dornelles – Alface, Tomate e uma Pitada de Pimenta”. Terminei de ler recentemente e gostei.
- Vou levar sua indicação, quando lançar meu livro trago um exemplar pra você.
- Tudo bem (risos).

Apenas quando ela pegou o livro da minha mão é que pude notar a aliança de ouro na mão direita, noiva. Uma pena, ela era meu número, linda.
Levei o livro e o devorei, a penas para poder voltar a livraria e vê-la, conversar mais um pouco talvez. Fim do livro, nova ida à livraria.

- Boa tarde, voltei (risos).
- Olha, boa tarde. E ai gostou do livro?
- Sim, próximo ao meu, me ajudou a escrever o que faltava.
- É sério que você é escritora?
- Sim, trabalho em uma redação, escrevo crônicas e respondo alguns leitores no site.
- Desculpa, mas qual é o seu nome?
- Isso é algo que eu revelo aos poucos, sou apenas a narradora de uma história onde você é uma personagem. E o seu nome?
- Assim não vale, mas continuo achando você conhecida, bom já que não quer falar o seu nome direi o meu Alice. Algum livro em específico hoje?
- Tudo ao seu tempo. Sim, quadrinhos, de preferência DC Comics, por favor.
- Você é a namorada da Mônica, editora em uma redação, uma revista muito boa por sinal, você escreve as crônicas, só pode ser a Ludmylla?!
- Xiiiiuuuu! Segredo (risos). Mas... Mas, como ligou os fatos? E namorada de quem?
- Vi uma reportagem sua sobre leituras juvenis que não perdem a essencial com o passar dos anos, quadrinhos era uma e você dizia amar. E namorada porque você deixou subentendido.
- Boa memória, faz tempo essa reportagem hein! Bom, um café depois do expediente, pra conversar?
- Não posso, sou noiva e todo mundo conhece sua fama, meu noivo ficaria furioso.
- Hey, calma ai! É apenas um café e você nem deve jogar no meu time. Só queria conversar, saber de terceiros quais os pensamentos a meu respeito e sobre o que escrevo.
- Pena que pensa que não jogo no seu time.
Ela me deu o quadrinho e eu fui embora.