Páginas

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Amar ou Morrer

Amanheceu um dia chuvoso, frio e cinza, eu adoro dias assim. Fico sensível, pensativa e lembrando daquilo que me permito lembrar, exceto por um pensamento que vira e mexe volta para me assombrar ou apenas me confundir mesmo.

Virei para o lado ela estava lá, dormindo feito uma criança, serena e despreocupada, como se tudo que precisa-se estivesse ao alcance das mãos. Eu apenas sentia meu chão trincar, querendo desmoronar, era tudo muito bom para ser verdade, as vezes eu sabia que não me permitia apenas ser feliz, tinha que ficar pensando merda e... Merda atrai merda!
Me levantei, tomei um banho, peguei minhas e quando ia saindo ela aparece na porta do quarto vestindo uma camiseta enorme, com aquela cara de sono e diz?
- Aonde você vai?
- Para minha casa.
Dei um beijo em sua testa e virei para sair, ela segurou meu braço e respondeu:
- Aqui é sua casa.
- Não, não é. Esta na hora de voltar para a realidade.
- E nós não é real para você?
- Não é isso que eu quis dizer...
- Mas foi o que disse.
Lágrimas formavam-se em seus olhos, aquilo era exatamente o que eu queria dizer sim, mas talvez não fosse também. Eu não sabia mais como agir, como pensar, aquilo não era minha vida...
- Eu não posso te enganar, me enganar. Isso não é minha vida, eu sou da boemia, da noite, dos barezinhos, de cada noite conhecer alguém diferente, me relacionar com desconhecidas. Eu não posso enganar você, a unica pessoa que eu amo, por quem eu sou capaz de tudo, ou quase tudo. Estou confusa, preciso de um tempo.
- Eu só tenho uma coisa a lhe dizer, eu espero por você!
Aquilo entrou e bateu direto no coração, eu senti minhas pernas perderem a força, apoiei no batente da porta e senti meu corpo dormente, desmaiei.
Apenas conseguia ouvir ela gritando por socorro, meus olhos fechados e meu corpo todo dolorido, principalmente o peito e a cabeça, depois disso eu não lembro de mais nada. Acordei em uma cama de hospital, olhei ao meu redor e só conseguia ver tubos de soro no meu braço e um de oxigênio no meu nariz, que diabos havia acontecido? Ela estava ao lado da cama e quando me viu acordar, pulou para mais perto de mim.
- O que esta acontecendo?
- Seus excessos, cigarro, bebidas, má alimentação... Acha que é a mulher de ferro, sua idiota? Quer me matar assim? HEIN?
Ela chorava feito criança, desesperada e eu não entendendo nada do que estava acontecendo, enfim o médico chegou.
- Ai esta nossa paciente, como esta se sentindo?
- Perdida, ainda mais do que já estava. O senhor poderia me explicar o que aconteceu?
- Quadro de excessos, você teve uma parada cardíaca "leve", foi mais um susto mesmo. Isso tudo é devido aos seus excessos, cigarro, bebidas, noitadas e tudo mais que você sabe, não é mais criança né?!
- Sim doutor.
- Bom, você vai ficar em observação e deve receber alta amanhã, mas isso irá acontecer depois de uma avaliação completa em você e de você me prometer que vai se cuidar melhor.
- Tá.
Eu estava de saco cheio daquele homem falando ao meu ouvido, alias homem só serve para isso, encher a cabeça das mulheres de baboseiras, se ainda fosse uma doutora, acho que teria prestado mais atenção...
- Ouviu o doutor?
- Na verdade não prestei atenção em quase nada, ele fala muito.
A minhas resposta veio com um tapa dela, ela me bateu e ficou me encarando com uma cara nada amigável:
- Se você quer morre, morra sozinha. Não vou ficar aqui sofrendo por quem não está nem ai com a própria vida.
Ela virou, pegou a bolsa e retirou-se... Nesse momento sim a ficha caiu, eu estava pendendo o amor da minha vida, estava cometendo os velhos erros de sempre, cabecinha dura a minha viu. Depois que ela se foi, eu chamei o doutor para enfim uma conversa séria e quem sabe né, uma mudança de hábitos...

domingo, 22 de abril de 2012

Bom Demais Para Ser Verdade

Eu me vi desistindo de lutar por ela, desistindo de viver ao seu lado, eu me vi indo embora. Mas espera ai, que porra é essa?! Afinal o que eu sou, o que eu espero de mim?
Essas respostas que martelavam minha mente me fazendo correr cada vez mais longe.

"Era cedo, ou tarde, talvez, não sei ao certo. Eu caminhava para minha casa após uma discussão, eu queria chorar, mas na rua não podia. Eu queria gritar, esmurrar o primeiro que atravessa-se meu caminho, mas não sairia de graça isso. Eu queria correr, fugir de algo que eu nem sabia ao certo o que era. Eu fiquei paralisada.
Eu sentia o sangue ferver e ao mesmo tempo parar de circular, era como se eu fosse cair desacordada e nunca mais abrir os olhos, eu sentia meu coração pular dentro de mim, era desespero.
Eu voltei, abracei-a e pedi desculpas..."

Acordei depois desse pesadelo e ela não estava ao meu lado, sai igual uma doida correndo pela casa chamando-a, da cozinha ouvi ela responder:
- Estou preparando o café da manhã, amor.
Foi um alivio tão grande, corri na direção dela, abracei sem dizer nada, ela logo indagou:
- O que foi, para que esse desespero todo?
- Pesadelo.
- O que sonhou?
- Que eu ia embora.
- Não fala mais isso.
Ela colocou o dedo na minha boca fazendo sinal de silêncio, nesse momento o medo duplicou, maldito sonho que eu não conseguia parar de pensar.
Tomamos café e ficamos deitados na cama até tarde, era sábado e não havia nada de bom para fazer, o melhor era ficar ali naquele refugio, longe dos lobos que nos queria ver separados.
Mas quem disse que no mar há calmaria o tempo todo? Não demorou muito até ela inventar que queria fazer alguma coisa, pegou o notebook, chamou umas amigas para uma social a noite em casa, saímos para comprar as coisas e ficamos o resto do dia preparando-os.
"A noite tudo pode acontecer..." Eu li isso em algum lugar, onde mesmo? Enfim...

Todas chegaram, algumas acompanhadas dos namorados, outras solteiras e bem resolvidas mesmo. Eu fiquei no quarto um pouco mais, rabiscando algumas coisas e depois fui me arrumar.
Ao chegar na sala me deparei com uma vida que não era minha, o que era aquele monte de gente em casa? Não, eu não queria aquilo, gostava dos meus poucos amigos, da minha social com garrafas, copos, cigarro e rabiscos, mas tudo havia mudado e eu não havia me adaptado a isso ainda, estranho, mas me comportei bem.
Deixando os vícios de lado eu estava cada vez melhor, ela sorria a todo momento pra mim e eu, bom eu estava na cozinha preparando alguns petiscos, bebidas e tudo mais, a deixei bem a vontade com os amigos, ela curtiu a ideia e eu não muito, afinal havia um perigo em potencial naquele lugar, como sempre.
Fui dito e feito, o namorado de uma das amigas, depois de uns goles a mais ficou de graça no ouvido da minha morena, chamando a namorada para a conversa junto e ver aquilo me irritou muito, não demorou muito e eu explodi:
- AMOR! Vem aqui, AGORA!
- Isso é jeito de falar comigo? Ainda mais na frente dos meu amigos.
- O que aquele filho da puta quer com você?
- Estamos apenas conversando, algum problema?
- Sim, todos os problemas, o que ele quer com você?
- Nada, ele tava me chavecando, querendo umas bobeiras, mas eu não dei trela.
- Filho da puta!
Eu sai na furia, larguei o que estava fazendo e fui na direção do cara...
- Olha aqui seu filho da puta, se fica de gracinha pro lado da minha morena eu te mato!
- Eu que mato ela de prazer, só ela me dar condição.
Eu acertei um murro bem no meio da cara dele, ele caiu com o nariz sangrando, a namorada foi embora e o largou lá, eu o joguei dentro do elevador e o expulsei do prédio. Fim da festa!
Todos foram embora, ela estava furiosa comigo, quando subi ela me empurrou no sofá e começou a falar:
- Quem você pensa que é para tratar assim meus amigos?
- Sua namorada, não sou?
- Não sei!
Eu levantei, fui até o quarto, arrumei a mochila e fui embora, como no sonho, ela tentou me impedir, começou a chorar e pedir desculpas:
- Para de chorar você não fez nada, eu fiz!
- Fiz sim...
- Fez mesmo, eu te protegendo e você brigando comigo, realmente, pensando assim... Você fez!
- Viu, me perdoa, mas não vai embora. Eu não to acostumada com isso, nunca vivi isso na minha vida, tenha paciência comigo, por favor, não vai. Eu te amo.
- Eu também te amo.
Ela me abraçou forte, chorando. Larguei a mochila no chão, fechei a porta da sala e fomos para o quarto, deitamos e tentamos esquecer o ocorrido...
A algum tempo atrás, eu iria sair por aquela porta e não voltar mais!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Enfim o Começo

Esses sonhos subjetivos já estavam me deixando louca, eu já não sabia mais o que era sonho ou realidade, estava confundindo tudo. Apenas não confundia o que sentia por ela, mesmo as vezes querendo esquecer tal sentimento.
Muita coisa havia mudado, eu mal conseguia vê-la durante a semana. Minha rotina me consumia por inteiro, agora além de um trampo registrado em carteira eu também estava na faculdade, meus rascunhos cada vez mais escassos e sem sentidos, bebedeiras quase nulas, eu estava perdendo muitos vícios, menos o de ir atras de quem eu julgava amar.
Naquela tarde eu descobri que ela não iria sair de casa, então fiz um caminho diferente para a faculdade, uma pulta volta do caralho, super contra mão, mas para vê-la até a mentira mais descarada do mundo cairia bem. Passando em frente a casa dela, a via para em frente ao portão com alguns amigos, passei devagar e buzinei, acenei e ela me gritou, passei e dei a volta na praça, voltei para a frente da casa dela, estacionei e ali ficamos, eu, ela e os amigos. Falando bobeiras, rindo, de repente eles se despende e ficamos só eu e ela, então uma conversa mais franca:
- Você realmente vendeu seu apartamento? Gostava tanto dele.
- Ele lembrava muito o SEU apartamento, (risos). Pelo visto faz tempo que não nos vemos...
- Eu pensei nisso quando passei por aqui e te vi, por isso dei a volta e cá estou.
- Estava com saudades de você, suas bebedeiras e loucuras.
- Eu... Eu posso te garantir que minhas saudades são ainda maiores de coisas bem fúteis (risos).
- Como sempre, só pensando em sexo.
- Calunia (risos), não pensei nisso, apenas nesse sorriso que você acabou de me dar.
- Como sempre, o dom de me deixar sem graça.
- Como sempre, o dom de me fazer feliz com pouco.
- Entra, vem conhecer minha casa nova.
- To indo pra facu, parei mesmo só pra dar um oi e ganhar um abraço.
- Não seja por isso.
Ela me abraçou apertado, beijou meu pescoço e sussurrou "fica aqui comigo, só hoje", não tive como escapar, quando dei por mim já estávamos em seu quarto, nos beijando.
- Que fácil convencer você a ficar.
- Eu não sei dizer não pra dona do meu coração.
- O que?
- É... É... nada, esquece.
- REPETE!
- Calma, não é nada demais. Bom já que eu falei isso, vou criar vergonha na cara e coragem e desabafar de verdade.
- Pois bem, estou esperando.
- Eu te amo, não sei como isso começou ao certo, mas eu sei que estou completamente apaixonada por você, eu sonho com você todas as noites, já não sei mais o que é sonho e o que é real, esse tempo todo sem te ver acabou definitivamente comigo, com a vontade que eu tinha de viver, meus dias se arrastam melancólicos, preto e branco. Eu preciso de você, do seu jeito de ser, do seu sorriso para ser feliz, você me completa. Nunca me imaginei dizendo tais palavras a alguém, ainda mais assim, da forma como nos conhecemos, nunca imaginei me apaixonar assim, mas confesso, sou louca por você, eu amo você.
- Estou sem palavras.
Então um silêncio mortal se fez, ela ficou paralisada olhando minha cara de sei lá o que posso chamar aquilo.
- Fala alguma coisa, esse silêncio está acabando comigo.
- Estou sem palavras, você é importante pra mim, mas não sei se amo você, como você me ama, não sei se...
Calei sua boca com um beijo, igual ao do sonho, demorado, suave, ela correspondeu, ao fim do beijo:
- Me da uma chance, apenas isso.
- Você quer mesmo tentar?
- Por você eu sou capaz de tudo, quero apenas ficar mais perto de você.
- Tudo bem.
Ela me abraçou, nos beijamos e ficamos ali, deitados, ela sobre o meu corpo, carinhos, beijos e conversa, uma tentativa de nos conhecermos mais.