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terça-feira, 31 de julho de 2012

Paradoxo Sem Fim

Caiu à noite, venho a madrugada e eu acabei dormindo no tapete macio da sala de estar. Ela tentou me acordar para eu ir para o quarto, mas um convite surgiu:
- Esquece a cama, o quarto, deita aqui comigo.
Ela pegou cobertores e deitou-se ao meu lado, nos cobriu e me abraçou, simplesmente dormimos. Um pesadelo veio me assombrar, me fez acordar e acorda-la no susto dos meus gritos:
- AAAAAAH!
- Calma o que foi, respira...
- Desculpa... te.. assustei.
- Pesadelo?
- Talvez, não sei ao certo. Medo.
- Como assim, medo?
- Você já sentiu algo que nunca quis sentir?
- Sim, mas...
- Então, eu to sentindo algo assim e isso esta me matando por dentro, não sei mais o que fazer.
- Que tal encarar seu medo de frente e tentar fazer algo?
- Mas como? Ela não me quer nem pintada de ouro.
- Você se banhou no ouro pra saber?
Pairou um silêncio e cada uma foi para o seu quarto, eu abri a janela, sentei no parapeito e fiquei fumando um cigarro, tentando lembrar o que eu havia sonhado ao certo, eu só lembrava dele vestida de noiva, mais nada.
Amanheceu eu decidir ir embora, ir atrás pela ultima vez, Mônica ficou irritadíssima, mas me acompanhou. A deixei em casa e fui atrás pela ultima vez, fui ao trabalho dela e me disseram que era seu casamento, até riram baixinho debochando "como você não sabe". 

Eu a vi entrando na igreja segurando a mão do pai seria culpa minha tal ato? Afinal os dois não se falavam. Mas o pior de tudo era o casamento dela, aquele vestido lindo, branco, tomara que caia com uma calda enorme (como o que ela vestia no meu sonho). Eu a esperei entrar e então entrei de fininho, fiquei ao fundo onde ninguém me viu. Assisti a tudo, aquele circo armado, aquele falso sorriso treinado em frente ao espelho, aquela falsa alegria.
Eu chorava por dentro como uma criança, mas nenhuma lágrima saia de meus olhos, não sei o que era pior. O casamento acabou eu ainda fiquei na igreja até todos saírem, exceto a mãe dela, que continuava lá dentro triste, meio sem rumo. Ela me viu saindo, veio até mim e disse:
- Por que você não a impediu?
- Por que ela é dona da vida dela e sabe o que ta fazendo, eu não faço mais parte do caminho que ela escolheu.
- Você perguntou a ela?
- Não importa mais, é passado.
Eu saí, fui para a redação, escrever uma crônica sobre o ocorrido, me rendeu um bom texto, digno de criticas construtivas e uma coluna de crônicas fixas na revista, mas todas assim, românticas e que nos levem ao poço da depressão.
Mônica nem se quer tocou no assunto, me deixou livre dela e de qualquer coisa.

domingo, 29 de julho de 2012

Só Um Final De Semana, Só Uma Casa Nas Montanhas

Viagem de feriado? Sério que eu ainda era capas de fazer isso? Pois é, o convite veio da bela Mônica, ah desculpem a minha indelicadeza não a apresentei ainda, Mônica é a minha editora chefe.
Ela veio até a minha mesa e deixou um convite no meio de alguns papeis, pra ninguém saber, talvez. Só sei que fui embora mais cedo, arrumei minhas coisas, peguei o carro passei na casa dela. Estava lá com sua enorme mala me esperando:
- Mas é só um final de semana, pra que tudo isso?
- Mulher né! Sabe como é (risos).
- Tudo bem (mais risos).
Nossa viagem fui subir a serra e ir para a casa dela nas montanhas, lugar frio e gostoso, longe de tudo, onde eu poderia passar o resto da minha vida, bebendo vinho, fumando e escrevendo, lugar propicio para novas inspirações. Nos instalamos, em quartos separados, eu estava na boa como amiga mesmo, se ela estava com alguma intenção eu ainda não havia  percebido nada.
Chegamos e fomos logo fazer algo para jantar, afinal 3 horas de viagem depois de um dia de trabalho, costuma cansar um pouco. Ela cozinhou, eu coloquei a mesa e servi o vinho, massa para cair bem, estava tudo uma delicia. Conversas, risos, passado, presente e o que esperamos do futuro, livros, escritores, música. Fim do jantar, prolongamos a conversa para a varanda, frio, chuva fina e ar puro. Um cigarro aqui, outra taça de vinho ali e assim as horas foram passando, um maço acabou duas garrafas também. Decidimos parar por ali e nos retirar, já era bem tarde.
Cada uma para o seu quarto, ela se trancou e eu fui tomar um banho. Confesso que morri no chuveiro lembrando o sorriso dela ao falar que odeio uma das bandas favoritas dela por ser de tempos atuais, eu ria sozinha no banho, não sei se era culpa do vinho ou do belo sorriso de Mônica.
Fui para o meu quarto, me troquei e quando ia deitar na cama para escrever, ela bateu a porta:
- Posso entrar?
- Claro que sim. - Coloquei o note de lado - Eu ia escrever, mas se quiser ficar aqui comigo, será melhor.
- Sem cantadas (risos).
- Não foi uma cantada, foi apenas uma... (risos), desculpa, foi uma cantada sem querer.
- Perceptível, você nunca muda mesmo.
- Eu não percebo o que faço as vezes, perdão.
- Tudo bem, eu só não queria ficar sozinha, tenho um pouco de medo dessa casa a noite.
- Nunca ficou aqui sozinha?
- Não, sempre vim pra cá acompanhada, namorados ou amigas.
- Entendi, bom se quiser pode dormir aqui, a cama é de casal e eu não vou te agarrar. Terá apenas que tentar não se incomodar com o abajur acesso, vou escrever um pouco.
- Tudo bem, vou virar pra cá e dormir, obrigada.
Um beijo no rosto, lábios carnudos e molhados, a algum tempo seria o céu, mas naquelas circunstâncias eu não sabia como agir. Lógico que a carne queria aquela mulher, mas a consciência não.
Fiquei escrevendo um pouco, logo o sono bateu e adivinhem só o que escrevi? Toda essa confusão de pensamentos, daria muito pano pra manga isso tudo. Fim da vontade de escrever, sono batendo forte, me ajeitei para dormir. Lado bom, ela se virou e me abraçou, assim dormirmos.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Porre sem álcool

Estava cansada de responder e-mails, a grande maioria falava sobre uma vida de merda que não deu certo, eu estava começando a me identificar com essas coisas, estava pirando no segundo dia de trabalho, foi quando terminei de organizar o site e a galera do layout deixou ele bonitão, passando um segundo pente fino.
A galera do layout, um guri homossexual e sua melhor amiga hétero cheia de curiosidades, eu no meu melhor estilo largada arrumada, fazia os dois comentarem sobre o tempo todo. Segundo dia e lá vou eu fazendo amigos com meu jeito tímida, não entendo porque as pessoas gostam de puxar assunto com os tímidos, somos tão na nossa, sem incomodar ninguém, não entendo mesmo porque insistem em conversar.
A galera do layout me convidou pro almoço, mas eu iria me contentar em ficar na minha mesa sozinha, afinal aquela redação só esvaziava na hora do almoço, o que tinha se tornado um alento pra mim naquele dia. 

Eu não conseguia parar de pensar no fim da reunião do dia anterior, eu tinha que lembrar de onde a conhecia, pensando alto e a dita cuja passa no corredor me fazendo pular na cadeira e sentir um frio no estomago, "Já avisei que não vou almoçar com você, não quero mais saber de você." Fitei ela com o olhar, logo desligou o celular, entrou em sua sala e deixou a porta entre aperta. Não me contive fui atrás.
"Já te falei pra não me ligar mais, cada vez que desligo na sua cara parece que você me liga ainda mais, quando vai aprender que acabou, não quero mais nada com você, você é igual aquela garota do bar na Zona Sul, ridícula como tal. Falando nisso, não sei porque a contratei e muito menos sei porque estou lhe contando isso."
Facada no peito, porque ela me odiava tanto? Fiquei pensando e então um flash em minha mente, sim já havíamos ficado a um bom tempo atrás, lance de jantar no bar da esquina, como sempre, clichê da minha vida. Me virei para sair e surpresa:
- Nem pense em sair de fininho, sei que você estava ai ouvindo tudo, entra!
- Assim fica complicado, desculpa (risos).
- Tira esse sorriso de canto de boca, não quero lembrar o passado.
- Nossa foi tão ruim assim?
- Não, foi muito bom e muito covarde por isso tenho raiva de você.
- Imaginei, também teria o mesmo sentimento. Mas veja só, mudanças acontecem.
- Bateu na tecla certa, o que aconteceu pra você querer mudar tanto assim? E seu livro, seus sonhos?
Trégua, me sentei e nem vi a hora do almoço passar, ficamos rindo e conversando, falando do passado, nos abrindo. Eu fiquei sabendo um pouco mais sobre ela e ela sobre mim, irônico ou não, haviam semelhanças e diferenças enormes de pensamentos, mas era gostoso conversar com ela, mulher mente aberta. Sintia que não demoraria muito até as fofocas rolarem soltas e nos prejudicarem, já estavam de olho na gente desde a reunião, quando me viram saindo da sala dela recebi um sms "Não liga pras fofocas, adorei poder retomar o contato com você e sinto que agora pode nascer uma amizade saudável, bom trabalho, te vejo no bar da esquina no fim do expediente."
- Olha aqui guria... - Um tapa na mesa de um cueca, incrível como os homens sentiam-se ameaçados por mim - Se você acha que vai conquistar essa mulher esta redondamente enganada, ela é minha.
Crise de riso, sempre nas piores situações.
- Sua? Nossa que convicção pra quem ela nem sabe da existência. Se enxerga cara, não devo satisfação da minha vida!
Pronto mais um cueca filho da puta pra me atormentar, céus!

No bar da esquina no fim do expediente, lá estava ela tomando sua gelada a minha espera, entrei e lá ficamos algumas horas bebendo. Por mais incrível que possa parecer, cada uma seguir para sua casa depois, sem prolongar nada, sério que esse tipo de amizade existia? Desconhecia tal coisa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Do Rascunho a Redação de uma Revista Qualquer

Estava sentada em frente ao computador fazendo um currículo, que coisa mais clichê, quanto tempo eu não sabia o que era procurar um emprego, vai ver nunca tive um de verdade.
Só sei que sai batendo de redação em redação, de algo esses rascunhos deveriam me servir, fui com a cara e um gole de coragem.
3 grandes jornais agendaram entrevistas que não aconteceram e uma revista estava precisando de alguém para manter o site sempre atualizado, bom me contrataram, sem contar os e-mails de amores não correspondidos que eu tinha que responder e selecionar alguns para serem publicados, mas estava bom, pagavam bem ao menos e já haviam ouvido falar de alguns rabiscos meus publicados em revistas ou sites sobre romances eróticos, mas o livro mesmo nunca saiu, talvez nem sairá mais.

Primeiro dia de trabalho, vans, jeans, camiseta gola v e uma camisa xadrez pra enganar o frio, mochila nas costas e vamos lá. Mesa com um computador e espaço pra um note, canetas e bloco de anotações, site todo bagunçado, caixa de e-mail estourando. Pelo visto o trabalho ali seria bem gostoso, só tinha um porém, eu odiava trabalho (risos).
De cara uma reunião de pauta, ok lá vou eu com o celular apenas. Vejo todos com bloquinhos e canetas e escrevendo tudo que o editor chefe dizia, eu apenas ia brincando de tirar foto, redes sociais e já estava com o e-mail da redação no celular, lendo todos que eu achava com um assunto interessante, de repente:
- Jovem o que estava fazendo que não larga esse celular, poderia prestar atenção a reunião?
Eu só esqueci de mencionar um detalhe, era um editora chefe, cabelos lisos e longos, preso com uma caneta que foi para apontada pra minha cara, aquela perfeição dando ar de serenidade a sua expressão de brava, saia, decote formado por um botão aperto da camisa, realmente eu não sabia porque estava mexendo no celular e não olhando pra ela.
- Ééé... nada estava apenas tentando colocar os e-mails dessa redação em dia, essa caixa de entrada tem 5 mil e-mail, como coube tudo isso?
- Nem queira saber, apenas responda-os. Mas primeiro, preste atenção na pauta.
- A senhora que manda.
- Senhorita moleca!
- Ok, foi mal ae.
Fim da reunião... Só ficou eu na sala pra uma conversa "intimista" com a chefe:
- Se você esta pensando que isso é a sala da sua casa, fique sabendo que não é, te conheço e não é de hoje, mas obviamente você não lembra de mim né, enfim. Essa redação é coisa séria, trate de levar a sério se não é rua.
- É, imaginei que me conhecesse mesmo, mas não tem problema, pode ter certeza que muita coisa mudou, obrigada pelo voto de confiança.
- É eu percebi as mudanças, parabéns! Espero que tenha largado velhos hábitos.
Sai aos risos e tive que encarar a fisionomia de todos com olhar de poucos amigos pra mim, mas eu estava tão bem que nem liguei, tratei de começar a trabalhar.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Dia do Rock

Indignada com uma pancada de coisa, cansada de ficar parada, resolvi dar movimento, voltar a alguns hábitos. Dia do rock e a ultima coisa que eu queria era um lugar que tocasse isso, estava de boa de trombar com pessoas que eu queria esquecer, então surgiu um convite diferente, pensei que seria tranquilo, mas esqueci de que tenho conhecidos que curtem outros estilos de música, enfim... Deu na mesma.
Aquele passado que você nem lembra mais, que nem fez importância amontoado num mesmo lugar, cada passo um esbarrão diferente, cansa viu, caralho de vida. Mas dai acontece tudo que você fugiu, é, ela estava radiante, como sempre.
Confesso que assusto quando vejo que as pessoas melhoram muito com o tempo, uns drinks aqui, outros ali, eu só fitava ela bebendo. Quando olhei o outro lado, aquela morena filha da puta estava ali, foi quando resolvi dar atitude ao meu olhar.
Uma saída ao deck fumar, um drink a mais, ela veio me cumprimentar:
- É feio fingir que não conhece.
- Ah, que isso, você esta com suas amigas, eu estou aqui na boa, então você sabe como é.
- Sei bem como você é, relaxa. Tudo bem?
- Bem, bem melhor agora e você?
- Também, muito melhor agora. Não imaginei te encontrar aqui, justo aqui. Você odeio qualquer ritmo que não seja rock (risos).
- Pois é né, vai ver o rock me levou a falência, se é que me entende (risos).
Entre risos e drinks a noite se foi, hora de ir pra casa, pela primeira vez cada um para o seu lado. Mas dai né, sempre tem que dar algo errado na hora de ir embora, não da pra sair na moral, tsc tsc tsc...

- Sai daqui seu ridículo, eu nem falei com ela porque esse piti todo?
Já deu pra sentir né? Minha morena estava brigando com o cueca dela, olha que irônico, por minha causa...
- Aproveita que ela ta passando ai e vai junto, VADIA!
- Pera ae mano ficou maluco? Vai sair xingando sua mina assim? Ta afim de apanhar?
- Tava demorando pra você vir comprar essa briga né, sua filha da puta?
- Parem vocês dois que merda, eu odeio vocês!
Ela se virou e saiu andando, eu fiquei parada esperando o cueca ir atras, mas acho que ele pensou igual eu, quando fui me retirar ele veio pra cima de mim:
- Onde você pensa que vai?
- Não te devo satisfação, seu merda!
- Atras dela você não vai não!
- Não tenho culpa da saída ter um caminho só, meu tu é sempre burro assim? Cansa essas merdas viu, a mina ta com você não comigo, para de graça, para de criancice, antes que eu seja obrigada a ir atras dela oferecer colo, porque você é um bosta que não sabe dar valor.
- Como é que é?
- Ainda por cima é surdo, caralho mano. Me cansei.
Me virei pra sair e vi que ela estava atras dele ouvindo tudo e rindo, não me contive ao olhar par ela, um sorriso de canto de boca se esboçou muito forte, junto a tentativa de um soco.
- Você não vai encostar a mão nela. - Gritou minha morena.
- Nela não, mas em você eu vou.
Quando ouvi aquilo só tive um instinto, entrar na frente e segurar o cueca filho da mãe, olha aquilo renderia uma boa briga, mas eu apenas segurei a mão dele e disse:
- Vaza daqui mano, vaza antes que a gente vá parar numa delegacia por homicídio, porque se você continuar aqui eu fodo minha vida, mas você morre.
- Morrendo de medo de vocês vadias.
- Não é pra ter medo, eu só to falando o que vai acontecer.
- Vem me matar então.
A minha sorte era que ele estava bêbado, então vocês já sabem né, ficam meio molengas. puxei o braço dele pra baixo pra cabeça bater em uma pilastra no meio do caminho, pena que não pude terminar, os seguranças chegaram antes e colocaram os três para fora. O cueca saiu de ambulância, sei la que fim deu em, só sei que me arrependi de tudo:
- Obrigada!
- Na próxima conheça melhor as pessoas com quem você se relaciona, você merece alguém que te de valor de verdade.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Rascunho Sem Importância

Era obvio que ela responderia não, era obvio que eu não demonstrava nenhuma segurança. Era tão obvio que eu não entendia o motivo da minha tentativa, nada nunca daria certo, eu teria que mudar muito ainda para conseguir demonstrar a ela o que sentia e do que era realmente capaz. Mas não se muda uma personalidade, apenas se trabalho em cima do que se tem, mas o que eu tinha?
Nada, era essa a minha conclusão depois de um não e outro tapa na cara. Vai me diz, porque adoram me estapear? Ok, sem respostas, melhor a incerteza de um ato do que o contrario.


Assim a vida passaria, ela com aquele cueca, eu com nada nem ninguém. Afinal aquela faxina me levou as últimas ideia de qualquer rabisco que emplacaria algo realmente bom de minha autoria. Começar do zero? Sim, mas antes uma dose de pinga pra esquentar porque essa cidadezinha do interior esta acabando com meu corpo.


Fim de tarde, frio, nuvens, lua, estrelas, linda noite para boas ideias, porém só saiam as burrices que cometi com a minha morena, decidi então que começaria do zero retratando tudo que passamos até aquela data e que deixaria em aberto o fim da história, pois acreditava que ela não havia acabado, afinal vai que o cara não da conta do recado, ela se cansa dele e tudo volta ao normal?!


Mal sabia eu que esse fim poderia chegar muito antes do que eu poderia imaginar ou calcular.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Tão Esperado Pedido

Ficar ali parada esperando a vida dar outra reviravolta não melhoraria meu humor em nada, eu estava intragável, nem o cigarro gostava mais de mim, estava decidido, hora da faxina.
Caixas e sacos de lixo espalhados pelo apartamento, contrastavam com as coisas em ordem, rascunhos no lixo, livros em caixas, presentes em caixas, algumas roupas em outras para doação, assim a minha faxina dava resultados positivos, meu apartamento estava mais limpo.
Ao final de tudo, sai para dar o destino correto a cada caixa, quando deixei a ultima em uma igreja para doação, voltei para o carro, olhei pelo retrovisor, meu reflexo abatido, decidi mudar o visual também, comprar umas roupas novas e claro, um skate também, estava com saudades de me ralar. Se eu tinha ou não idade, eu não sabia mais, eu só sabia que queria sair por ai sentindo a liberdade bater no peito.
Depois de um banho na alma e no corpo, voltar ao apartamento não era bem os meus planos, decidi e me convenci a comprar o bendito skate, mas eu não sabia que ir a uma loja do tipo me faria sair correndo.
Entrei na loja, feliz, empolgada, quando paro para escolher o skate ela entra para escolher qualquer coisa, passou por mim eu não percebi, ela me viu e veio falar comigo, quando senti uma mão em meu ombro me virei assustada:
- Calma, sou eu. Que legal vai voltar a andar?
- Não pode ser. 
Me virei para o vendedor, agradeci e sai correndo da loja, direto pro carro e ela ficou olhando até sentir vontade de vir atras. Entrei no carro, liguei e quando estava saindo ela abriu a porta do passageiro e entrou também, inferno:
- Por que você saiu correndo assim?
- Você me disse para te esquecer, não te procurar mais que sua vida tinha mudado, na verdade sei lá o que você me disse, eu já esqueci, eu já te esqueci. Agora me diz você, por que veio falar comigo? Que porra! - Nesse instante travei a porta e arranquei com o carro.
- Para esse carro, você não esta em condições de dirigir.
- Eu sei muito bem o que to fazendo, então só abra a boca para responder minha pergunta.
- GROSSA, ESTUPIDA, RIDÍCULA, MAS QUE CARALHO.
- Responder a merda da pergunta, é tão difícil assim?
- Eu fui falar com você porque te vi feliz, fiquei feliz por te ver assim, você estava toda estranha, fiquei com medo de você fazer algo errado de novo.
- Você preocupada comigo? Se estivesse tão preocupada assim voltava pra mim.
Um silêncio prevaleceu dentro do carro, ficou difícil conter as lágrimas e elas começaram a escorrer, eu a deixei na casa dela que era caminho da minha, ela desceu sem dizer nada e eu fui sair, ouvi ela gritar:
- ESPERAAA!
Parei o carro, estacionei, desci e voltei. Chorando disse:
- Para vai, eu vou sair de vez da sua vida, esquece tudo isso, eu te amo, mas esquece.
- Para de chorar, eu também te amo.
- Volta pra mim?
- Não posso, nossas vidas tomaram rumos diferentes, ficou só o carinho.
- NÃO. Porra, eu te amo, você acabou de dizer o mesmo, nada nos impede de ficar juntas, acorda, sou eu quem vai te fazer feliz.
- Prova!
- Então vem.
Puxei-a pelo braço, entramos no carro, uma parada em uma loja, um presente escondido no bolso da calça e fomos direto pra um lugar calmo, tranquilo. Descemos e começos andar ali por perto, perto da natureza, ela estava radiante:
- Por que me trouxe aqui?
Ajoelhei na sua frente, peguei sua mão e comecei:
- Você vive me dizendo pra provar que o que sinto por você é verdadeiro, vive me pedindo provas de amor, desculpa. Não tenho muito a te oferecer, são palavras que em outras épocas já foram proferidas, te amo eu já disse pra outras pessoas, mas nunca senti nada assim com ninguém, era da boca pra fora, amor verdadeiro eu encontrei ao seu lado. Quando eu digo que estou de quatro por você, é verdade, sou loucamente apaixonada, sinto o que sempre repudiei sentir, falo do que sempre senti ódio em dizer, mas dizem que o ódio é o oposto do amor, então te odiando ou não o importante é que no fundo eu te amo.
Tirei uma caixinha do bolso da calça, abri virei para ela e completei:
- Só posso provar meu amor por você assim, então casa comigo?