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quarta-feira, 28 de maio de 2014

A Falta da Realidade

Eu fechei os olhos tentando sonhar com algo bom, mas a todo momento eu me lembrava da nossa briga e dos tapas e xingamentos. Eu me lembrava a quão ridícula fui e como isso prejudicou tudo, eu só queria ficar com você, não queria te dar adeus ou dizer até logo, depois resolvemos tudo, isso não existe.
Foi um telefonema fora de hora, uma tentativa em vão. Tocou até cair na caixa postal, nada de mensagens, já passei dessa faze. Tentei ir atrás de você, mas descobri da pior maneira que deveria ter ficado quieta na minha.

Você estava naquele café que adora, tomando seu cappuccino com chocolate, comendo um pão de queijo quentinho, ele até estava fazendo como eu, assoprando os pedacinhos antes de dar para você comer para que não queimasse a boca, ele parece te conhecer melhor que eu, só estava esperando a vez dele de te fazer feliz. Eu havia perdido, entrei, comprei cigarros, você me viu, ele notou algo estranho e eu cai fora.
Algo me diz que se fosse em outra época você até viria atrás, implorando para eu não sumir ou fazer algo que nos prejudicasse, mas naquele momento, você não podia mais fazer nada, estava tentando da melhor forma seguir sua vida e me esquecer, como havia dito que faria (eu só não pensei que fosse tão rápido assim).

Eu sai na boa, parei em casa para tomar um banho e me trocar, queria reencontrar amigos se é que isso ainda era possível nesses tempos de hoje, me arrumei e fui para um Pub que havia na cidade, estava tudo diferente, mas as pessoas que frequentavam lá ainda eram as mesma, acho que a única coisa boa era isso, eu poderia conseguir os reencontros com amigos que queria.
O primeiro DJ começou tocando um house bem tranquilo, a banda do bar cantava Cazuza e isso me soava tão gostoso, estava me sentindo na sala do meu apartamento. Logo os casais começaram a chegar e isso me causou um pouco de inveja, vê-los felizes e se beijando me dava saudade da minha morena, mas eu tratei logo de olhar para outro lado, onde havia duas meninas conversando e olhando pra mim (aquela coisa de mulher, uma olha comenta a outra olha e diz se aprova ou as vezes isso da tão errado que só nos faz passar vergonha). Ela não tirava os olhos, até a amiga estava se incomodando com a situação, assim como quem não queria nada ela veio caminhado na minha direção, passou pelo bar e pegou duas cervejas, chegou até mim:

- Toma essa comigo?
- Claro que sim, obrigada.
- Você já veio aqui antes? Não me lembro de você!
- Vim sim, mas faz muito tempo isso, hoje vim aqui para reencontrar amigos ou ao menos tentar, mas vejo que já encontrei algo melhor.
- Opa, opa, calma ai, é só uma bebida.
- Você fuma?
- Sim, porque?
- Vamos pra área de fumante então?
- Tudo bem.
- Se quiser chamar sua amiga, pra ela não ficar sozinha eu não me importo.
- Sério?
- Lógico, afinal você veio com ela e não comigo (risos).

Fomos para a área de fumante que não era muito grande, mas era mais confortável do que de outros lugares que já havia ido, fumamos um cigarro enquanto as duas falavam um pouco de si, o que faziam da vida, essas coisas que considero chata quando não estou afim de nada sério com alguém.

- E você o que faz?
- Bom eu tenho um emprego norma, uma vida normal, fazia tempo que não saia sozinha e estou estranhando tudo isso. Mas até agora normal também.
- Terminou um namoro recentemente?
- Digamos que sim.

Essa indagação me fez lembrar tudo que vivi, momentos naquele Pub juntas dela, mas logo tratei de afastar esses pensamentos de mim, olhei para o lado e vi alguns amigos e tratei logo de despistar aquelas duas.

- Já volto meninas, vou ali cumprimentar uns velhos amigos.
- Tudo bem, estamos te esperando. (É aquele momento famoso que você vai e não volta mais).
- E ai cara quanto tempo, como vai a vida?
- Não acredito que você esta aqui, quanto tempo cara. Eu to bem sim e você e sua mina?
- Eu to bem, ela ficou em casa.
- Conta outra vai, você não sabe mentir.
- É cara, agora parece ser pra valer, rompemos e ela até ta saindo com outro cara.
- E você não perdeu tempo também né, tem duas minas ali que não param de olhar pra você, qual delas você ta pegando? Divide com os amigos poxa (risada).
- Na verdade to querendo despistar, topa?
- Demoro, pego bem quando você faz isso, simbora.

Saímos sem elas nos notarem (o que um minuto de distração não faz com a pessoa hein?!), fomos para outra área da casa onde estava rolando um pop rock animado, a galera dançando e cantando todas com a banda, peguei outra bebida e fiquei ali com meu amigo conversando e colocando o papo em dia, até ele pedir minha ajuda pra conseguir ficar com uma mina da casa.

- Aquela mina ali veio, ela é linda demais, deixa ela virar que você vai ver. – Ela virou, eu vi e quase desmaiei, era um dos meus rolos antigos da época de putaria quando não namorava, não podia acreditar que isso estava acontecendo de novo.
- Véio você vai me desculpar, mas eu não vou poder te ajudar se não eu vou ferrar sua noite, eu já fiquei com essa mina, tive um caso com ela antes de namorar e tudo mais, maior rolo e na moral, to de boa de trombar e trocar ideia com ela essa noite, então fica a vontade e vai fundo.
- Você e sua sinceridade, valeu mano. Eu vou lá, a gente se tromba ai.

Ele saiu eu dei uma volta e pude ver, dançando bem em frente ao palco uma guria linda de cabelos curtos, com alargadores e tatuagens, mas totalmente feminina. Ela rodopiava em um curto espaço e cantava se entregando a música e ao momento, eu apenas fiquei do bar olhando, não cheguei perto.
Ela estava sozinha, a música terminou ela saiu e veio na minha direção, quero dizer, na direção do bar onde eu estava. Pediu uma bebida e ficou observando a banda tocar de longe, ainda cantando todos os sucessos tocados por eles, ela deve ter ficado ali ao meu lado uns 30 minutos. Quando me virei para sair, ela olhou e foi atrás, mas não chegou perto, só foi fazer como eu, observar.


Eu fui para a área de fumante onde não tinha ninguém, pois todos os ambientes da casa estavam rolando boa música para todos os públicos, as duas malucas falantes tinham desaparecido, ela linda menina me seguiu até a área de fumante onde pediu meu isqueiro emprestado, apenas, não puxou assunto nem nada, foi pro canto dela e curtiu seu cigarro me observando. Aliás ficamos os dois um olhando o outro sem dizer uma palavra, apenas nos estudando para saber o próximo passo a ser tomado. O próximo passo foi a ida para a casa, pois aquele lugar a todo momento me fazia lembrar dela, eu não estava bem ali, faltava ela ao meu lado para me fazer rir e conversar.