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domingo, 31 de março de 2013

Ela sentou-se a mesa, acendeu um cigarro e encheu o copo com vinho tinto suave. Me encarava pelas costas sem dizer uma palavra:
- Amor, traz um copo de água por favor?
- Está aqui seu copo com água. - Ela o jogou na minha cara e logo em seguida arremessou o copo contra a porta do apartamento.
- Tá ficando louca? Por que fez isso?
- Sua filha da puta, por que você mentiu?
- Eu o que?
- É por que mentiu, o que eu te fiz para você mentir assim?
- Do que você está falando?
- Disso. - Ela me entregou um envelope, com fotos de alguma festa, bar, algo assim, não sou distinguir.
- Fotos velhas, nós não estávamos juntas mais, você está casada com aquele filho da puta.
- Mas você disse que depois de mim não se envolveria com mais nenhuma mulher e olha o que você fez, mentiu para mim.
- Não menti, eu não namorei nenhuma delas, eu apenas estava afogando as mágoas de algo que eu não sabia ao certo.
- Algo que não sabia ao certo?
- Sim, eu não sabia se sentia saudade ou ódio de você pelo que fez.
- Mas eu não fiz de....
- CALA A BOCA! Que não fez, ta com amnésia por acaso, esqueceu que você saiu daqui para se casar com um cara que você dizia amar, me pediu para nunca mais te procurar. Naquele momento todas as nossas promessas foram quebradas.
- Então agora a culpa é minha?
- NÃO, é minha por te amar.
Ela ficou com silêncio, pulou no meu colo, caímos no sofá, ela me beijava com força, me apertava, deslizava sua mão por mim. Fomos para o quarto, a roupa ficou no sofá, ela tentava me chupa e eu não deixava, a joguei na cama, escorreguei um pouco para baixo e comecei a chupa-lá, ela se retorcia na cama, pedindo com mais força, mais rápido, me dominando como sempre.
Subi até ela coloquei minha mão na boca dela abafando sua voz:
- Cala a boca, eu sei o que tenho que fazer porra.
- Então faz, caralho.
Ela voltou a se contorcer na cama, gritava, gemia, puxava meu cabelo e quando não aguentávamos mais, ela ainda tinha a pachorra de pedir mais, mais rápido e forte.
Caímos exaustas na cama, ela deitou-se em mim e dormiu.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Não querendo ser feminista, mas sendo. Descobri que o lado de baixo é bom, mas estar por cima e acompanhar todo o desenrolar da história não tem preço. Vai ver é isso que despertou a curiosidade dela, o querer saber como é o outro lado.
O carinho ficou diferente, a mão ficou mais pesada, o lábio mais denso, os beijos intensos  o toque quase uma erupção.
Ela percorria um corpo conhecido, mas ao mesmo tempo novo ao seu olhar.
Ela não sabia ao certo por onde começar, queria tudo de uma vez só, eu bem que tentei acalma-la, mas a sede dela não me deixa respirar.
Ela apertava, mordia, arranhava.
Toda vez que eu tentava inverter a situação, ela me pegava mais forte.
Eu estava gostando da brincadeira, do desconhecido.
Ela estava com uma cara inconfundível, a do desejo, tesão.
Insaciável, maléfica.

Deitamos uma ao lado da outra sem conseguir respirar, ela levantou preparou uma bebida para mim, pegou algo na bolsa e foi para a sala. Eu fui atrás dela e a peguei fumando e bebendo, caímos na risada e ficamos largadas no sofá, fumando, bebendo e conversando, nos descobrindo ainda mais.
Não demorou muito a pegar no sono, a levei para a cama e deitei também.

- Amor, acorda. Vamos tomar um banho antes de você ir.
- Hmmmm.... Bom dia amor (smack)
- Dormiu bem?
- Muito bem.
- Banho juntas?
- Ah, sim claro.

No banho era inevitável não reparar na água escorrendo pelo seu corpo, não havia nada de novo ali, mas aquele corpo perfeito me encantava e toda vez parecia que eu o vi-a pela primeira vez.
- Vai ficar me olhando e não vai entrar no banho?
- Ah, desculpa. É que não consigo parar de admirar sua beleza.
- Beleza que só você vê.
- Que bom, só eu preciso ver mesmo.
Ela me encostou na parede, segurou o meu rosto e perguntou no meu ouvido:
- Quando vai assumir que me ama?
- Quando você também fizer o mesmo!

O Lado de Baixo

Odeio me mudar, mas existem momentos que isso torna-se quase uma obrigação levando em consideração vários fatores nem sempre bons. Com essa obrigação, embalei minhas poucas coisas, coloquei no carro e fui seguindo o caminhão com os móveis até o novo apartamento.
Não havia mais praça alguma de frente para a sacada, não havia nem sacada, era um apartamento pequeno, sala com cozinha americana, quarto com suite e banheiro social (pelo menos isso), meus poucos móveis couberam perfeitamente no lugar, ficou parecendo um apartamento planejado.
As garrafas ganharam um lugar de destaque aos meus olhos, o cinzeiro ficou mais negro do que de costume, a pilha de livros ficou maior, os rascunhos agora tinham lugar, o computador ficava no quarto, o caderninho e a caneta na mesa de centro (no canto) da sala.

Me sentei perto da janela da sala, ao menos ela era grande e ventilava bem o local, acendi um cigarro e fui observar a nova paisagem, a minha frente nada além de outro prédio e outras pessoas com suas vidas medíocres e hipócritas, ninguém interessante para ser observado, apenas um fato curioso, havia um menino a uns 3 andares abaixo com um binóculo, acho que me ele me olhava, mas loco desviou para o apartamento de cima, então só pude ouvir "Vai se foder moleque abusado!"
Aquilo parecia mais um cortiço do que um condomínio, mas era o que eu podia pagar no momento, sem emprego de novo, escrevendo muito raramento contos e vendendo a jornais, eu me considerava falida demais para continuar morando no mesmo lugar.
Empregos me apareciam, mas existia algo que me prendia dentro de casa, nenhum analista conseguia entender, não era depressão, era falta de amor.

Conhecer pessoas novas não estava sendo bom, quanto mais novidade mais saudade do velho eu tinha, até que a vizinha de cima bateu a minha porta:
- Oi tudo bem?
- Oi!
- É você sabe trocar pneu? O meu furou e estou com um pouco de pressa para ir trabalhar.
- Acho que a senhorita bateu na porta errada, não deveria chamar um homem para fazer isto?
- Não, dispenso! Você poderia?
- Ok, vamos lá.
Eu não entendi nada do que acabará de acontecer, ela bateu a minha porta e teve sorte de eu saber fazer isto, porque confesso, até aprender leva tempo.
- Pronto, está trocado, a senhora só precisa calibrar o pneu.
- Tudo bem faço isso no caminho. Toma, obrigada.
Ela deu na minha mão uma nota de 50 reais, imediatamente devolvi:
- Senhorita não precisa. - Dei as costas e subi, ela ficou me olhando, acho que no fundo analisando que tipo de pessoa eu seria, porque afinal o pneu dela não estava furado, estava ótimo, mentir ao menos ela é péssima.

A noite chegou solitária como sempre, uma chamada perdida no celular, um interfone tocando pela terceira vez, um porteiro ainda perdido comigo, mas deixei a pessoa que me esperava entrar. Fazia tempo que algumas coisas não aconteciam, não havia porque manda-la embora, afinal aquela morena mexia comigo, era inexplicável.
- Boa noite, trouxe vinho para o nosso jantar.
- Boa noite, eu tenho uma ideia melhor para ela, podemos ir?
- Onde vamos?
- Surpresa.
Saímos no carro dela, eu indicava o caminho e ela ia...
- Novidades meu amor?
- Não nenhuma, confesso que estou assustada com a sua presença, lembrou de mim morena?
- Eu sempre lembro, não te procurei antes porque algumas coisas chatas andaram acontecendo, mas esquece, isso não é interessante a nossa noite.
Indiquei um restaurante a ela, ela estacionou e entramos, o lugar era lindo, meia luz, velas e mesas postas a dois. O restaurante era especializado em massas, um bom vinho para acompanhar e ali ficamos, saboreando o jantar, conversando.

Ela me levou para casa, entramos e fomos ao banho, nem um toque. Ela me olhava com ar de quem queria e ao mesmo tempo não, eu odiava quando ela fazia isso, mas no fim era bom.
Um beijo na orelha, uma mordidinha, um carinho nas costas com a mão, uma mão deslizando sobre o corpo da outra, uma boca desvendando o gosto do corpo alheio.
Saímos do banho e fomos para o quarto, a cama não ajudou muito, fez um barulho como nunca havia feito antes, ela ria, gemia, gozava, tudo ao mesmo tempo. Ela pedia mais, com mais força, com mais carinho, com mais beijos, mais língua...
Me jogou na cama e fez o que nenhuma mulher ousou fazer até então, me chupou, me acariciou, me fez gozar e me fez ama-la como nunca havia acontecido.
Eu estava mais do que hipnotizada, até então eu havia sempre tomado conta da situação, mas ela virou o jogo.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Será que eu fiz tudo que estava ao meu alcance?

Ela usava uma roupa normal, nada muito chamativo, bebia e cantava todas as músicas. Aquela copo nunca ficava vazio, sempre alguém estava lá de prontidão para enche-lo, haviam muitas pessoas querendo ver ela "sair do corpo", cheio de abutres em volta, esperando a hora certa.
Eu observava de longe tudo aquilo, sentada em uma mesa comendo uma porção e bebendo minha adorável cerveja. Ela começou a dançar, sem querer provocar, mas era inevitável, uma mulher linda como aquela não chamar atenção ou provocar alguém. Rodopiando pelo salão, com seu inseparável copo, percebi no dedo uma aliança de prata, não demoraria muito até a outra pessoa chegar ali e formar um barraco.
De repente entra um cara todo perturbado, nervoso a pega pelo braço e leva para o lado de fora, discussões, berros, tapas. Eu havia saído para fumar e ver onde aquilo terminaria.
Ele jogou a aliança nela e foi embora, sem levantar a mão para ela, enquanto a mesma havia feito o contrario. Ela chorava, bebia, cantava e dançava o mesmo tempo que mandava a merda quem estava olhando e falando dela.

- Vem comigo.
- Quem é você?
- Alguém, vem?
- Tudo bem.
Ela veio, sentou-se ao meu lado e continuou bebendo, mas dessa vez calada.
- Quer sair daqui?
- Quero sim - Falou enquanto usava um guardanapo para limpar as lágrimas do rosto.
- Por que está me ajudando?
- Porque já passei por coisas assim.
- Já esteve no meu lugar ou no dele?
- Acho que nós dois e em situações bem piores, acredite.
- Eu acredito.
- Quer que eu te leve para casa?
- Não, ele mora comigo, não quero vê-lo.
- Vamos tomar um café então?
- Sim, pode ser.

A levei pra casa, fiz um café, dei uma camiseta para ela se trocar após um banho. Tomamos o café, sentamos no sofá para conversar e ela acabou pegando no sono, levei-a para a cama e fiquei observando e pensando coisas de casal, bateu saudade de alguém que já estava em outra, vivendo a sua vida, vai ver nem se lembrava mais de mim, eu aqui ainda pensando em como seria se estivéssemos juntas.