Aquela carta me fez sentir ódio, cada vez eu tinha ainda mais certeza de que a pessoa que me escreveu sentia prazer em me ver errando, me ver sozinha. Aquele ódio todo me fez sair de casa, pegar o carro e ir atrás da filha da mãe, lógico que a conversa não seria muito boa.
Chegando na casa dela eu a vi saindo com um cara, segui eles de carro, estavam indo para uma lanchonete, fui atras, entrei, me sentei em uma mesa próxima, deixando ela me ver. Quando ela me viu ali, parecia que estava nervosa, derrubou o copo de refrigerante em cima do namorado, ele saiu para se limpar e ela veio até onde eu estava sentada:
- O que você faz aqui?
-Olá, boa noite, eu to bem e você?
- Sem graça, eu estaria melhor se você não estivesse aqui.
- Já que diz isso, porque me mandou essa porcaria? - Nesse momento eu joguei a carta na cara dela e ela ficou me olhando assustada.
- Eu não mandei isso pra você ta ficando louca, essa letra nem é minha, eu te odeio eu to bem como eu to, você viu, eu te odeio, some da minha vida. Alias você já deveria ter sumido a muito tempo.
- Então se não foi você... Droga, idiota, como sou burra.
- Não você não é burra, pelo que ta escrito, que eu vi mais ou menos, fez parecer que fui eu, mas eu juro que não foi. Você sabe que eu te amo, mas a gente não tem mais nada a ver, vai atrás da pessoa certa e faça certo uma vez na sua vida.
Como eu queria que ela não tivesse falando aquilo e ali, mas agora já era tarde, o namorado havia escutado tudo.
- O que você disse, que ama essa filha da puta? Eu pensei que isso havia ficado no passado. Sua ordinária.
- Amor não é isso, eu disse que o que eu sentia por ela passou, você entendeu errado.
- Pera ae meu, quem você pensa que é pra chamar ela assim, ela te ama seu otário, aprende a dar valor nessa mina, é maravilhosa. Se toca!
- Olha aqui...
Pronto, como eu disse já era tarde né... Um soco me fez ver o chão, nada muito agradável, em outras épocas eu levantaria e brigaria, mas nesse caso eu levantei e fui embora chamando o cara de imbecil, porque ele realmente foi um, se formos pensar.
Entrei no carro e fui atrás da pessoa certa, mas sem sucesso ela não estava, então pensei em alguns lugares que ela poderia estar, fui atrás.
Não encontrei ninguém, voltei pra casa e tentei ligar pra ela, nada também, deixei dois recados na secretária, mas sabia que ela não retornaria, enfim, eu tentei.
Abri uma breja, sentei na sacada e fiquei olhando o nada e pensando na merda que fiz, celular na mão, vontade de joga-lo longe, mas não o fiz. Ela havia saído de vez da minha vida, mais uma vez eu havia feito tudo errado de novo, dessa vez com um olho roxo pra finalizar como antigamente.