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sábado, 16 de junho de 2012

Nem Tudo Que Parece Realmente É

Aquela carta me fez sentir ódio, cada vez eu tinha ainda mais certeza de que a pessoa que me escreveu sentia prazer em me ver errando, me ver sozinha. Aquele ódio todo me fez sair de casa, pegar o carro e ir atrás da filha da mãe, lógico que a conversa não seria muito boa.
Chegando na casa dela eu a vi saindo com um cara, segui eles de carro, estavam indo para uma lanchonete, fui atras, entrei, me sentei em uma mesa próxima, deixando ela me ver. Quando ela me viu ali, parecia que estava nervosa, derrubou o copo de refrigerante em cima do namorado, ele saiu para se limpar e ela veio até onde eu estava sentada:
- O que você faz aqui?
-Olá, boa noite, eu to bem e você?
- Sem graça, eu estaria melhor se você não estivesse aqui.
- Já que diz isso, porque me mandou essa porcaria? - Nesse momento eu joguei a carta na cara dela e ela ficou me olhando assustada.
- Eu não mandei isso pra você ta ficando louca, essa letra nem é minha, eu te odeio eu to bem como eu to, você viu, eu te odeio, some da minha vida. Alias você já deveria ter sumido a muito tempo.
- Então se não foi você... Droga, idiota, como sou burra.
- Não você não é burra, pelo que ta escrito, que eu vi mais ou menos, fez parecer que fui eu, mas eu juro que não foi. Você sabe que eu te amo, mas a gente não tem mais nada a ver, vai atrás da pessoa certa e faça certo uma vez na sua vida.
Como eu queria que ela não tivesse falando aquilo e ali, mas agora já era tarde, o namorado havia escutado tudo.
- O que você disse, que ama essa filha da puta? Eu pensei que isso havia ficado no passado. Sua ordinária.
- Amor não é isso, eu disse que o que eu sentia por ela passou, você entendeu errado.
- Pera ae meu, quem você pensa que é pra chamar ela assim, ela te ama seu otário, aprende a dar valor nessa mina, é maravilhosa. Se toca!
- Olha aqui... 
Pronto, como eu disse já era tarde né... Um soco me fez ver o chão, nada muito agradável, em outras épocas eu levantaria e brigaria, mas nesse caso eu levantei e fui embora chamando o cara de imbecil, porque ele realmente foi um, se formos pensar.
Entrei no carro e fui atrás da pessoa certa, mas sem sucesso ela não estava, então pensei em alguns lugares que ela poderia estar, fui atrás.
Não encontrei ninguém, voltei pra casa e tentei ligar pra ela, nada também, deixei dois recados na secretária, mas sabia que ela não retornaria, enfim, eu tentei.
Abri uma breja, sentei na sacada e fiquei olhando o nada e pensando na merda que fiz, celular na mão, vontade de joga-lo longe, mas não o fiz. Ela havia saído de vez da minha vida, mais uma vez eu havia feito tudo errado de novo, dessa vez com um olho roxo pra finalizar como antigamente.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma Carta Sem Remetente

A noite chuvosa só me resultou em uma coisa, resfriado. Mas dessa vez, ele veio me derrubou e eu não tinha vontade de fazer nada, minha rotina havia acabo, o sentido de algumas coisas também.
Então a campainha tocou, era o porteiro me trazendo as correspondencias, peguei-as e apenas uma me chamou a atenção por estar em um envelope de carta comum, sem selo ou identificação, apenas o meu nome escrito nela:
- Espera, quem mandou essa carta, você sabe?
- Uma moça deixou na portaria disse que era pra senhora.
- Que moça, como ela era?
- Desculpe senhora, não me recordo.
- Tudo bem, obrigada.
Fechei a porta do apartamento, joguei as outras cartas na mesa e abri a que me interessava...

"Existem sentimentos que nem o tempo explica porque sentimos, existem momentos que o tempo não apaga e tudo faz lembrar.
São momentos marcantes em nossa vida, difíceis de serem explicados, apenas quem viveu algo parecido sabe como é lembrar isso tudo, sabe o que é sentir e sabe também a confusão que isso causa.

Às vezes eu não queria que fosse assim, não queria que tivesse acabado e que nossas vidas tivessem tomados rumos tão diferentes. Eu sinto saudade do simples, do seu sorriso, das nossas bobeiras e de escrever para você, eu disse que eram apenas bobeiras, rs.
Eu sinto saudade de sair com você, de ir a lugares e ver todos olhando para nós com olhar de repulsa, eu sinto saudade de ficar deitada ao teu lado olhando pro nada, fazendo nada, apenas saudade de sentir o teu corpo próximo do meu e saber que nada irá separar ou atrapalhar a gente.

Mas então vieram os obstáculos, as mudanças de planos e hoje nos vemos assim, uma dizendo coisas para outra, coisas que talvez devêssemos guardar dentro de nós, por serem sentimentos existentes mesmo depois de tanto tempo.
Como pode algo assim ser tão forte, ser como é depois de tudo?

Eu queria ter resposta para o que sinto, para o que penso, mas eu simplesmente penso e sinto, não encontro motivo para isso. Nego até a morte quando me perguntam se ainda sinto algo por você, nego porque sinto e é forte, porém ninguém precisa saber o que se passa dentro do meu coração.
Canalhice ou não, eu não mando no meu coração.

Vai ver que queria apenas ter a oportunidade de falar isso olhando pra você ao em vez de escrever, vai ver nossa vida é uma eterna novela, que só terá fim quando soubermos o que fazer de nossas vidas e elas se separem de vez ou o contrario.
Mas para algo do tipo acontecer, temos que fazer acontecer né?! Ou será que no nosso caso não é muito necessário?!
Duvida, certeza mesmo eu só tenho de uma coisa, apesar de todas as coisas que me falaram sobre você e que eu vi acontecer, eu te respeito e te amo.
Afinal o amor é assim, deixa a gente meio burro."

Ao terminar deitei no sofá, fiquei olhando a lua ofuscada pelas nuvens ao lado de fora, uma boa música bem alta ligada e os pensamentos mais confusos do que nunca. Eu definitivamente não sabia o que fazer naquela ocasião.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Ou Vai Ou Raxa

Noite fria, apenas um pouco de bateria no note e algumas velas iluminando o apartamento e uma lua ofuscada pelas nuvens de um temporal, as árvores perdendo suas folhas a cada rajada de vento. Um verdadeiro clima romântico se não fosse caótico ver como estava à rua.
Fui obrigada a parar de escrever, bateria no zero. Decidi então pegar uma taça e abrir um vinho suave, com um cigarro a mão, pensei em fazer algo para comer, mas o bar na esquina de casa parecia me satisfazer ainda mais, peguei um casaco e sai na tempestade.
No bar a luz de emergência tornava aquele lugar quase um boteco de madame, ensopada de tanta chuva, me sentei e pedi algo para comer, um vinho para acompanhar. 
Ao terminar meu pseudo jantar, vi entrar no bar uma moça idêntica a minha morena, por um segundo pensei ser ela, mas logo vi as diferenças. Nesse instante senti meu corpo extasiado, coração fraco e a saudade me comprimir a ponto de me fazer sair correndo de lá.
Nesse instante deixei o dinheiro no balcão, querendo fugir o mais rápido dali, uma mão segurou meu braço:
- Você... É com você mesmo que eu preciso falar, me disseram que eu te encontraria aqui.
- Deve ser um engano moça. Desculpe-me.
- Engano? Eu diria que será uma tragédia se você não impedir minha irmã, sua morena. Não é assim que você a chama?
- Impedir quem?
- É ela está de malas prontas e aceitou o pedido de casamento de um merda aí, esse cara é um FDP, ela sabe, mas está tão triste que ligou o foda pra própria vida, CULPA SUA!
E era mesmo, cheguei mais uma vez a conclusão de que sou um monstro.
Ao em vez de ficar me culpando decidi que não perderia o amor da minha vida pra um cueca que não sabe fazer uma mulher sentir prazer, nesse quesito eu sentia orgulho em fazer e fazer bem feito, mas sem ela todo esse encanto se esvaia.
Saímos do bar e fomos a casa dela, tarde demais eles já haviam saído. Peguei o carro que nem meu era e sai ventando até a casa do filho da mãe.
Ela me atendeu, confusão formada, peguei-a pelo braço, joguei dentro do carro e saímos antes que o cueca viesse atrás:
- Para esse carro.
- Ainda não.
- Para agora! Eu te odeio. PARA ESSE CARRO!
- Eu encostei, desliguei o carro, virei para ela e disse, e eu... Bom, eu não vivo sem você, eu te amo pra cara... Muito. Mas que merda meu, olha o que eu to fazendo, a que ponto cheguei pra ficar com você e você aceita se casar com esse filho da...
- Cala sua boca sua FDP, o que você fez por mim?! O que você fez realmente? Largou os vícios? Arrumou um emprego de verdade? Colocou os pés no chão? NÃO!
- Porra, mas você também hein, tudo pra você é material, nosso amor não conta não?
-Conta muito, você não faz nem ideia do quanto, mas dinheiro para nos sustentar e sustentar os filhos que você tanto quer também fazem parte do amor. Cansei, eu vou me casar com ele sim e você vai sumir da minha vida.
- É pra eu sumir então, esquecer tudo que passamos?
- Como se fosse muita coisa né? Você logo encontra outra, como sempre.
- Não encontro você, então não preciso procurar por ninguém.
- Sem essa, não vou cair na mesma história de novo. Adeus.
Ela saiu do carro e eu fui devolve-lo para a dona, com lagrimas nos olhos me virei e sai andando na chuva, sem saber ao certo qual era o caminho para minha casa, para minha vida, eu sentia que não era o fim, mas eu não sabia.