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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Desculpas Por Não Estar Sempre Perto

Mônica entrou batendo a porta e veio na minha direção com uma cara de poucas amigas:
- Pra minha sala agora!
- Ta ok.
Entrei, ela meio desesperada com algo, então começou a falar:
- Não da mais pra mim. Desculpa, eu não sei mais separar o profissional do pessoal.
- Como assim? Esta falando de nós, como se fossemos um casal em crise.
- E pra mim somos mesmo, você ainda ama aquela maldita garota, ela sofreu um acidente grave, ta no hospital faz 3 semanas e é apenas sobre isso que você escreve em suas crônicas. Queria que eu me sentisse como? Eu te amo, eu quero você, quero fazer parte da sua vida.
- Eu só posso te pedir desculpas, as coisas não são como a gente quer, eu queria esquece-la, mas esta complicado.
- Precisamos parar com isso antes que eu acabe te prejudicando profissionalmente, a partir de hoje sou apenas sua chefe.
- Tudo bem, eu entendo.
Sai, me sentei e escrevi sobre isso, dediquei a crônica, imprimo e no fim do expediente coloquei a folha sobre a mesa dela, ela estava ao telefone e apenas acenou com a cabeça. Voltei para a minha mesa, juntei minhas coisas e passei no Rh pedindo a minha demissão e uma carta de recomendação, ela só ficou sabendo disso quando desligou o telefone e leu a crônica, eu já estava dentro do carro quando ela apareceu no estacionamento e entrou na frente do carro:
- Como assim?
- Só fiz o que era certo, não da pra misturar as coisas, também não quero te prejudicar profissionalmente e pessoalmente, já passamos por algo assim antes, lembra?
- E vai desistir de tudo que construiu aqui dentro? E a viagem do mês que vem? É importante pra você e pra mim, você não pode fazer isso!!!
- Já fiz, desculpa.
- Desce dessa porcaria de carro agora, sua filha da mãe.
Ela sabia como me tirar do sério.
- Quem você pensa que é pra falar assim comigo, perdeu a noção das coisas?
- Sou a pessoa que te ama e quer você bem, quer ver o seu sucesso.
Eu fui na direção dela e a beijei como nunca havia feito, peguei-a no coloco e disse:
- Desculpa, tenha um pouco mais de paciência comigo, eu realmente quero esquece-la, eu preciso continuar minha vida, eu preciso de você.
- Eu também preciso de você aqui e na minha vida. Vamos voltar vai, arrume suas coisas lá em cima de novo e eu falo com o pessoal do Rh.
- Tudo bem.
Eu voltei, arrumei minhas coisas e tudo ficou bem, depois disso fomos pra minha casa.
Um jantar, uma conversa, um beijo, uma pegada mais forte e acabou nisso, eu olhava pra ela e só conseguir ver o rosto de outra pessoa, outra briga e pelo visto seria assim por um bom tempo. Eu sabia que a culpa era minha, mas eu não conseguia tirar o ocorrido da cabeça, eu não conseguia parar de pensar, mas ir atrás eu também não queria.
Mônica foi embora, desci até o estacionamento, entrei no carro e fui para o hospital, me odiando por fazer isso, mas fui, eu precisava tirar isso de mim.
Cheguei lá e perguntei pelo quarto dela, me indicaram o UTI, apenas a vi através de um vidro, tubos de alimento, remédio, oxigênio, não contive o choro, pedi para entrar, coloquei aquela roupa horrível, mascara e só assim pude chegar mais perto, conversei, falei de nós, de mim e ela sem reação.
Fui pra casa.

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