-
Pra minha sala agora!
-
Ta ok.
Entrei,
ela meio desesperada com algo, então começou a falar:
-
Não da mais pra mim. Desculpa, eu não sei mais separar o profissional do
pessoal.
-
Como assim? Esta falando de nós, como se fossemos um casal em crise.
-
E pra mim somos mesmo, você ainda ama aquela maldita garota, ela sofreu um
acidente grave, ta no hospital faz 3 semanas e é apenas sobre isso que você
escreve em suas crônicas. Queria que eu me sentisse como? Eu te amo, eu quero
você, quero fazer parte da sua vida.
-
Eu só posso te pedir desculpas, as coisas não são como a gente quer, eu queria
esquece-la, mas esta complicado.
-
Precisamos parar com isso antes que eu acabe te prejudicando profissionalmente,
a partir de hoje sou apenas sua chefe.
-
Tudo bem, eu entendo.
Sai,
me sentei e escrevi sobre isso, dediquei a crônica, imprimo e no fim do expediente
coloquei a folha sobre a mesa dela, ela estava ao telefone e apenas acenou com
a cabeça. Voltei para a minha mesa, juntei minhas coisas e passei no Rh pedindo
a minha demissão e uma carta de recomendação, ela só ficou sabendo disso quando
desligou o telefone e leu a crônica, eu já estava dentro do carro quando ela
apareceu no estacionamento e entrou na frente do carro:
-
Como assim?
-
Só fiz o que era certo, não da pra misturar as coisas, também não quero te
prejudicar profissionalmente e pessoalmente, já passamos por algo assim antes,
lembra?
-
E vai desistir de tudo que construiu aqui dentro? E a viagem do mês que vem? É
importante pra você e pra mim, você não pode fazer isso!!!
-
Já fiz, desculpa.
-
Desce dessa porcaria de carro agora, sua filha da mãe.
Ela
sabia como me tirar do sério.
-
Quem você pensa que é pra falar assim comigo, perdeu a noção das coisas?
-
Sou a pessoa que te ama e quer você bem, quer ver o seu sucesso.
Eu
fui na direção dela e a beijei como nunca havia feito, peguei-a no coloco e
disse:
-
Desculpa, tenha um pouco mais de paciência comigo, eu realmente quero
esquece-la, eu preciso continuar minha vida, eu preciso de você.
-
Eu também preciso de você aqui e na minha vida. Vamos voltar vai, arrume suas
coisas lá em cima de novo e eu falo com o pessoal do Rh.
-
Tudo bem.
Eu
voltei, arrumei minhas coisas e tudo ficou bem, depois disso fomos pra minha
casa.
Um
jantar, uma conversa, um beijo, uma pegada mais forte e acabou nisso, eu olhava
pra ela e só conseguir ver o rosto de outra pessoa, outra briga e pelo visto
seria assim por um bom tempo. Eu sabia que a culpa era minha, mas eu não
conseguia tirar o ocorrido da cabeça, eu não conseguia parar de pensar, mas ir atrás
eu também não queria.
Mônica
foi embora, desci até o estacionamento, entrei no carro e fui para o hospital,
me odiando por fazer isso, mas fui, eu precisava tirar isso de mim.
Cheguei
lá e perguntei pelo quarto dela, me indicaram o UTI, apenas a vi através de um
vidro, tubos de alimento, remédio, oxigênio, não contive o choro, pedi para
entrar, coloquei aquela roupa horrível, mascara e só assim pude chegar mais
perto, conversei, falei de nós, de mim e ela sem reação.
Fui
pra casa.
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