Estava cansada de responder e-mails, a grande maioria falava sobre uma vida de merda que não deu certo, eu estava começando a me identificar com essas coisas, estava pirando no segundo dia de trabalho, foi quando terminei de organizar o site e a galera do layout deixou ele bonitão, passando um segundo pente fino.
A galera do layout, um guri homossexual e sua melhor amiga hétero cheia de curiosidades, eu no meu melhor estilo largada arrumada, fazia os dois comentarem sobre o tempo todo. Segundo dia e lá vou eu fazendo amigos com meu jeito tímida, não entendo porque as pessoas gostam de puxar assunto com os tímidos, somos tão na nossa, sem incomodar ninguém, não entendo mesmo porque insistem em conversar.
A galera do layout me convidou pro almoço, mas eu iria me contentar em ficar na minha mesa sozinha, afinal aquela redação só esvaziava na hora do almoço, o que tinha se tornado um alento pra mim naquele dia.
Eu não conseguia parar de pensar no fim da reunião do dia anterior, eu tinha que lembrar de onde a conhecia, pensando alto e a dita cuja passa no corredor me fazendo pular na cadeira e sentir um frio no estomago, "Já avisei que não vou almoçar com você, não quero mais saber de você." Fitei ela com o olhar, logo desligou o celular, entrou em sua sala e deixou a porta entre aperta. Não me contive fui atrás.
"Já te falei pra não me ligar mais, cada vez que desligo na sua cara parece que você me liga ainda mais, quando vai aprender que acabou, não quero mais nada com você, você é igual aquela garota do bar na Zona Sul, ridícula como tal. Falando nisso, não sei porque a contratei e muito menos sei porque estou lhe contando isso."
Facada no peito, porque ela me odiava tanto? Fiquei pensando e então um flash em minha mente, sim já havíamos ficado a um bom tempo atrás, lance de jantar no bar da esquina, como sempre, clichê da minha vida. Me virei para sair e surpresa:
- Nem pense em sair de fininho, sei que você estava ai ouvindo tudo, entra!
- Assim fica complicado, desculpa (risos).
- Tira esse sorriso de canto de boca, não quero lembrar o passado.
- Nossa foi tão ruim assim?
- Não, foi muito bom e muito covarde por isso tenho raiva de você.
- Imaginei, também teria o mesmo sentimento. Mas veja só, mudanças acontecem.
- Bateu na tecla certa, o que aconteceu pra você querer mudar tanto assim? E seu livro, seus sonhos?
Trégua, me sentei e nem vi a hora do almoço passar, ficamos rindo e conversando, falando do passado, nos abrindo. Eu fiquei sabendo um pouco mais sobre ela e ela sobre mim, irônico ou não, haviam semelhanças e diferenças enormes de pensamentos, mas era gostoso conversar com ela, mulher mente aberta. Sintia que não demoraria muito até as fofocas rolarem soltas e nos prejudicarem, já estavam de olho na gente desde a reunião, quando me viram saindo da sala dela recebi um sms "Não liga pras fofocas, adorei poder retomar o contato com você e sinto que agora pode nascer uma amizade saudável, bom trabalho, te vejo no bar da esquina no fim do expediente."
- Olha aqui guria... - Um tapa na mesa de um cueca, incrível como os homens sentiam-se ameaçados por mim - Se você acha que vai conquistar essa mulher esta redondamente enganada, ela é minha.
Crise de riso, sempre nas piores situações.
- Sua? Nossa que convicção pra quem ela nem sabe da existência. Se enxerga cara, não devo satisfação da minha vida!
Pronto mais um cueca filho da puta pra me atormentar, céus!
No bar da esquina no fim do expediente, lá estava ela tomando sua gelada a minha espera, entrei e lá ficamos algumas horas bebendo. Por mais incrível que possa parecer, cada uma seguir para sua casa depois, sem prolongar nada, sério que esse tipo de amizade existia? Desconhecia tal coisa.
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