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domingo, 29 de junho de 2014

Um Sorriso Encantador

Fazia semanas que eu não dormi direito, era pesadelos um atrás do outro, mas algo me tirava o sono ainda mais, me fazia ficar pensando antes de dormir e sonhar acordada com algo que já havia acontecido e não chegado ao fim, aquele sonho real era uma provocação ao meu eu, eu não admitia que tal coisa acontecesse, mas não conseguia me livrar dos pensamentos, de certa forma eles me faziam muito bem.
Eu acendi um cigarro enquanto ficava olhando as pessoas na rua pela janela, mas quando desviava o olhar era o rosto dela que vinha na minha mente, essa guria estava me deixando louca, eu já não sabia mais o que pensar. Apelei para os calmantes para ter uma boa noite de sono.


"Ela dançava na minha frente, cantava bem baixinho tentando não me deixar ouvir sua voz, ela sorria e me dizia que eu era muito séria, quando arrancava um sorriso de mim, sorria ainda mais.
Ela tem um sorriso lindo, um jeito de viver a vida sem medo, isso prende a atenção da gente, um olhar fixador, eu não consigo esquecer aquele olhar, aquele beijo, aquele jeito de me abraçar e provocar.
Ela dizia quase que o tempo todo que ali não era o lugar certo, que querer não é poder, quanto mais ela provocava  mais me deixava com vontade de descobrir até onde ela poderia ir, na minha mente insolente, eu imaginava ela nua na minha cama, com seu sorriso lindo e sua mão pesada sobre o meu corpo, me apertando, arranhando e provocando. Eu beijava seu corpo todo, arrancando respirações profundas e gemidos contidos, quando mais fundo eu ia, mais ela se contorcia em cima de mim, me fazendo enlouquecer...
Eu não conseguia pensar em outra coisa."


Acordei com a respiração ofegante, suando e com ela na minha mente, acendi outro cigarro e desisti de dormir, o remédio não foi suficiente pra me fazer dormir por mais de 5hs, ela era perturbadora de mais e a distância deixaria isso cada vez mais excitante.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Ela andava com um caderninho onde anotava suas melhores ideias, era um publicitária nova e tinha uma memória um pouco falha as vezes, então quando ainda estava na faculdade adotou o método de anotar tudo que pensava, pra não passar carão como já havia acontecido tantas vezes.
Ela gostava de tomar café em uma cafeteria conhecida da cidade, eu gostava de ir lá pra ler e tomar um expresso, tinha o melhor expresso da cidade, ela nunca me olhara, mas eu sabia quem ela era pelos jornais e boca de conhecidos.
Nesse dia o café estava lotado, ela chegou pediu seu café e procurou um lugar para se sentar, até vir até mim:

- Se incomoda se eu me sentar aqui?
- Não, fique a vontade.

Eu continuei lendo e tomando meu expresso, na mesa uma folha e uma caneta, onde eu extraia as melhores frases do livro, ela olhou aquilo e voltou ao seu celular, tomou o café e saiu, eu não liguei muito o livro estava muito bom para eu reparar em outra coisa, eu terminei aquele livro e fui para casa, joguei o rascunho ao lado do próximo livro que iria ler e guardei o que acara de ler, acendi um cigarro e fui para a varanda do apartamento, estava frio e os casais ridículos andando abraçados e dizendo frases de amor, fiquei um tempo observando as pessoas enquanto fumava, quando percebi estava no terceiro cigarro e na primeira garrafa de cerveja.
Deixei tudo na cozinha, peguei um casaco quente e sai para andar e ver gente, eu fui até um mirante ver as luzes da cidade, mas de lá só se via a neblina, acendi outro cigarro, me sentei no chão do mirante e fiquei olhando pra lugar nenhum a procura de nada.

Passou um tempo aquela menina chegou e sentou ao meu lado e pediu o isqueiro emprestado, eu emprestei e então ela puxou assunto:

- Hey, você é a mina do café que dividiu a mesa comigo sem perceber, talvez.
- Sim, estava concentrada lendo, lá estava cheio e não tinha porque eu não dividir a mesa.
- Você tinha um rascunho, o que anota nele?
- Eu anoto as frases que causam algum efeito em mim, apenas isso.
- Interessante, eu anoto algumas coisas também, mas é para não esquecer, anoto minhas ideias.
- Entendi.

Me virei e continuei fumando, ela pegou o caderninho dela e anotou alguma coisa, não resisti a curiosidade:

- O que esta anotando ai?
- Uma ideia que me veio de passagem.
- Sou tão inspiradora assim? (risos)
- Ah, você sabe sorrir, sempre tão séria (muitos risos)
- Sem graça, vamos sair daqui vai, vamos tomar um vinho?
- Eu não bebo, aceito um café.
- Tudo bem, vamos tomar um café.

Voltamos ao café, sentamos e ela me acompanhou em um expresso.