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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Estaca Zero

Mais uma vez eu havia aberto mão de algumas coisas por algo incerto, peguei minhas coisas e voltei para onde nunca deveria ter saído. Era estranho, totalmente estranho! 
Eu queria mudar, mas não conseguia. Havia algo me atrasando, me puxando para baixo, me soltei e tentei criar azas para o inserto... Sem sucesso.
Voltei para aquele velho apartamento que ficava em frente a uma praça, aquela velha sacada onde as bitas de cigarro ainda estavam por ali, aquele velho sofá e mesa de centro, marcados por noites inteiras ali bebendo e escrevendo. Voltei ao meu velho habito de sentar-me no chão, encostar no sofá e escrever até as coisas pararem de fazer sentido.
Depois de ter ficado a noite toda escrevendo, peguei o carro e fui dar uma volta pela cidade, ir aos lugares que eu gostava e que estava com saudades.
Uma volta por aqui, outra por ali... Parei na padaria, comprei cigarro e fui até o mirante. Caderno e caneta na mão, me restou acender um cigarro e olhar a cidade iluminada pelas luzes da noite, pela lua e estrelas.
De repente com os olhos cheios de lágrimas eu decidi não escrever mais, joguei o caderno e a caneta dentro do carro o tranquei e fiquei sentada ali olhando as luzes da cidade, enquanto passavam por mim alguns casais felizes e cheios de amor, me levantei, entrei no carro e quando estava para sair dali, olhei pelo retrovisor e a vi chegando com seu namorado, felizes e sorridentes. Arranquei com o carro e fui apenas dirigindo, sem rumo.
É... Agora eu tinha certeza que havia voltado e que muita coisa havia mudado, apenas meu sentimento ainda era o mesmo, apenas aquele amor de anos não havia acabado dentro de mim.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011


Dizer que tudo continua igual é mentir duas vezes, nós sabemos que muita coisa mudou. Mudou tanto que não sabemos ao certo quantas foram as mudanças, sabemos apenas que mudou, sabemos apenas que nada nunca mais será como antes, sempre ficará algo no ar...
É assim, coisas morrem e outras nascem no lugar. Pessoas vão e deixam suas marcas, outras encontram um lugar para ficar no seu coração e ali se aconchegam de uma forma toda meiga e fofa como aquelas músicas que você ouve milhões de vezes e não se cansa, como belas palavras que são sempre prazerosas de serem ouvidas repetidamente.
Tudo mudou, os pés no chão ganharam azas e agora a dura realidade bate a porta, mas eu não a deixo entrar. É como mergulhar no mar, nadar ao lado dos peixes e sentir a liberdade de poder subir para respirar só quando der vontade.
É caminhar na beira da praia e sentir a água te levar e ao olhar para trás ver que o rastro que você deixou a água fez questão de apagar para ninguém lhe seguir.
Agora é você, seu coração e suas vontades. Você tem o poder, o direito de fazer o que quiser a hora que sentir vontade, obrigações?! Sim elas ainda existem, mas são muito mais fáceis de lidar agora, seus pés não estão mais presos em lugar algum e se o passado voltar, você sabe que é apenas a lembrança de algo que foi realmente bom, mas que nunca mais irá acontecer.
Sim nunca mais, alias isso não é tempo demais, é tempo o suficiente para novos aprendizados.