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segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Amor, Livros e Capuccino

Cada dia que passava eu pensava ainda mais em Alice, ela não saia da minha mente, não conseguia parar de pensar nas nossas conversas e na cena do bar. Mônica estava no meu pé, me ligando a cada minuto, eu não sabia para onde correr, quando não ligava, vinha até meu apartamento.
Eu havia proibido a entrada dela, mas ela continuava insistindo, mandava presentes com cartões pedindo desculpa e culpando a bebida. Eu mais do que ninguém, sabia quando a bebida tinha culpa, nesse caso ela (bebida) foi tão vítima quanto eu.
Fui até a delegacia dar queija devido a perseguição, só assim ela me deixou em paz, por um tempo.
Fui a livraria numa manhã, procurei o gerente e pedi uma entrevista, ele aceitou, me conheci a algum bom tempo, me contratou por amizade e por saber meu amor pela leitura.
Alice me deu boas vindas, ficou feliz por me ter ali, dava pra sentir, eu estava muito mais feliz, afinal estava ao lado do meu amor platônico  trabalhar naquele lugar seria algo bizarro, eu não  iria conseguir trabalhar com tantas obras ao meu redor (risos).
Alice me ensinou a organizar as estantes, riamos e liamos muito, toda noite nos encontrávamos para tomar um capuccino e falar sobre livros, até o dia que uma obra citada tornou-se indiretas fervorosas de vontade, de tesão, saímos do mundo literário e entramos no carnal, minha mente insana não me deixava em paz, eu a todo momento a via numa em cima de mim...

"Ditosa que ao teu lado só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes, teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes o podem igualar.

Sinto um fogo sutil correr de veia em veia
por minha carne, ó suave bem-querida,
e no transporte doce que a minha alma enleia
eu sinto asperamente a voz emudecida.

Uma nuvem confusa me enevoa o olhar.
Não ouço mais. Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida e febril e sem ar,
um frêmito me abala... eu quase morro ... eu tremo."

Mas a noite acabou apenas neste último poema.