Saturada de muitas coisas, semana com feriados, saco cheio e todos largados aos trapos, terminei minha parte e pedi para ir para casa mais cedo, pedido aceito, mas Mônica não ia deixar essa passar em branco:
- Quer ir embora mais cedo por que, algum compromisso?
- Não, apenas quero descansar o pensamento.
- Um encontro então?
- Vou ficar em casa, não tire conclusões precipitadas. Caso não esteja acreditando, pode ir jantar comigo.
- Então ta bom, 20hs no seu apartamento. Quer que eu leve um vinho?
- Seria bom, mas prefiro cerveja mesmo, nada de massas hoje.
- Então o que teremos?
- Apareça lá para certificar-se de que não tenho nenhum encontro e te mostro o cardápio.
- Sem graça, estarei lá para me certificar que tenho você só pra mim.
Virei as costas e ignorei o ultimo comentário, desnecessário e confuso.
Essa mulher era doida ou então eu estava louca, pensei até em procurar minha psicóloga novamente, voltar a fazer terapias, mas resolvi me afundar nas cervejas.
Casa arrumada, banho tomado, bermuda e camisa xadrez, uma ida ao mercado comprar alguns ingredientes e para o jantar algo simples, por preguiça de fazer algo caprichado.
20hs em ponto a campainha tocou, abri e lá estava Mônica com uma sacola de cervejas:
- Fiz como pediu.
- Entra, estou terminando o jantar.
- E o que temos?
- Frango a parmegiana, arroz a grega e feijão. Esqueci de fazer a salada, mas tem coisas ai na geladeira.
- Deixa comigo, vou fazer já.
- Tá!
Jantar pronto, mesa posta e cervejas a vontade:
- Hmmmmmm, que saboroso, bem temperado. Nossa, parabéns.
- Obrigada, mas é a unica coisa que sai muito bem feita.
- Já pode casar.
- Ah, esquece isso vai.
Terminamos de jantar e ela tocou no assunto de novo:
- É sério, já pode casar, mas comigo né.
Vish, as cervejas começaram a fazer efeito, também pudera, o fardo que ela trouxera já havia acabado e estávamos tomando um que eu comprei, era a oitava lata dela em menos de 2hs.
- Ta bom, casar, eu? Ninguém pensa isso de mim a não ser você, todas só querem brincar de me deixar apaixonada.
- Eu não quero brincar com isso não, eu quero você e disse que te esperava o tempo que fosse.
- Você é boba, por isso.
- Apaixonada e encantada com o quanto você mudou.
Resumindo essa melação, transamos.
Ela acordou, tomou um banho e revirava minhas gavetas quando acordei e a vi de toalha agachada procurando algo (bela visão por sinal):
- Ta procurando o que?
- Oi, bom dia - Ela veio me dar um beijo de bom dia - To procurando um remédio pra dor de cabeça, ressaca sabe como é.
- No armário do banheiro tem.
- Obrigada meu amor. - Amor?
- De onde tirou essa de amor?
- Você me disse isso antes de dormir - Mio hein?! - Ah disse? Não lembrava, desculpa.
- Tudo bem, nos vemos na redação?
- Sim, claro, vou tomar um banho e já vou.
- Quer que eu te espere?
- Melhor não, tem gente lá que não quer nos ver juntas nem fodendo.
- Ah, verdade. Então até mais tarde, amor.
- Até, am... amor (risos).
"Amor, como eu fiz isso? Deveria ter uma tecla voltar no cérebro, porque olha, só me lasco nisso". O banho foi só risada, me arrumei e fui para a redação me sentindo leve, "amor".
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.