Ficar ali parada esperando a vida dar outra reviravolta não melhoraria meu humor em nada, eu estava intragável, nem o cigarro gostava mais de mim, estava decidido, hora da faxina.
Caixas e sacos de lixo espalhados pelo apartamento, contrastavam com as coisas em ordem, rascunhos no lixo, livros em caixas, presentes em caixas, algumas roupas em outras para doação, assim a minha faxina dava resultados positivos, meu apartamento estava mais limpo.
Ao final de tudo, sai para dar o destino correto a cada caixa, quando deixei a ultima em uma igreja para doação, voltei para o carro, olhei pelo retrovisor, meu reflexo abatido, decidi mudar o visual também, comprar umas roupas novas e claro, um skate também, estava com saudades de me ralar. Se eu tinha ou não idade, eu não sabia mais, eu só sabia que queria sair por ai sentindo a liberdade bater no peito.
Depois de um banho na alma e no corpo, voltar ao apartamento não era bem os meus planos, decidi e me convenci a comprar o bendito skate, mas eu não sabia que ir a uma loja do tipo me faria sair correndo.
Entrei na loja, feliz, empolgada, quando paro para escolher o skate ela entra para escolher qualquer coisa, passou por mim eu não percebi, ela me viu e veio falar comigo, quando senti uma mão em meu ombro me virei assustada:
- Calma, sou eu. Que legal vai voltar a andar?
- Não pode ser.
Me virei para o vendedor, agradeci e sai correndo da loja, direto pro carro e ela ficou olhando até sentir vontade de vir atras. Entrei no carro, liguei e quando estava saindo ela abriu a porta do passageiro e entrou também, inferno:
- Por que você saiu correndo assim?
- Você me disse para te esquecer, não te procurar mais que sua vida tinha mudado, na verdade sei lá o que você me disse, eu já esqueci, eu já te esqueci. Agora me diz você, por que veio falar comigo? Que porra! - Nesse instante travei a porta e arranquei com o carro.
- Para esse carro, você não esta em condições de dirigir.
- Eu sei muito bem o que to fazendo, então só abra a boca para responder minha pergunta.
- GROSSA, ESTUPIDA, RIDÍCULA, MAS QUE CARALHO.
- Responder a merda da pergunta, é tão difícil assim?
- Eu fui falar com você porque te vi feliz, fiquei feliz por te ver assim, você estava toda estranha, fiquei com medo de você fazer algo errado de novo.
- Você preocupada comigo? Se estivesse tão preocupada assim voltava pra mim.
Um silêncio prevaleceu dentro do carro, ficou difícil conter as lágrimas e elas começaram a escorrer, eu a deixei na casa dela que era caminho da minha, ela desceu sem dizer nada e eu fui sair, ouvi ela gritar:
- ESPERAAA!
Parei o carro, estacionei, desci e voltei. Chorando disse:
- Para vai, eu vou sair de vez da sua vida, esquece tudo isso, eu te amo, mas esquece.
- Para de chorar, eu também te amo.
- Volta pra mim?
- Não posso, nossas vidas tomaram rumos diferentes, ficou só o carinho.
- NÃO. Porra, eu te amo, você acabou de dizer o mesmo, nada nos impede de ficar juntas, acorda, sou eu quem vai te fazer feliz.
- Prova!
- Então vem.
Puxei-a pelo braço, entramos no carro, uma parada em uma loja, um presente escondido no bolso da calça e fomos direto pra um lugar calmo, tranquilo. Descemos e começos andar ali por perto, perto da natureza, ela estava radiante:
- Por que me trouxe aqui?
Ajoelhei na sua frente, peguei sua mão e comecei:
- Você vive me dizendo pra provar que o que sinto por você é verdadeiro, vive me pedindo provas de amor, desculpa. Não tenho muito a te oferecer, são palavras que em outras épocas já foram proferidas, te amo eu já disse pra outras pessoas, mas nunca senti nada assim com ninguém, era da boca pra fora, amor verdadeiro eu encontrei ao seu lado. Quando eu digo que estou de quatro por você, é verdade, sou loucamente apaixonada, sinto o que sempre repudiei sentir, falo do que sempre senti ódio em dizer, mas dizem que o ódio é o oposto do amor, então te odiando ou não o importante é que no fundo eu te amo.
Tirei uma caixinha do bolso da calça, abri virei para ela e completei:
- Só posso provar meu amor por você assim, então casa comigo?
Deveria ter feito você reler seus textos antes de ir atrás de você com raiva e fazer o que fiz, deveria ter feito diferente... Mas talve não fosse adiantar nada, se fosse para provar algo você já teria provado, talvez você realmente já quisesse isso, só estava faltando a atitude decisiva para colocar o ponto final!
ResponderExcluir