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sábado, 5 de novembro de 2011

Da Realidade a Ficção

Era fim de tarde, horário de verão como sempre uma merda e o sol estava escaldante sobre a cabeça da população. Cansada tentando voltar pra casa, parei e reparei as pessoas que me rodeavam dentro daquele ônibus parcialmente cheio, a uns dois bancos a minha frente havia um  garotinho todo feliz, sorridente, brincalhão que não parava quieto. Ele gesticulava de todas as formas, passa aquela mãozinha tão pequena no rosto de sua mãe e sorria como quem dizia "te amo", ele alegrou o ônibus todo. Não havia um que passava e ignorava aquela linda criança, morena com poucos cabelos, sorriso sem dentinhos, todo pequenino, todo fofo... A cara dela!
No momento que me toquei disso, sorri para o garotinho que me olhou, virou a cabecinha de lado e sorriu colocando a mãozinha na boca. Meu coração derreteu por dentro, a saudade bateu forte e meus olhos encheram de lágrimas de felicidade. Aquela criança nem imaginava o bem que acabara de me fazer, minha primeira reação foi mandar um sms para ela dizendo o quão lindo aquele menino era e como ele a lembrava. Saudade era tanta, uma vontade de atravessar novamente a cidade só para poder vê-la, mas eu não podia fazer isso. Além de loucura as responsabilidades me impediam.
Aquela imagem do garotinho sorrindo pra mim ficou a semana toda na minha cabeça, em uma noite, um sonho...

Havia decidido parar de beber, fumar e procurar algo mais útil pra fazer. Coloquei uma roupa de academia (fiquei igual aqueles ratos que ficam enfurnados em uma o dia todo) e fui caminhar pelo bairro, lindo bairro por sinal viu?! Eu conhecia apenas a praça porque era em frete ao prédio, uma volta tranquila e voltei para o apartamento, tomei um banho bem gostoso e logo depois lá estava eu com minha xícara de café na sacada procurando um cigarro, força do hábito. Tomei meu café e fui sentar-me na sala e ver se havia algo de bom na tv, antes mesmo que eu chegasse ao sofá a campainha tocou, eu assustei como sempre afinal não estou acostumada a receber visitas sem aviso prévio. Olhei pelo olho mágico e destranquei rapidamente a porta, ela caiu em meus braços assim que eu abri a mesma, peguei-a e a coloquei no sofá. Ela estava fraca, corpo gelado e logo em seguida desmaiou. Fiquei desesperada sem saber o que fazer, então fiquei cuidando dela da maneira que pude até que ela recobrasse a consciência. Algum tempo depois ela acordou e perguntou:
- Como vim parar aqui?
- Eu que lhe pergunto, abri a porta e você caiu em meus braços. - Respondi.
- Mas... 
Ela ficou em silencio e uma lágrima correu pelos seu rosto, sentei-me ao lado dela e limpei-o dizendo:
- Não faço ideia do que aconteceu, mas estou pronta para lhe ouvir desabafar.
- Eu briguei feio com uma pessoa, essa pessoa me pediu para não procurá-la mais e eu não me lembro como vim parar aqui. Não quero entrar em detalhes.
- Respeito isso e que bom que você esta aqui.
Ela sorriu e eu a abracei, levante de supetão...
- Não vamos ficar aqui enfurnadas nessa casa, vamos dar uma volta?!
- Aceito!
Corri no quarto peguei carteira, chave, celular e saímos. Andamos pela praça, fomos até o ponto de ônibus e pegamos um qualquer, iríamos para aonde ele nos levasse. Acabamos em um parque cheio de crianças, todas sujas de areia de tanto brincar, nos sentamos em um banquinho e ficamos conversando, rindo e observando as crianças. Então um garotinho com os olhos dela passou por nós, ele carregava um saquinho de pipoca, voltou até nós e esticando os pequenos bracinhos disse:
- Qué?!
Ele fazia uma carinha de quem dizia pega... Ela sorriu agradeceu e disse que não queria, eu só observava, toda boba. 
- Pai ela num qué. - Disse o menino andando todo desengonçado na direção do pai.
O mesmo disse algo para o menino que agora de longe mandava beijinho com a palminha da mão, ela parecia outra criança toda boba com o menino. Quando ele foi embora eu perguntei:
- Reparou nos olhos daquele menino?
- Sim e não, por quê?
- Eles eram iguais a esses olhos que me encaram e brilham agora!
Ela sorriu sem jeito, abracei-a e ali ficamos.

"Eu quero estar amanhã ao seu lado quando você acordar, eu quero estar amanhã sossegado e continuar a te amar, eu quero um sonho realizado, uma criança com seu olhar."

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