No
momento que me toquei disso, sorri para o garotinho que me olhou, virou a
cabecinha de lado e sorriu colocando a mãozinha na boca. Meu coração derreteu
por dentro, a saudade bateu forte e meus olhos encheram de lágrimas de
felicidade. Aquela criança nem imaginava o bem que acabara de me fazer, minha
primeira reação foi mandar um sms para ela dizendo o quão lindo aquele menino
era e como ele a lembrava. Saudade era tanta, uma vontade de atravessar
novamente a cidade só para poder vê-la, mas eu não podia fazer isso. Além
de loucura as responsabilidades me impediam.
Aquela
imagem do garotinho sorrindo pra mim ficou a semana toda na minha cabeça, em
uma noite, um sonho...
Havia
decidido parar de beber, fumar e procurar algo mais útil pra fazer.
Coloquei uma roupa de academia (fiquei igual aqueles ratos que
ficam enfurnados em uma o dia todo) e fui caminhar pelo bairro, lindo
bairro por sinal viu?! Eu conhecia apenas a praça porque era em frete ao prédio,
uma volta tranquila e voltei para o apartamento, tomei um banho bem gostoso e
logo depois lá estava eu com minha xícara de café na sacada procurando um
cigarro, força do hábito. Tomei meu café e fui sentar-me na sala e ver se havia
algo de bom na tv, antes mesmo que eu chegasse ao sofá a campainha tocou, eu assustei
como sempre afinal não estou acostumada a receber visitas sem aviso prévio.
Olhei pelo olho mágico e destranquei rapidamente a porta, ela caiu em meus
braços assim que eu abri a mesma, peguei-a e a coloquei no sofá. Ela estava
fraca, corpo gelado e logo em seguida desmaiou. Fiquei desesperada sem saber o
que fazer, então fiquei cuidando dela da maneira que pude até que ela
recobrasse a consciência. Algum tempo depois ela acordou e perguntou:
-
Como vim parar aqui?
-
Eu que lhe pergunto, abri a porta e você caiu em meus braços. - Respondi.
-
Mas...
Ela
ficou em silencio e uma lágrima correu pelos seu rosto, sentei-me ao lado dela
e limpei-o dizendo:
-
Não faço ideia do que aconteceu, mas estou pronta para lhe ouvir desabafar.
-
Eu briguei feio com uma pessoa, essa pessoa me pediu para não procurá-la mais e
eu não me lembro como vim parar aqui. Não quero entrar em detalhes.
-
Respeito isso e que bom que você esta aqui.
Ela
sorriu e eu a abracei, levante de supetão...
-
Não vamos ficar aqui enfurnadas nessa casa, vamos dar uma volta?!
-
Aceito!
Corri
no quarto peguei carteira, chave, celular e saímos. Andamos pela praça,
fomos até o ponto de ônibus e pegamos um qualquer, iríamos para aonde ele nos
levasse. Acabamos em um parque cheio de crianças, todas sujas de areia de tanto
brincar, nos sentamos em um banquinho e ficamos conversando, rindo e observando
as crianças. Então um garotinho com os olhos dela passou por nós, ele carregava
um saquinho de pipoca, voltou até nós e esticando os pequenos bracinhos disse:
-
Qué?!
Ele
fazia uma carinha de quem dizia pega... Ela sorriu agradeceu e disse que não
queria, eu só observava, toda boba.
-
Pai ela num qué. - Disse o menino andando todo desengonçado na direção do pai.
O
mesmo disse algo para o menino que agora de longe mandava beijinho com a
palminha da mão, ela parecia outra criança toda boba com o menino. Quando ele
foi embora eu perguntei:
-
Reparou nos olhos daquele menino?
-
Sim e não, por quê?
-
Eles eram iguais a esses olhos que me encaram e brilham agora!
Ela
sorriu sem jeito, abracei-a e ali ficamos.
"Eu quero estar amanhã ao seu lado quando você acordar, eu quero estar amanhã sossegado e continuar a te amar, eu quero um sonho realizado, uma criança com seu olhar."
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