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domingo, 22 de abril de 2012

Bom Demais Para Ser Verdade

Eu me vi desistindo de lutar por ela, desistindo de viver ao seu lado, eu me vi indo embora. Mas espera ai, que porra é essa?! Afinal o que eu sou, o que eu espero de mim?
Essas respostas que martelavam minha mente me fazendo correr cada vez mais longe.

"Era cedo, ou tarde, talvez, não sei ao certo. Eu caminhava para minha casa após uma discussão, eu queria chorar, mas na rua não podia. Eu queria gritar, esmurrar o primeiro que atravessa-se meu caminho, mas não sairia de graça isso. Eu queria correr, fugir de algo que eu nem sabia ao certo o que era. Eu fiquei paralisada.
Eu sentia o sangue ferver e ao mesmo tempo parar de circular, era como se eu fosse cair desacordada e nunca mais abrir os olhos, eu sentia meu coração pular dentro de mim, era desespero.
Eu voltei, abracei-a e pedi desculpas..."

Acordei depois desse pesadelo e ela não estava ao meu lado, sai igual uma doida correndo pela casa chamando-a, da cozinha ouvi ela responder:
- Estou preparando o café da manhã, amor.
Foi um alivio tão grande, corri na direção dela, abracei sem dizer nada, ela logo indagou:
- O que foi, para que esse desespero todo?
- Pesadelo.
- O que sonhou?
- Que eu ia embora.
- Não fala mais isso.
Ela colocou o dedo na minha boca fazendo sinal de silêncio, nesse momento o medo duplicou, maldito sonho que eu não conseguia parar de pensar.
Tomamos café e ficamos deitados na cama até tarde, era sábado e não havia nada de bom para fazer, o melhor era ficar ali naquele refugio, longe dos lobos que nos queria ver separados.
Mas quem disse que no mar há calmaria o tempo todo? Não demorou muito até ela inventar que queria fazer alguma coisa, pegou o notebook, chamou umas amigas para uma social a noite em casa, saímos para comprar as coisas e ficamos o resto do dia preparando-os.
"A noite tudo pode acontecer..." Eu li isso em algum lugar, onde mesmo? Enfim...

Todas chegaram, algumas acompanhadas dos namorados, outras solteiras e bem resolvidas mesmo. Eu fiquei no quarto um pouco mais, rabiscando algumas coisas e depois fui me arrumar.
Ao chegar na sala me deparei com uma vida que não era minha, o que era aquele monte de gente em casa? Não, eu não queria aquilo, gostava dos meus poucos amigos, da minha social com garrafas, copos, cigarro e rabiscos, mas tudo havia mudado e eu não havia me adaptado a isso ainda, estranho, mas me comportei bem.
Deixando os vícios de lado eu estava cada vez melhor, ela sorria a todo momento pra mim e eu, bom eu estava na cozinha preparando alguns petiscos, bebidas e tudo mais, a deixei bem a vontade com os amigos, ela curtiu a ideia e eu não muito, afinal havia um perigo em potencial naquele lugar, como sempre.
Fui dito e feito, o namorado de uma das amigas, depois de uns goles a mais ficou de graça no ouvido da minha morena, chamando a namorada para a conversa junto e ver aquilo me irritou muito, não demorou muito e eu explodi:
- AMOR! Vem aqui, AGORA!
- Isso é jeito de falar comigo? Ainda mais na frente dos meu amigos.
- O que aquele filho da puta quer com você?
- Estamos apenas conversando, algum problema?
- Sim, todos os problemas, o que ele quer com você?
- Nada, ele tava me chavecando, querendo umas bobeiras, mas eu não dei trela.
- Filho da puta!
Eu sai na furia, larguei o que estava fazendo e fui na direção do cara...
- Olha aqui seu filho da puta, se fica de gracinha pro lado da minha morena eu te mato!
- Eu que mato ela de prazer, só ela me dar condição.
Eu acertei um murro bem no meio da cara dele, ele caiu com o nariz sangrando, a namorada foi embora e o largou lá, eu o joguei dentro do elevador e o expulsei do prédio. Fim da festa!
Todos foram embora, ela estava furiosa comigo, quando subi ela me empurrou no sofá e começou a falar:
- Quem você pensa que é para tratar assim meus amigos?
- Sua namorada, não sou?
- Não sei!
Eu levantei, fui até o quarto, arrumei a mochila e fui embora, como no sonho, ela tentou me impedir, começou a chorar e pedir desculpas:
- Para de chorar você não fez nada, eu fiz!
- Fiz sim...
- Fez mesmo, eu te protegendo e você brigando comigo, realmente, pensando assim... Você fez!
- Viu, me perdoa, mas não vai embora. Eu não to acostumada com isso, nunca vivi isso na minha vida, tenha paciência comigo, por favor, não vai. Eu te amo.
- Eu também te amo.
Ela me abraçou forte, chorando. Larguei a mochila no chão, fechei a porta da sala e fomos para o quarto, deitamos e tentamos esquecer o ocorrido...
A algum tempo atrás, eu iria sair por aquela porta e não voltar mais!

Um comentário:

  1. Como é estranho ler esses textos agora e ver que a 2 anos atrás você lá pensava naquilo que realmente aconteceu agora. São tantas semelhanças, não?! Até parece que você já sabe que isso iria acontecer, talvez um pouco diferente, mas aconteceu....

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