Virei para o lado ela estava lá, dormindo feito uma criança, serena e despreocupada, como se tudo que precisa-se estivesse ao alcance das mãos. Eu apenas sentia meu chão trincar, querendo desmoronar, era tudo muito bom para ser verdade, as vezes eu sabia que não me permitia apenas ser feliz, tinha que ficar pensando merda e... Merda atrai merda!
Me levantei, tomei um banho, peguei minhas e quando ia saindo ela aparece na porta do quarto vestindo uma camiseta enorme, com aquela cara de sono e diz?
- Aonde você vai?
- Para minha casa.
Dei um beijo em sua testa e virei para sair, ela segurou meu braço e respondeu:
- Aqui é sua casa.
- Não, não é. Esta na hora de voltar para a realidade.
- E nós não é real para você?
- Não é isso que eu quis dizer...
- Mas foi o que disse.
Lágrimas formavam-se em seus olhos, aquilo era exatamente o que eu queria dizer sim, mas talvez não fosse também. Eu não sabia mais como agir, como pensar, aquilo não era minha vida...
- Eu não posso te enganar, me enganar. Isso não é minha vida, eu sou da boemia, da noite, dos barezinhos, de cada noite conhecer alguém diferente, me relacionar com desconhecidas. Eu não posso enganar você, a unica pessoa que eu amo, por quem eu sou capaz de tudo, ou quase tudo. Estou confusa, preciso de um tempo.
- Eu só tenho uma coisa a lhe dizer, eu espero por você!
Aquilo entrou e bateu direto no coração, eu senti minhas pernas perderem a força, apoiei no batente da porta e senti meu corpo dormente, desmaiei.
Apenas conseguia ouvir ela gritando por socorro, meus olhos fechados e meu corpo todo dolorido, principalmente o peito e a cabeça, depois disso eu não lembro de mais nada. Acordei em uma cama de hospital, olhei ao meu redor e só conseguia ver tubos de soro no meu braço e um de oxigênio no meu nariz, que diabos havia acontecido? Ela estava ao lado da cama e quando me viu acordar, pulou para mais perto de mim.
- O que esta acontecendo?
- Seus excessos, cigarro, bebidas, má alimentação... Acha que é a mulher de ferro, sua idiota? Quer me matar assim? HEIN?
Ela chorava feito criança, desesperada e eu não entendendo nada do que estava acontecendo, enfim o médico chegou.
- Ai esta nossa paciente, como esta se sentindo?
- Perdida, ainda mais do que já estava. O senhor poderia me explicar o que aconteceu?
- Quadro de excessos, você teve uma parada cardíaca "leve", foi mais um susto mesmo. Isso tudo é devido aos seus excessos, cigarro, bebidas, noitadas e tudo mais que você sabe, não é mais criança né?!
- Sim doutor.
- Bom, você vai ficar em observação e deve receber alta amanhã, mas isso irá acontecer depois de uma avaliação completa em você e de você me prometer que vai se cuidar melhor.
- Tá.
Eu estava de saco cheio daquele homem falando ao meu ouvido, alias homem só serve para isso, encher a cabeça das mulheres de baboseiras, se ainda fosse uma doutora, acho que teria prestado mais atenção...
- Ouviu o doutor?
- Na verdade não prestei atenção em quase nada, ele fala muito.
A minhas resposta veio com um tapa dela, ela me bateu e ficou me encarando com uma cara nada amigável:
- Se você quer morre, morra sozinha. Não vou ficar aqui sofrendo por quem não está nem ai com a própria vida.
Ela virou, pegou a bolsa e retirou-se... Nesse momento sim a ficha caiu, eu estava pendendo o amor da minha vida, estava cometendo os velhos erros de sempre, cabecinha dura a minha viu. Depois que ela se foi, eu chamei o doutor para enfim uma conversa séria e quem sabe né, uma mudança de hábitos...
Esse sim é extremamente parecido com o final da nossa realidade... Te odeio a cada dia mais, confesso, mas seus textos, inclusive esses, me fazem lembrar que fomos felizes até, me fazem lembrar de coisas boas, pena ser apenas isso.
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