"Você fugia de mim como se eu fosse te matar, vai ver era o que eu estava fazendo sem perceber, acabando com você aos poucos, te deixando mal a cada palavra, a cada ato.
Você corria e gritava por ajuda, até alguém apareceu para tal feito.
Socos, chutes, gritaria e muito sangue. Eu estava largada ao chão com o rosto estourado de tanto apanhar, com a mão vermelha de tanto bater e com a roupa suja de sangue meu e do outro.
Você o abraçou, deu um selinho e agradeceu por aquilo, me deixou ali, com um olhar vazio e lágrimas. Não voltou, não esteve presente como havia prometido, eu falhei também, a maior culpa disso tudo que acontecia era minha".
Fui despertada por um berro, percebi que você não estava ao meu lado dormindo, por alguns segundo eu havia esquecido disso, então percebi que eu estava com o rosto totalmente machucado, com a mão dolorida e que tudo aquilo que aconteceu era verdade.
Havia bebido muito por isso confundi realidade com sonho, eu comecei a chorar desesperadamente, senti vontade de sair correndo atras de você, porém havia uma mensagem na minha caixa postal.
"Por favor, que isso seja a ultima coisa que você faz por mim. Não venha mais atras de mim, deixe que quando eu sentir que devo, te procuro. Mesmo que.... mesmo que seja para ser sua amiga. Adeus".
Eu não sabia se chorava, se ma matava, se ficava sofrendo, se fumava, se escrevia, se bebia. Eu estava sem reação, eu não sabia o que fazer. Fiquei sentada a beira da cama com o celular na mão durante 1 hora, até que decidi tentar esquecer isso.
Fui a uma casa noturna nova que havia inaugurado a três semanas, a dona era minha amiga de velhos tempos, de infância. Cheguei e a encontrei, entramos, ela me mostrou a casa toda, muito organizada e bonita, então me deixou a vontade.
Eu circulei, peguei uma bebida e fui para a área externa, acendi um cigarro e fiquei observando as pessoas, mulheres vulgares, outras com cara de menor de idade, outras com cara do que é melhor nem comentar para não virem me chamar de preconceituosa ou coisas assim.
A maioria bem vestida, homens com porte físico de ratos de academia, outros gays com os quais fiz amizade com um casal que ali estava, isso porque era apenas para emprestar o isqueiro.
A noite estava agradável, subi para pegar mais bebida, ela entrou acompanhada pelo outro da noite anterior, fui novamente para a área externa, dei um tempo e sai sem que ela me notasse.
Fui para casa, sentei em uma cadeira próximo a janela (não há mais a sacada), olhei para a vizinha do prédio da frente que trocava de roupa com a janela aberta, ouvi alguém gritar gostosa, ela olhou pra mim e gritou:
- Então fica me olhando?
- Você de novo? - (Essa é uma vizinha que sempre fico admirando, mas sempre à vi acompanhada de um cara bombado, vai entender).
- Vamos sair?
- Acabei de voltar de um role, estou de boa, vou ficar por aqui.
- Que pena.
Ela colocou um vestido vermelho, sem nada por baixo e saiu. Eu continuei observando-a até aparecer na portaria do prédio e atravessar para o meu, interfone tocou eu a deixei subir:
- Pensei que iria a outro lugar.
- Você não quis ir, achei melhor vim para cá. Vinho?
- Não, fico no whisky mesmo, entra.
Ela entrou, bebemos a noite toda e assistimos filmes, ela me fez explicar da forma que eu lembrava o que havia acontecido, nem ela e muito menos eu entendia ao certo, mas era o que eu lembrava.
Dessa vez ninguém pegou no sono, ficamos acordadas o suficiente para ver o sol nascer pela janela da sala, a lateral dos prédios. Nesse momento ela segurou meu rosto:
- Tem uma coisa que eu queria ter feito antes e não tive coragem.
Ela me beijou e eu só conseguia lembrar da minha morena e da noite da briga, mais fleches apareceram e me fizeram quase entender o que havia acontecido.
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