Odeio me mudar, mas existem momentos que isso torna-se quase uma obrigação levando em consideração vários fatores nem sempre bons. Com essa obrigação, embalei minhas poucas coisas, coloquei no carro e fui seguindo o caminhão com os móveis até o novo apartamento.
Não havia mais praça alguma de frente para a sacada, não havia nem sacada, era um apartamento pequeno, sala com cozinha americana, quarto com suite e banheiro social (pelo menos isso), meus poucos móveis couberam perfeitamente no lugar, ficou parecendo um apartamento planejado.
As garrafas ganharam um lugar de destaque aos meus olhos, o cinzeiro ficou mais negro do que de costume, a pilha de livros ficou maior, os rascunhos agora tinham lugar, o computador ficava no quarto, o caderninho e a caneta na mesa de centro (no canto) da sala.
Me sentei perto da janela da sala, ao menos ela era grande e ventilava bem o local, acendi um cigarro e fui observar a nova paisagem, a minha frente nada além de outro prédio e outras pessoas com suas vidas medíocres e hipócritas, ninguém interessante para ser observado, apenas um fato curioso, havia um menino a uns 3 andares abaixo com um binóculo, acho que me ele me olhava, mas loco desviou para o apartamento de cima, então só pude ouvir "Vai se foder moleque abusado!"
Aquilo parecia mais um cortiço do que um condomínio, mas era o que eu podia pagar no momento, sem emprego de novo, escrevendo muito raramento contos e vendendo a jornais, eu me considerava falida demais para continuar morando no mesmo lugar.
Empregos me apareciam, mas existia algo que me prendia dentro de casa, nenhum analista conseguia entender, não era depressão, era falta de amor.
Conhecer pessoas novas não estava sendo bom, quanto mais novidade mais saudade do velho eu tinha, até que a vizinha de cima bateu a minha porta:
- Oi tudo bem?
- Oi!
- É você sabe trocar pneu? O meu furou e estou com um pouco de pressa para ir trabalhar.
- Acho que a senhorita bateu na porta errada, não deveria chamar um homem para fazer isto?
- Não, dispenso! Você poderia?
- Ok, vamos lá.
Eu não entendi nada do que acabará de acontecer, ela bateu a minha porta e teve sorte de eu saber fazer isto, porque confesso, até aprender leva tempo.
- Pronto, está trocado, a senhora só precisa calibrar o pneu.
- Tudo bem faço isso no caminho. Toma, obrigada.
Ela deu na minha mão uma nota de 50 reais, imediatamente devolvi:
- Senhorita não precisa. - Dei as costas e subi, ela ficou me olhando, acho que no fundo analisando que tipo de pessoa eu seria, porque afinal o pneu dela não estava furado, estava ótimo, mentir ao menos ela é péssima.
A noite chegou solitária como sempre, uma chamada perdida no celular, um interfone tocando pela terceira vez, um porteiro ainda perdido comigo, mas deixei a pessoa que me esperava entrar. Fazia tempo que algumas coisas não aconteciam, não havia porque manda-la embora, afinal aquela morena mexia comigo, era inexplicável.
- Boa noite, trouxe vinho para o nosso jantar.
- Boa noite, eu tenho uma ideia melhor para ela, podemos ir?
- Onde vamos?
- Surpresa.
Saímos no carro dela, eu indicava o caminho e ela ia...
- Novidades meu amor?
- Não nenhuma, confesso que estou assustada com a sua presença, lembrou de mim morena?
- Eu sempre lembro, não te procurei antes porque algumas coisas chatas andaram acontecendo, mas esquece, isso não é interessante a nossa noite.
Indiquei um restaurante a ela, ela estacionou e entramos, o lugar era lindo, meia luz, velas e mesas postas a dois. O restaurante era especializado em massas, um bom vinho para acompanhar e ali ficamos, saboreando o jantar, conversando.
Ela me levou para casa, entramos e fomos ao banho, nem um toque. Ela me olhava com ar de quem queria e ao mesmo tempo não, eu odiava quando ela fazia isso, mas no fim era bom.
Um beijo na orelha, uma mordidinha, um carinho nas costas com a mão, uma mão deslizando sobre o corpo da outra, uma boca desvendando o gosto do corpo alheio.
Saímos do banho e fomos para o quarto, a cama não ajudou muito, fez um barulho como nunca havia feito antes, ela ria, gemia, gozava, tudo ao mesmo tempo. Ela pedia mais, com mais força, com mais carinho, com mais beijos, mais língua...
Me jogou na cama e fez o que nenhuma mulher ousou fazer até então, me chupou, me acariciou, me fez gozar e me fez ama-la como nunca havia acontecido.
Eu estava mais do que hipnotizada, até então eu havia sempre tomado conta da situação, mas ela virou o jogo.
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