Noite
fria, apenas um pouco de bateria no note e algumas velas iluminando o
apartamento e uma lua ofuscada pelas nuvens de um temporal, as árvores perdendo
suas folhas a cada rajada de vento. Um verdadeiro clima romântico se não fosse
caótico ver como estava à rua.
Fui obrigada a parar de escrever, bateria no zero. Decidi
então pegar uma taça e abrir um vinho suave, com um cigarro a mão, pensei em
fazer algo para comer, mas o bar na esquina de casa parecia me satisfazer ainda
mais, peguei um casaco e sai na tempestade.
No bar a luz de emergência tornava aquele lugar quase um
boteco de madame, ensopada de tanta chuva, me sentei e pedi algo para comer, um
vinho para acompanhar.
Ao terminar meu pseudo jantar, vi entrar no bar uma moça
idêntica a minha morena, por um segundo pensei ser ela, mas logo vi as
diferenças. Nesse instante senti meu corpo extasiado, coração fraco e a saudade
me comprimir a ponto de me fazer sair correndo de lá.
Nesse instante deixei o dinheiro no balcão, querendo fugir o
mais rápido dali, uma mão segurou meu braço:
- Você... É com você mesmo que eu preciso falar, me disseram
que eu te encontraria aqui.
- Deve ser um engano moça. Desculpe-me.
- Engano?
Eu diria que será uma tragédia se você não impedir minha irmã, sua morena. Não
é assim que você a chama?
- Impedir
quem?
- É ela
está de malas prontas e aceitou o pedido de casamento de um merda aí, esse cara
é um FDP, ela sabe, mas está tão triste que ligou o foda pra própria vida,
CULPA SUA!
E era
mesmo, cheguei mais uma vez a conclusão de que sou um monstro.
Ao em vez de ficar me culpando decidi que não perderia o amor
da minha vida pra um cueca que não sabe fazer uma mulher sentir prazer, nesse
quesito eu sentia orgulho em fazer e fazer bem feito, mas sem ela todo esse
encanto se esvaia.
Saímos do bar e fomos a casa dela, tarde demais eles já
haviam saído. Peguei o carro que nem meu era e sai ventando até a casa do filho
da mãe.
Ela me atendeu, confusão formada, peguei-a pelo braço, joguei
dentro do carro e saímos antes que o cueca viesse atrás:
- Para esse carro.
- Ainda
não.
- Para
agora! Eu te odeio. PARA ESSE CARRO!
- Eu
encostei, desliguei o carro, virei para ela e disse, e eu... Bom, eu não vivo
sem você, eu te amo pra cara... Muito. Mas que merda meu, olha o que eu to
fazendo, a que ponto cheguei pra ficar com você e você aceita se casar com esse
filho da...
- Cala sua boca sua FDP, o que você fez por mim?! O que você
fez realmente? Largou os vícios? Arrumou um emprego de verdade? Colocou os
pés no chão? NÃO!
- Porra,
mas você também hein, tudo pra você é material, nosso amor não conta não?
-Conta
muito, você não faz nem ideia do quanto, mas dinheiro para nos sustentar e
sustentar os filhos que você tanto quer também fazem parte do amor. Cansei, eu
vou me casar com ele sim e você vai sumir da minha vida.
- É pra
eu sumir então, esquecer tudo que passamos?
- Como se
fosse muita coisa né? Você logo encontra outra, como sempre.
- Não
encontro você, então não preciso procurar por ninguém.
- Sem
essa, não vou cair na mesma história de novo. Adeus.
Ela saiu
do carro e eu fui devolve-lo para a dona, com lagrimas nos olhos me virei e sai
andando na chuva, sem saber ao certo qual era o caminho para minha casa, para
minha vida, eu sentia que não era o fim, mas eu não sabia.
Assim como nos seus textos, eu sabia que você encontraria outra logo, agora só falta o seu carma se concretizar, assim como aconteceu com as suas outras ex's... Nem sei o que estou fazendo, nem deveria estar lendo isso e muito menos escrevendo, mas seus textos... Que raiva desses textos.
ResponderExcluirDesculpa :/