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terça-feira, 5 de junho de 2012

Ou Vai Ou Raxa

Noite fria, apenas um pouco de bateria no note e algumas velas iluminando o apartamento e uma lua ofuscada pelas nuvens de um temporal, as árvores perdendo suas folhas a cada rajada de vento. Um verdadeiro clima romântico se não fosse caótico ver como estava à rua.
Fui obrigada a parar de escrever, bateria no zero. Decidi então pegar uma taça e abrir um vinho suave, com um cigarro a mão, pensei em fazer algo para comer, mas o bar na esquina de casa parecia me satisfazer ainda mais, peguei um casaco e sai na tempestade.
No bar a luz de emergência tornava aquele lugar quase um boteco de madame, ensopada de tanta chuva, me sentei e pedi algo para comer, um vinho para acompanhar. 
Ao terminar meu pseudo jantar, vi entrar no bar uma moça idêntica a minha morena, por um segundo pensei ser ela, mas logo vi as diferenças. Nesse instante senti meu corpo extasiado, coração fraco e a saudade me comprimir a ponto de me fazer sair correndo de lá.
Nesse instante deixei o dinheiro no balcão, querendo fugir o mais rápido dali, uma mão segurou meu braço:
- Você... É com você mesmo que eu preciso falar, me disseram que eu te encontraria aqui.
- Deve ser um engano moça. Desculpe-me.
- Engano? Eu diria que será uma tragédia se você não impedir minha irmã, sua morena. Não é assim que você a chama?
- Impedir quem?
- É ela está de malas prontas e aceitou o pedido de casamento de um merda aí, esse cara é um FDP, ela sabe, mas está tão triste que ligou o foda pra própria vida, CULPA SUA!
E era mesmo, cheguei mais uma vez a conclusão de que sou um monstro.
Ao em vez de ficar me culpando decidi que não perderia o amor da minha vida pra um cueca que não sabe fazer uma mulher sentir prazer, nesse quesito eu sentia orgulho em fazer e fazer bem feito, mas sem ela todo esse encanto se esvaia.
Saímos do bar e fomos a casa dela, tarde demais eles já haviam saído. Peguei o carro que nem meu era e sai ventando até a casa do filho da mãe.
Ela me atendeu, confusão formada, peguei-a pelo braço, joguei dentro do carro e saímos antes que o cueca viesse atrás:
- Para esse carro.
- Ainda não.
- Para agora! Eu te odeio. PARA ESSE CARRO!
- Eu encostei, desliguei o carro, virei para ela e disse, e eu... Bom, eu não vivo sem você, eu te amo pra cara... Muito. Mas que merda meu, olha o que eu to fazendo, a que ponto cheguei pra ficar com você e você aceita se casar com esse filho da...
- Cala sua boca sua FDP, o que você fez por mim?! O que você fez realmente? Largou os vícios? Arrumou um emprego de verdade? Colocou os pés no chão? NÃO!
- Porra, mas você também hein, tudo pra você é material, nosso amor não conta não?
-Conta muito, você não faz nem ideia do quanto, mas dinheiro para nos sustentar e sustentar os filhos que você tanto quer também fazem parte do amor. Cansei, eu vou me casar com ele sim e você vai sumir da minha vida.
- É pra eu sumir então, esquecer tudo que passamos?
- Como se fosse muita coisa né? Você logo encontra outra, como sempre.
- Não encontro você, então não preciso procurar por ninguém.
- Sem essa, não vou cair na mesma história de novo. Adeus.
Ela saiu do carro e eu fui devolve-lo para a dona, com lagrimas nos olhos me virei e sai andando na chuva, sem saber ao certo qual era o caminho para minha casa, para minha vida, eu sentia que não era o fim, mas eu não sabia.

Um comentário:

  1. Assim como nos seus textos, eu sabia que você encontraria outra logo, agora só falta o seu carma se concretizar, assim como aconteceu com as suas outras ex's... Nem sei o que estou fazendo, nem deveria estar lendo isso e muito menos escrevendo, mas seus textos... Que raiva desses textos.
    Desculpa :/

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