"Era como se de repente alguém batesse no meu carro, me jogando para fora dele, muitas luzes fortes me cegando, vozes de gritos por todo lado, passos apressados no asfalto, gosto de sangue na boca e algo quente escorrendo pelo corpo. Eu sentia uma imensa vontade de abrir os olhos e ver o que acontecia, mas eles não respondiam.
Eu a ouvia gritando meu nome, queria levantar e procurar por ela, mas de repente tudo ficou escuro e mudo, o mundo sumiu aos meus pés. Era frio, causava calafrios na espinha, sentia sussurros ao pé do ouvido, alguém dizia "não é hora ainda".
O coração batia cada vez menos, o ar faltava e eu voltei a cair na escuridão, tentando segurar algo ou alguém que ainda sussurrava ao meu ouvido. Uma sensação de estar perdida, um medo de nunca mais vê-la, de deixa-la desamparada. Senti um murro no peito e parei de cair, agora eu estava em algum lugar com pessoas pedindo esmolas enquanto seguravam o coração na mão direita, elas pareciam tê-lo arrancado do peito sem anestesia.
Outro murro no peito e um grito "não me deixa sua filha da puta", então eu fui levada a um lugar vazio, não tinha nada, nada mesmo. Comecei a andar na busca de achar onde estava, veio outro murro e eu fui arremessada para trás, os murros começaram a ficar mais fortes e constantes. Meu coração e minha respiração estavam normais, porque tinha alguém me batendo e eu não via?
Então os murros pararam, voltei a ver clarões de luzes na minha cara, sentir o gosto de sangue na boca e algo quente escorrer no corpo, voltei a ouvir barulho de pessoas correndo no asfalto, grito de pessoas e agora barulhos novos como sirenes e pessoas contando até 10.
Meu corpo não mexia, mas eu sentia sua mão segurando a minha, isso eu senti o tempo todo, não sabia como, mal entendia o que acabará de acontecer, mas o medo ainda habitava meu peito vazio."
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