Estava cedo para começar a beber, o sol ainda não havia se posto e eu já havia fumado um maço, me troquei, sai como um foguete pela porta do apartamento, desci 5 lances de escada porque não estava com paciência pra elevador, desci correndo como se eu fosse uma heroína e fosse salvar o mundo naquele momento, nada mais era do que a vontade de ver o sol se pondo.
Praça cheia de crianças, horário de saída de escola, eu no carro sem atenção ou concentração alguma pra dirigir, apenas olhava o céu, loucura eu poderia matar alguém naquele estado, mas me lembrei que já havia dirigido pior não feito mal a ninguém.
Fui até um pico ver o por do sol e fumar, quando a noite surgiu e trouxe consigo a lua cheia, eu entrei no carro e fui para o bar, eu precisa beber e esquecer o que poderia vir a pensar. Dentro do carro o celular tocou, número desconhecido aquela altura do campeonato eu não atenderia mesmo, acho que nem se minha mãe me ligasse pra dizer que estava com saudades eu atenderia.
Cheguei no bar estacionei um pouco longe como de costume, desci do carro e deixei o celular lá dentro, não queria nada tirando meu foco de ficar bem um dia na vida. Entrei estava tocando uma rádio qualquer local, só sei que era essas músicas pop que todo mundo canta sem saber o que diz, mas ela tinha uma melodia gostosa pra caramba e havia uma mesa com 5 amigas cantando-a. Me sentei em uma mesa para duas pessoas e pedi um cerveja, a de sempre, ser fregues a tanto tempo tinha lá suas vantagens.
Eu estava na quarta garrafa quando me deparei com olhares fixos vindo da outra mesa, eu já havia notado olhares fugitivos (quando a pessoa não sabe se olha ou disfarça), mas agora ela nem piscava, virava o copo obsecada em mim, apenas olhei e sai pra fumar, ela foi atrás e me pediu o isqueiro emprestado.
- Me empresta o isqueiro?
- Claro.
- Obrigada! Você vem sempre aqui pelo visto né?
- De nada, as vezes só. - Eu não queria papo.
- Desculpa ser tão intrometida assim, é que não pude deixar de reparar como é bonita - Nessa hora eu me olhei de cima a baixo, de camisa lisa, jeans surrado e um vans velho no pé, sério que eu era bonita daquele jeito, risos.
- Obrigada.
Joguei a bita fora pedi licença e voltei pra minha mesa, sentei de costas para a mesa delas agora, foi até sem querer mas veio a calhar, eu não queria mesmo papo com ninguém.
Dessa vez pude observar uma mesa com um casal de lésbicas, quanta melação pra pouco espaço, tava me cansando o olhar, resolvi olhar o teto e beber, olhar os lados, olhar o bar todo mas lá não, aquele casal me fazia pensar no que eu não tinha e no que eu queria ter, logo meu pensamento foi invadido pela minha pequena e eu estava ficando bêbeda o suficiente pra fazer merda, minha sorte era ter deixado o celular no carro.
Eu voltei meu olhar para o casal, agora havia uma terceira pessoa em pé a frente delas e uma gritaria começou, era a guria que me pediu o isqueiro a pouco, ela estava cantando uma das gurias e a namorada mandando ela voltar pro lugar dela pois não queria confusão, ou seja, confusão formada.
- Olha aqui sua piranha, você estava quieta lá na sua mesa e a gente não havia te notado até você vir aqui, então volte pra lá e para de dar em cima da minha namorada.
- Mas ela tava me olhando, eu não posso fazer nada se sou melhor que você!
- Não ela não estava te olhando sua vagabunda.
Aquilo ia longe ainda, eu paguei a conta e estava saindo quando um copo arremessado acertou minhas costas, puta da vida me virei para ver quem havia feito e a guria venho correndo na minha direção.
- Puta que o pariu, me desculpa, não era pra te acertar era pra acertar aquela vadia que ta dando em cima da minha namorada.
- Da próxima usa a mão pra bater e não o copo cheio.
- Me desculpa mesmo viu.
- Tudo bem vai, normal brigas acontecerem nesse bar. - Eu olhei por cima dos ombros dela e vi a vadia beijando a namorada dela, ela se virou.
- Filha da puta!
Ela foi correr pra cima das duas eu a puxei pelo braço e a segurei pela cintura e só a olhei como quem dizia, seja superior a isso.
- Vamos sair daqui, vai ser melhor pra você.
- Vamos sim.
Ela aos prantos foi para fora eu fui até a mesa, peguei a bolsa dela e sai. Mostrei onde estava o carro, abri a porta pra ela e saímos. Sem rumo, apenas saímos dali, por mim eu procuraria outro bar, precisa beber mais, muito mais.
- Por que ta fazendo isso por mim?
- Não sei guria. - Acendi um cigarro e ela tomou de mim para fuma-lo.
- Sério eu não te conheço e você me "salva" assim.
- Você só não merecia ficar lá sozinha depois do que aconteceu.
- Quero beber mais, me acompanha?
- Tudo que eu queria ouvir.
Fomos pra casa, sentados no sofá enchendo a cara ela me falou um pouco dela, eu estava ficando muito bêbada e sabia que logo não lembraria de muita coisa, mas foda-se também, não estava me importando mais.
Ela veio pra cima de mim, tentou me beijar e quando conseguiu sentou em mim e foi ficando fácil, fácil até demais, empurrei ela para o lado e disse que era a bebida fazendo isso, melhor seria deixar pra lá.
Dormimos jogadas no sofá em meio a garrafas e bitas de cigarro.
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