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quinta-feira, 10 de julho de 2014

Nicotina

Era nisso que pensava quando ela me vinha a cabeça. Eu já havia fumado porém não era um hábito frequente, mas ela me fez querer isso. Ela era embriagante e viciante como cigarros, e meus pensamentos sórdidos a respeito dela se misturavam em meio a fumaça que saia da minha boca. Eu tentei evitar, tentei realmente não me apaixonar por essa mulher, mas ela era extremamente excitante. O cheiro dela permaneceu na minha pele por dias e por mais que eu evitasse, aquela mistura de cigarros e perfume não deixava meu ser.
Fui então me adequando  a isso.
A ter pensamentos insanos sobre sorrisos e olhares, a acordar suada no meio da noite com aquela voz rouca na cabeça. Fui me acostumando a te-la por perto mesmo longe, a sentir seu cheiro mesmo quando ela não está por perto, fui parando de sentir medo e me deixando tomar pelo desejo. Fui deixando-a entrar, pouco a pouco e quando percebi, estava presa. Completamente presa em suas teias. 
Talvez ela tenha articulado tudo para que fosse assim, ou talvez ela nem se lembre de como foi, mas sinceramente não importava. Eu já estava ali, perdida, envolvida de todas as formas possíveis, afinal sempre fui movida pelas paixões, me fizessem elas bem ou não.
A chama é o que importa, saber que existe algo ali e que em algum momento vou poder sentir de novo, aqueles toques, aqueles lábios, o gosto da sua pele na minha boca. Não preciso de muito mais do que isso. Enquanto não tenho, fico com a nicotina.

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